Incontinência: Pingos de desconforto
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Recuperar o bem-estar
A incontinência é causa de intenso desconforto, físico e emocional. É, no entanto, possível corrigi-la ou mantê-la sob controlo. E enquanto as terapêuticas não surtem efeito, é desejável recorrer à ajuda de alguns dispositivos que minimizam as consequências da perda de urina.
São três os tipos principais desses dispositivos: oclusivos, colectores e absorventes. Os primeiros são dispositivos mecânicos que actuam comprimindo a uretra (o canal que liga a vagina ou o pénis à bexiga e por onde se liberta à urina) e que devem ser retirados no momento da micção, voltando depois a ser colocados. Já os segundos, visam recolher e armazenar a urina, sendo constituídos por um sistema de drenagem do qual faz parte um saco onde é depositada a urina que se vai escoando da bexiga.
Este saco deve incluir uma válvula que evite o regresso da urina, de modo a prevenir uma infecção. Deve ser descartável ou, se for reutilizável, impõe-se uma limpeza diária rigorosa, com o mesmo objectivo preventivo.
Os mais comuns são os produtos absorventes, cuja função é reter a urina, mantendo o doente seco e confortável. A escolha deve fazer-se em função de factores como o tipo e a gravidade da incontinência, o estado funcional do doente e o sexo. E, além de se adaptarem ao doente, estes produtos devem assegurar uma absorção suficiente, facilitar os movimentos e evitar derrames de urina.
São as chamadas fraldas ou cuecas para incontinentes, constituídas por três camadas – uma de polietileno, à prova de água e que protege as roupas; uma segunda de celulose que actua como absorvente e uma terceira de material hidrófobo, que mantém a urina afastada da pele.
Não são, porém, sistemas de via única, o que significa que quando a camada absorvente está saturada a urina volta a estar em contacto com a pele, pelo que devem ser substituídos com regularidade.
Estes produtos visam proporcionar conforto e atenuar ou eliminar o embaraço causado pela incontinência, pelo que existem modelos mais discretos destinados a ser usados durante o dia, ainda que com menor capacidade de absorção.
E recentemente ficou disponível uma alternativa ainda mais confortável e saudável – uma cueca para incontinente formada por 100% de algodão e cuja camada de absorção inclui três por cento de prata. É aqui que reside a diferença: a prata tem propriedades anti-sépticas, anti-bacterianas e anti-odores. Esta é uma mais-valia acentuada, tanto para homens como para mulheres que não conseguem controlar a bexiga mas que já podem manter uma vida social livre de embaraços.
Calcula-se que em Portugal cerca de 600 mil pessoas sofram deste problema, mas também se estima que apenas um terço procure ajuda médica. É porventura o embaraço associado à incontinência que afasta os doentes – aliás, um estudo efectuado há alguns anos em 16 países europeus, incluindo Portugal, mostrou que a incontinência urinária é o segundo problema de saúde que mais envergonha, só ultrapassado pelas disfunções sexuais.

