Queimaduras nas crianças: Não se brinca com o fogo…
Manter a calma é decisivo. Agir com lucidez e eficácia é difícil, sobretudo porque estão envolvidas crianças, mas é fundamental para minimizar o prejuízo provocado pelas queimaduras. Pode ser a diferença entre a vida e a morte.
As queimaduras são a segunda causa da mortalidade infantil. Neste cenário preocupante, a água quente apresenta-se como o risco maior para as crianças, mas os aparelhos eléctricos e as substâncias químicas podem provocar lesões graves, por vezes irreversíveis, mesmo com o recurso a cirurgias plásticas.
Se a prevenção é o melhor remédio, nem sempre é possível evitar os acidentes. Quando a queimadura acontece, o primeiro gesto é tentar arrefecê-la com água fria, enrolar uma gaze e correr até ao serviço de urgência mais próximo. Não se deve tentar lavar a área queimada ou aplicar manteiga ou outras gorduras.
Da mesma forma, a aplicação de gelo não é aconselhável assim como não deve ser aplicado qualquer medicamento ou produto até chegar ao hospital.
No caso das queimaduras mais graves, o traumatismo provocado por uma queimadura extravasa a parte física e o período de tratamento. A recuperação psicológica de crianças queimadas é determinante, especialmente em casos em que sobram as sequelas de um rosto desfigurado ou uma cicatriz repugnante.
Agir antes que algo aconteça é imperioso, se bem que nada garanta. Mas cuidar que as pegas das frigideiras não fiquem viradas para fora, que os recipientes de lixívia fiquem em local inacessível ou que as tomadas eléctricas estejam protegidas – tudo isso faz parte de uma prevenção responsável.
Da mesma forma, os gestos preventivos têm de se adaptar ao crescimento e aos hábitos da própria criança. Se o bebé tiver apetência para a arte de “investigar” cabos eléctricos ou se sente atraído pelas embalagens dos detergentes ou pela chama do fogão, há que agir.
Porque os acidentes ocorrem quando os adultos estão distraídos… E basta ir responder a uma campainha que toca ou a uma música inesquecível que sai do televisor para que, em poucos segundos, tudo se complique…
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Os 3 graus
As queimaduras distinguem-se pela sua gravidade:
• Queimadura de primeiro grau – Afecta apenas a superfície da pele, por isso se designam também por queimaduras epidérmicas, devendo ser lavadas com água fria durante dez minutos. Depois de secar e cobrir com uma gaze, convém consultar um médico. Não se deve tocar na queimadura nem aplicar nenhuma pomada, creme ou loção.
• Queimaduras de segundo grau – Já afecta a camada mais profunda (a derme), mas a regeneração procede-se de forma natural.
• Queimaduras de terceiro grau – A profundidade e a gravidade da lesão são maiores, tornando a regeneração mais complexa e podendo mesmo ser necessário recorrer a enxertos de pele.
Crianças: todo o cuidado é pouco!
A melhor forma de evitar as consequências de um acidente é tomar sempre as devidas cautelas…. Para prevenir a ocorrência de queimaduras nas crianças, tente modificar alguns hábitos como, por exemplo, permitir a permanência das crianças na cozinha quando está a preparar as refeições. Não se esqueça que, para além do perigo das queimaduras, há ainda os cortes com facas e as intoxicações por ingestão de produtos químicos.
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