Disfunção: “A nossa sexualidade é 80% mental”
Tabu para muitos e motivo de vergonha para outros… No mês em que se comemora o Dia Europeu da Disfunção Sexual que coincide com o Dia dos Namorados, quisemos conhecer melhor a doença e falámos com especialistas de várias áreas que o ajudarão a compreender o problema e a arranjar alternativas para melhor o enfrentar.
O que é afinal isto da disfunção sexual? O Dr. Abel Matos Santos, sexologista, dá uma ajuda. “A disfunção sexual, é todo o problema que interfere na resposta da expressão sexual humana a estímulos eróticos. Pode ser de origem psicológica, biológica ou social.
O comprometimento de uma destas fases prejudica toda a relação”. Por outras palavras, “há uma perturbação nos processos que caracterizam o ciclo de resposta sexual ou dor associada à relação sexual”, explica a Dra. Lara Alves, psicóloga clínica.
Tipos de disfunção sexual
Quando falamos de disfunção sexual, lembramo-nos mais frequentemente da disfunção eréctil que afecta o sexo masculino. No entanto, há vários tipos de perturbações sexuais.
A Dra. Lara Alves explica que “as perturbações originárias da fase de desejo são as perturbações do desejo hipoactivo (falta de desejo sexual) e a aversão sexual (aversão e evitamento do contacto sexual). Na fase de excitação podem-se referir as perturbações de excitação sexual na mulher e a disfunção eréctil no homem.
A fase do orgasmo apresenta a perturbação do orgasmo quer na mulher, quer no homem (atraso ou ausência de orgasmo) e a ejaculação precoce no homem (início do orgasmo e ejaculação com estímulo sexual mínimo). Podem ainda existir as perturbações de dor nas quais se inserem a dispareunia (dor genital associada ao acto sexual) e o vaginismo (contracção involuntária dos músculos da vagina)”.
“Tenho um problema sexual… O que devo fazer?”
Esta é uma pergunta frequente e que muitas vezes não tem resposta fácil. O primeiro passo é procurar ajuda. Não finja que está tudo bem e que está a passar apenas por uma má fase. Comece por ir ao seu médico de família e explique-lhe o que está a acontecer consigo.
O Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia (SPA), Prof. Dr. Nuno Monteiro Pereira aconselha: “Podem procurar ajuda, sem vergonha e a partir daí, o médico de família saberá encaminhá-los para o especialista adequado. Considero também que devem começar a ter uma esperança pois esta ajuda resolve, muitas vezes, problemas conjugais e de relacionamento entre o casal e por vezes, até da maneira de estar na vida”.
O Dr. Abel Matos Santos partilha desta opinião e afirma: “Procure o seu médico de família e exponha-lhe o caso ou opte por um especialista na área da sexualidade humana, que pode ser por exemplo, um sexologista, andrologista, urologista, ginecologista, psicólogo e ou endocrinologista”. A Dra. Lara Alves acrescenta: “Tal como vamos ao dentista quando nos dói um dente, também devemos ir a um sexólogo quando temos problemas sexuais”.
Estudo episex – pt
Este é o nome de um estudo conjunto inédito em Portugal, realizado pela SPA em colaboração com os laboratórios Pfizer. No que respeita às disfunções sexuais femininas, os resultados apresentados são particularmente importantes, atendendo à escassez de estudos internacionais nessa área. “Ouso até dizer que é o primeiro grande estudo sobre sexualidade feminina, no que diz respeito a prevalência e as próprias circunstâncias da mesma”, fundamenta o Prof. Nuno Monteiro Pereira.
Apenas 44% das mulheres portuguesas inquiridas (1 710 000 mulheres) com mais de 18 anos referiram não sofrer de qualquer tipo de disfunção sexual. O Prof. Dr. Nuno Monteiro Pereira explica que “A mulher precisa de contextualizar e de muito mais ingredientes do que o homem. O desejo masculino está dependente de factores físicos e o da mulher depende de muitos mais factores”.
O que as mulheres pensam da sexualidade dos homens e o que os homens pensam da sexualidade das mulheres.
O estudo revela que as mulheres acham que os homens têm muito mais disfunções sexuais do que eles próprios referem. “Quando perguntamos às companheiras dos homens inquiridos o que elas acham da sexualidade dos companheiros, temos valores de 50% de homens com problemas. No entanto, só 15% dos homens inquiridos assumem que os têm. A avaliação do desejo sexual é muito suspeita porque só o próprio é que sabe se tem ou não desejo”, afirma o Presidente da SPA, adiantando ainda que “no que respeita à dor, os homens acham que elas têm menos dor durante uma relação sexual do que efectivamente elas têm”. Para a ginecologista Drª. Maria do Céu Santo, “as mulheres pensam que o desejo dos homens está diminuído porque elas são educadas para seduzir e para provocar desejo nos homens. Por mais desejo que eles tenham, nunca é suficiente para nós… Por isso, é que nós temos 50 camisolas, vamos não sei quantas vezes ao cabeleireiro e investimos muito mais… O nosso objectivo é seduzir o nosso parceiro, o que não significa que a intenção seja ter uma relação sexual ou fazer amor”. Explica ainda que “o desejo passa a diminuir pela rotina, pela vida que todos nós fazemos hoje em dia… As pessoas chegam a casa e não têm força nem para puxar o lençol e quando vão fazer amor, não têm nem força física nem mental… A nossa sexualidade é 80% mental e diminui ao longo do tempo. Se a cabeça funcionar bem, as hormonas têm um efeito menos implicante”, conclui.
A não perder…
O Efeito Laranja
É este o título de uma peça de teatro que estreou dia 15 de Fevereiro e estará em cena até dia 19 de Março no Teatro Tivoli, em Lisboa. Com uma história simples e divertida, o tema da disfunção eréctil está em destaque através de Mário Cabral (interpretado por Nicolau Breyner), um engenheiro de meia-idade que deixa de querer estar em casa porque quer esconder o seu problema a sete chaves.
A peça está em cena de quarta a sábado às 21h30 e ao Domingo às 18h30. Segue depois para o Porto, onde estará patente no Teatro Rivoli, de 20 a 30 de Abril de 2006.
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