A importância das actuais terapias sexuais
A diversidade de terapias para o tratamento das disfunções sexuais femininas parece emergir com uma rapidez e actualidade incríveis. Se sofre destes problemas, veja com o que pode contar para obter bons resultados no tratamento. A utilização de determinadas terapias resulta do estudo criterioso do problema em causa. O terapeuta pode seguir várias soluções possíveis para os problemas em função do caso que encontra diante de si.
«O esquema terapêutico poderá ser usado para desbloquear os processos de ansiedade que a mulher estabelece face à terapia sexual, procurando na consulta com o casal actuar ao nível cognitivo. Esta opção permite que a mulher modifique a sua atitude face à legitimidade do prazer», considera a Dr.ª Lígia Fonseca, psicóloga clínica e sexóloga.
Deve dar-se atenção ao envolvimento afectivo do casal, para que a contextualização afectiva facilite a sua expressão sexual.
As terapias sexuais são utilizadas em diversas circunstâncias: nos problemas relacionados com o desejo sexual, nos casos de anorgasmia e outras dificuldades afins.
Onde está o desejo sexual?
Nos casos de desejo sexual hipoactivo, ou seja, diminuição ou ausência do desejo sexual, existem várias estratégias de tratamento. Este problema pode tratar-se segundo um modelo psicodinâmico integrado de terapia sexual e que combina técnicas cognitivo-comportamentais e intervenção psicodinâmica breve, dirigida à resistência do doente ao tratamento e consequente exploração dos problemas mais profundos.
Neste método, «a ênfase é dada em aumentar a consciencialização de processos não sexuais negativos e na reestruturação cognitiva para modificar estes processos. A estrutura da terapia é muito importante para o seu sucesso, porque a doente está não só sujeita à pressão do seu companheiro, pela ansiedade na relação, e não motivada pelos seus próprios sentimentos ou desejo de aumentar o interesse sexual», esclarece a especialista.
Os comportamentos negativos e os processos cognitivos que influenciam o problema de desejo sexual hipoactivo estão sujeitos a inúmeras variações individuais, o que implica o desenvolvimento de várias terapêuticas e estratégias de tratamento.
«Foi identificado como primeiro passo no tratamento desta disfunção a procura de sentimentos negativos relativamente à sexualidade, isto é, tomar consciência dos seus comportamentos não sexuais, a ausência de fantasias em relação ao companheiro(a) e compreender que pode ter um maior controlo sobre os seus sentimentos sexuais», prossegue a sexóloga.
Outros objectivos das intervenções cognitivas destas doentes com disfunção hipoactiva do desejo é manter o seu foco selectivo nas imagens, percepções, pensamentos e emoções negativas, concomitante com a utilização de estímulos eróticos, quer físicos, quer psíquicos, que lhes permitam concentrar-se em aspectos positivos da relação, expondo-se à estimulação física e erótica e focalizando a atenção nas características atraentes do seu companheiro.
«Se durante a estimulação da mulher na presença do parceiro o casal ficar muito tenso, então é preciso ensinar técnicas de relaxamento que permitam maior conforto, antes de iniciarem a actividade sexual. Noutras situações, pode propor-se que o casal fale durante algum tempo acerca do que sente, das suas preocupações e vulnerabilidades, antes de iniciar a sua relação sexual», desenvolve Lígia Fonseca.
Algumas mulheres antecipam um conjunto de emoções negativas, negando qualquer contacto sexual. Então, «um dos métodos implica pedir ao doente que relaxe, feche os olhos e tente visualizar e reexperienciar vários tipos de situações que envolvam interacção sexual. Outra hipótese de imagery consiste na imaginação e relato de sentimentos em várias situações de interacção sexual com o parceiro, a iniciar como também a realizar ou renunciar à actividade sexual», continua a especialista.

