XII Jornadas de Pediatria do Hospital de Santa Maria » Nutrição em tenras idades em debate - Médicos de Portugal

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XII Jornadas de Pediatria do Hospital de Santa Maria » Nutrição em tenras idades em debate

28 Fevereiro, 2007 0

Nas XII Jornadas de Pediatria do Hospital de Santa Maria foram debatidos os problemas actuais da nutrição nas crianças. Nesta área abordaram-se temas como a teoria e a prática das novas fórmulas lácteas, a obstipação, as perturbações do comportamento alimentar e o suporte nutricional do doente crítico.

O Dr. António Guerra, pediatra do Hospital de São João, no Porto, apresentou a teoria e a prática das novas fórmulas lácteas. O pediatra alertou para o facto de o leite materno ser o alimento ideal para o recém–nascido fornecendo todos os nutrientes necessá­rios a um bom desenvolvimento, incluindo proteínas, hidratos de carbono, vitaminas, água, sais minerais e gordura.

«O leite materno deve ser dado em exclusivo, se possível, durante os primeiros 6 meses de vida da criança. Se não for possível, recorre-se então a fórmulas lácteas», afirmou o médico.

Aliás, este é já um assunto em aberto, pois ao longo dos anos a União Europeia tem aprovado diversas emendas que autorizam a inclusão de novos constituintes, como o selénio ou os ácidos gordos polinsaturados nas fórmulas lácteas, de modo a fornecerem todas as necessidades nutricionais do lactente durante os primeiros meses de vida.

O Dr. Paulo Magalhães Ramalho, pediatra do Hospital de Santa Maria, em Lisboa centrou o discurso no conceito de obstipação e na dificuldade em fazer um diagnóstico correcto, bem como levar a bom termo a sua terapêutica em termos pediátricos.

«A obstipação é característica das sociedades ocidentalizadas e está associada à diminuição do consumo de fibra em detrimento do fast-food», referiu aquele profissional, que definiu da seguinte forma a obstipação:

«É uma situação sintomática caracterizada por uma defecção insatisfatória, pouco frequente ou com dificuldade na expulsão.»

E continuou: «O diagnóstico é difícil e frustrante na criança. Nos primeiros dias devem fazer-se exames para despiste de displasias e malformações, sendo que, entre os quatro e seis meses de vida, devem verificar-se as intolerâncias alimentares. Entre os dois e três anos deve proceder-se à educação dos esfíncteres e mais tarde deverá haver uma adaptação social.»

A terapêutica deve passar não obrigatoriamente por medicamentos, mas «por uma abordagem psicológica, pela correcção de hábitos e comportamentos alimentares ou de defecção e pela supressão de dor», que muitas vezes as crianças sentem ao defecar e que as inibe de o fazerem regularmente.

A intervenção seguinte coube à Dr.ª Teresa Goldschmidt, pedopsiquiatra do Hospital de Santa Maria, que falou sobre as perturbações do comportamento alimentar na criança e adolescência, em particular sobre a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Ambas as perturbações são patologias psiquiátricas, que implicam uma terapêutica multidisciplinar, envolvendo enfermeiros, nutricionistas, psiquiatras, os próprios pais.

«A anorexia caracteriza-se», segundo a especialista, «por uma recusa em manter um peso normal para a altura e para a idade, por uma amenorreia ou ausência de menstruação durante um período de tempo prolongado e é predominante no sexo feminino.

Por sua vez, «a bulimia é caracterizada pela ingestão alimentar compulsiva e de grandes quantidades de comida num curto período de tempo e é acompanhada por uma sensação de perda de controlo sobre a alimentação. Normalmente é acompanhada de comportamentos compensatórios, tais como o excesso de actividade física, o jejum prolongado ou a indução do vómito», acrescentou Teresa Goldschmidt, ressalvando:

«Estes comportamentos devem verificar-se cerca de duas a três vezes por semana durante três meses consecutivos para serem considerados como distúrbio alimentar.»

Nestas doenças é necessário considerar vários factores, nomeadamente a eventual disfunção familiar, a falta de comunicação, de gestão de conflitos e de coerência de modelos parentais; factores socioculturais, relacionados com os ideais de beleza; e, entre outros, factores de stress, como a sensação de fracasso ou baixa auto-estima.

A terapêutica deve ter em conta a avaliação de alguns parâmetros como a motivação para o tratamento, o peso a que o doente chegou e aquele que é considerado normal e o suporte familiar.

Em termos familiares, a médica salientou a culpabilização por parte dos pais, pela sensação de fracasso que sentem quando o filho é afectado por um destes distúrbios e lembrou que «a luta deve ser travada com a doença e não com o filho». Teresa Goldschimdt referiu também a necessidade de «ouvir o adolescente falar da sua visão do problema e perceber se reconhe­ce que tem a doença ou não».

A intervenção da Dr.ª Regina Lourenço, farmacêutica do Serviço Farmacêutico do Hospital de Santa Maria, centrou-se no suporte nutricional do doente crítico, sobretudo em termos pediátricos.

O suporte nutricional desempenha um papel de extrema importância no doente crítico, uma vez que diminui significativamente a morbilidade e mortalidade dos doentes. No entanto, conforme afirmou, «nas crianças colocam-se algumas dificuldades uma vez que a população pediátrica é muito heterogénea, com organismos e necessidades nutricionais muito diferentes, que dependem da idade do doente, da composição corporal, do estado nutricional subjacente e da própria patologia clínica».

A satisfação das necessidades nutricio­nais é, por isso, difícil, estando associado um risco com repercussões clínicas imediatas ou tardias.

Contudo, nas últimas décadas tem-se assistido a um progresso nesta área, em que foram introduzidos novos nutrientes, foram redefinidas as quantidades a administrar face a determinada situação clínica e houve uma optimização da qualidade dos produtos disponíveis. Assim, a prescrição da nutrição artificial em Pediatria tem que ser individualizada, após uma avaliação cuidada do doente e da doença e deverá ser integrada na restante terapêutica.

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