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Contracepção: Métodos modernos, seguros e eficazes

14 Julho, 2008 0

Hoje em dia existe uma grande diversidade de métodos contraceptivos modernos, seguros e eficazes que permitem evitar uma gravidez, espaçar os nascimentos ou ter um filho na altura mais adequada quer em termos pessoais, quer, o que é muito importante em mulheres com doenças crónicas, nas melhores condições físicas.

Cada um dos métodos contraceptivos, para lá de alguma contra-indicação médica, exige um ritual e tem alguns efeitos secundários que, sem serem perigosos, podem ser incómodos para algumas mulheres. Assim, na altura de escolher é importante receber todas as informações, colocar as dúvidas e aprender como minorar algum inconveniente relacionado com o método escolhido. Por vezes, as mulheres não querem engravidar, mas correm riscos: isso acontece porque não se apercebem desse risco. Pensam que já não podem engravidar, que têm relações tão poucas vezes que isso não vai acontecer ou que, se não engravidaram até àquela altura, é porque não são férteis. Desta forma, surgem frequentemente gravidezes não desejadas. Sempre que se tem relações sexuais e não se deseja engravidar, é preciso usar um método contraceptivo. A pílula é o método contraceptivo mais utilizado pelas portuguesas. É um método muito eficaz e que, para algumas mulheres, traz benefícios extra: diminui as dores menstruais e o fluxo sanguíneo, regulariza o período, atenua o acne. No entanto, para que a pílula seja mesmo eficaz, é necessário tomá-la correctamente e conhecer bem as circunstâncias que podem interferir com a sua eficácia, como os vómitos, a diarreia e alguns medicamentos. Há mitos à volta da pílula que podem levar a que as mulheres a interrompam sem necessidade: o mais espalhado é talvez o da necessidade do “mês de descanso”. Não há qualquer vantagem em parar a pílula periodicamente: quem não tem contra-indicações para o seu uso deve fazê-lo até querer engravidar ou até ter decidido mudar para outro método, o que deve fazer sem descontinuação. Embora a maior parte dos métodos devam ser utilizados pelas mulheres, felizmente existe o preservativo: felizmente, porque é uma forma dos homens darem o seu contributo na contracepção, de eles também poderem escolher e ter uma paternidade desejada e (absolutamente importante!) de aliar a protecção das infecções sexualmente transmissíveis (IST) à prevenção da gravidez. Métodos mais recentes permitem usufruir da eficácia e benefícios da pílula, sem o ritual diário ou o risco de esquecimento (anel vaginal, patch contraceptivo); outros aliam alta eficácia e contracepção prolongada, (implante, dispositivo de cobre ou medicado). Esta possibilidade aumentada de escolha leva a que mais mulheres possam ir encontrando o método que mais se ajusta às suas características.

A maior parte dos métodos é fornecida gratuitamente nas consultas de planeamento familiar dos Centros de Saúde. Às vezes damos conta que usámos incorrectamente o método ou que não utilizámos contracepção. É para estas ocasiões que existe a contracepção de emergência (CE): uma pílula que deve ser tomada o mais cedo possível, nas 72 horas que sucedem à relação sexual não protegida. A CE não deve ser utilizada por rotina, porque não é suficientemente eficaz para proteger adequadamente de uma gravidez. No entanto, não é lesiva para a saúde da mulher, não é abortiva e, quando já não é possível outra medida, pode evitar uma gravidez não desejada. Pode ser comprada nas farmácias, sem receita médica. Informe-se sobre ela, informe as amigas e lembre-se dela, se necessitar. Dra. Maria José Alves, Ginecologista/Obstetra na Maternidade Alfredo da Costa, Voluntária da Associação para o Planeamento da Família

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