Crianças sobredotadas: Nasce-se inteligente
Acabem-se os mitos! As crianças sobredotadas não são génios nem têm necessariamente de ter as notas mais altas da turma. Saiba ainda que essas crianças não têm obrigatoriamente de ser boas em todas as áreas, “As crianças sobredotadas reúnem capacidades significativamente acima da média, em alguns domínios”, explica a Prof. Doutora Helena Serra, professora coordenadora da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti e presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS).
Normalmente, estas crianças apresentam uma grande criatividade, um bom desenvolvimento intelectual, pensamento criativo e uma aptidão académica específica. São crianças extremamente curiosas e devem ser motivadas para que não surja qualquer espécie de desinteresse pelas actividades que desenvolvem.
“Estes miúdos podem revelar altíssimas capacidades a que correspondem desempenhos múltiplos de inteligência”, explica a presidente da APCS.
Sinais que não devem ser ignorados
Alguns estudos científicos efectuados noutros países indicam que há entre 3 a 5% crianças sobredotadas. No entanto, ainda não existem estudos nacionais que nos indiquem a sua prevalência em Portugal. “Estamos com vontade de fazer este estudo baseado numa amostra significativa”, comenta Helena Serra.
As manifestações surgem quando as crianças são ainda muito pequenas. “Muitas vezes, os próprios pediatras apercebem-se que a postura, a atitude e a maneira de reagir da criança na consulta de pediatria é diferente. Há pais que são alertados pelos próprios pediatras para procurarem orientação para a educação dos filhos. Isto pode acontecer quando as crianças têm dois, três anos”, explica Helena Serra.
Os sinais mais frequentes e a que os pais devem estar atentos podem passar por desempenhos desenvolvidos a nível do vocabulário, da adjectivação e da estrutura da frase. “Há crianças que apresentam uma grande riqueza de frases e outras têm uma grande aptência por números ou símbolos. Por exemplo, em idades muito pequenas, são capazes de decorar matrículas e marcas de automóveis”.
Outras desenvolvem capacidades de leitura fora do comum ou caracterizam-se por competências a nível musical ou de outro tipo de artes. “Noutros casos, as crianças revelam-se em vários campos em simultâneo, podendo caracterizar-se por inteligências múltiplas”. Quando comparadas com grupos culturais e de faixa etária equivalentes, estão claramente acima da média.
O que prevê a lei
Algumas pessoas pensam que as crianças sobredotadas, por serem mais inteligentes que outras crianças da mesma idade têm a vida completamente facilitada e não têm de se esforçar minimamente. Helena Serra chama à atenção para os perigos de tal ideia preconcebida. “Este é um preconceito que deve ser completamente destruído.
Estas crianças têm de ser correspondidas nessas competências e há sempre áreas que não acompanham este nível de eficiência fora do normal”. Por isso mesmo, os domínios onde a criança não é tão eficaz devem ser acompanhados de perto. Helena Serra defende que, em todos os agrupamentos do País, devem existir professores com formação nesta matéria. “O professor e a escola têm a responsabilidade de tomar conta destas crianças e propor actividades que as estimulem”.
As crianças sobredotadas são protegidas pela lei. Em Portugal, destaca-se o decreto-lei n.º 50/2005, de 9 de Novembro, cujo artigo 5º prevê que as mesmas possam beneficiar, nas escolas, de um plano de desenvolvimento que individualize o currículo e as estratégias pedagógicas no quotidiano escolar.

