Osteoporose: Diagnóstico e tratamento
A osteoporose é a doença óssea metabólica mais comum sendo provocada pelo desequilíbrio entre a formação e destruição óssea. Trata-se de um problema silencioso e oculto, pois, muitas vezes, só se toma conhecimento dele após a ocorrência da sua complicação mais grave, isto é, a fractura.
Pode afirmar-se que uma em cada três mulheres e um em cada oito homens, com mais de 50 anos, são afectados por osteoporose. É assim, uma doença mais frequente no sexo feminino, mas também presente no sexo masculino.
De um modo geral, quando se fala em osteoporose pensa-se em fracturas (fémur, punho, ombro e coluna) provocadas por traumatismos de baixa energia. Ocorrem, em Portugal, cerca de 40.000 fracturas osteoporóticas por ano, das quais 8.500 são no fémur proximal. Estas fracturas (fémur proximal) são as mais importantes, devido ao seu impacto sócio-económico (risco de morte aumentada, dependência de terceiros e custos de tratamento directos e indirectos, calculados em 2003, em cerca de 24.000€ por doente). No entanto, as fracturas vertebrais compressivas são as mais frequentes e destas só 30% são clinicamente detectadas, não necessitando de internamento mais de 10%.
Nos EU verificam-se 700.000 fracturas vertebrais todos os anos, das quais 200.000 são diagnosticadas por apresentarem dor intensa. Estima-se que 30 a 50% das mulheres caucasianas e 20% a 30% dos homens tenham uma fractura vertebral osteoporótica durante o seu tempo de vida, e cerca de metade destes, duas ou mais fracturas.
As fracturas vertebrais raramente ocorrem antes dos 50 anos, mas aumentam exponencialmente a partir dessa idade, de tal forma que aos 50 anos a incidência ronda os 6% aumentando para 75% aos 90 anos.
Um estudo Português mostrou que se estima para a nossa população, com mais de 50 anos, cerca de 15.500 novas fracturas vertebrais por ano nas mulheres e 6500 nos homens.
A localização habitual destas fracturas é entre a oitava vértebra torácica e a quarta vértebra lombar, pela maior carga axial que estas vértebras suportam. Embora menos conhecidas, estas fracturas têm consequências graves quer estéticas quer funcionais.
Dentro das consequências estéticas aponta-se a deformidade torácica pelo agravamento da cifose, com a consequente perda de altura e proeminência abdominal.
A inactividade e, por vezes, o permanência no leito, devido à dor prolongada, a alteração da função pulmonar, a perturbação do sono, a perda de apetite e alterações digestivas e o risco aumentado de novas fracturas vertebrais são as principais consequências funcionais. Alguns estudos apontam também para o risco aumentado da mortalidade, quando comparados doentes com e sem fracturas vertebrais.
Definição e tipos
A osteoporose é por definição uma doença caracterizada pela diminuição da resistência do tecido ósseo, que predispõe a um aumento do risco de fractura.
Estão definidos dois tipos de osteoporose: o tipo I, que aparece 15 a 20 anos após a menopausa e apresenta alterações do osso trabecular (esponjoso). Isto torna mais frequente as fracturas vertebrais e do punho, pois são os locais onde a resistência óssea mais depende das trabéculas ósseas; o tipo II ou senil, aparece acima dos 70 anos, apresenta alteração do osso cortical e esponjoso. Embora se mantenha a incidência de fracturas vertebrais, tornam-se frequentes as fracturas do úmero e fémur proximal.
O risco de fractura está assim dependente da resistência óssea e do risco de queda, embora a fractura vertebral e do colo femoral possa ocorrer sem qualquer queda (fracturas de insuficiência óssea). Assim, a nossa atitude preventiva, passa por um lado pelo tratamento correcto da osteoporose, e por outro, pela diminuição do risco de quedas.
Factores de risco
A osteoporose é uma doença cujo desenvolvimento está associado a determinados factores de risco. Dentro destes factores destacam-se:
– Sexo feminino e idade avançada;
– Menopausa precoce (inferior aos 45 anos);
– Raça branca e asiática;
– Baixo peso e estatura;
– História familiar de fracturas osteoporóticas;
– Hábitos alcoólicos e tabágicos;
– Presença de doenças crónicas (endócrinas ou reumáticas) e uso de fármacos como os corticoides e os anti-epilépticos, entre outros.

