Osteoporose: Diagnóstico e tratamento
Diagnóstico
O diagnóstico de osteoporose é, habitualmente, tardio e verifica-se, na maioria dos casos, após ocorrer uma fractura. Contudo, é possível estabelecer-se o diagnóstico de osteoporose com base na história clínica e exame objectivo procurando os factores de risco, por exames laboratoriais e pela determinação da massa óssea. Esta última pode ser conhecida pela densitometria óssea ou pela realização de uma tomografia axial computorizada quantitativa.
A densitometria óssea é o exame de realização mais acessível e permite estabelecer valores que quantificam a perda óssea em osteopenia (desvio do score T entre -1 e -2,5) e osteoporose (desvio do score T acima de -2,5). O score T (também designado por Índice T) é definido pela comparação da densidade óssea do doente, com um adulto jovem com a mesma massa corporal.
Considera-se indicada a realização deste exame, para despiste da osteoporose no sexo feminino, nos seguintes casos:
– Idade superior aos 65 anos;
– Após menopausa com idade inferior a 65 anos, mas com factores de risco;
– Após menopausa com fractura;
– Início de terapêutica para a osteoporose ou que façam terapêutica hormonal de substituição.
Tratamento
O objectivo do tratamento da osteoporose é a melhoria da arquitectura e densidade óssea, com o fim de diminuir o risco de fractura. Podemos dizer que o mais importante para a prevenção primária desta doença é a obtenção, no sexo feminino, de uma densidade óssea mais elevada na altura da adolescência (exercício físico e dieta adequada).
A perda de massa óssea no sexo feminino é inevitável (menopausa), mas se partirmos de uma massa óssea inicial alta, quando a perda se verificar, nunca chega atingir valores que definam a osteoporose como grave (inferior ao limiar de fractura).
Quando estabelecida, o tratamento da osteoporose divide-se em não farmacológico e farmacológico.
Faz parte do não farmacológico, o aconselhamento de exercício físico (30 min. 3 vezes por semana), suplementos de cálcio e vitamina D. No tratamento farmacológico está incluída a substituição hormonal nas mulheres, a prescrição de bifosfonatos (diminuem a reabsorção óssea) e a hormona paratiroideia (aumenta a formação óssea).
Os inconvenientes relacionados com a substituição hormonal incluem o agravamento do risco de cancro do útero e mama, embora este risco não seja referido nos estudos com raloxifeno. Nos bifosfonatos a intolerância gástrica é a principal causa da sua suspensão. Para a hormona paratiroideia (teriparatida) os principais efeitos adversos são a hipercalcemia e as caimbras.
Tratamento das complicações
A fractura da anca, ombro e punho traduzem-se por dor e impotência funcional do membro, obrigando na maioria das vezes a tratamento cirúrgico. Já as fracturas vertebrais manifestam-se unicamente pela dor que, habitualmente, responde ao tratamento conservador (analgésicos e coletes); contudo, a cura destas fracturas nem sempre se obtém por este método, e alguns doentes sofrem de dores prolongadas que os obrigam a estar imobilizados ou mesmo acamados. Nestes casos, poderá estar indicado aumentar a resistência da vértebra fracturada, mediante a introdução, dentro da vértebra, de produtos que substituam o osso fragilizado (vertebroplastia, cifoplastia).
Dr. Rui Pinto,
Médico especialista em Ortopedia e Traumatologia – Hospital de Santa Maria, Porto

