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A importância das actuais terapias sexuais

25 Janeiro, 2008 0

Terapia e fantasia sexual

Todos sabemos que a fantasia erótica é um poderoso estimulante do desejo sexual e uma das componentes mais significativas da sexualidade do indivíduo.

«Dado que as fantasias são a consequência dos processos desenvolvimentais de causa-efeito, a tarefa do terapeuta é tirar o máximo de potencial erótico dessas fantasias, seja para aumentar o prazer dessa mulher, como para melhorar o relacionamento sexual», observa a psicóloga.

Mesmo para as pessoas que utilizam a fantasia e o erotismo como incremento da actividade e para se distanciar dos companheiros, este foco de atenção pode esbater a ansiedade sexual e levar a que a doente funcione.

«O desfocar a atenção da ansiedade é a mais valiosa função da fantasia na terapia sexual. O treino com fantasias é útil em indivíduos com grandes preocupações obsessivas, especialmente em áreas como agradar ao companheiro e na ansiedade de performance que interfere na construção do desejo da mulher», refere Lígia Fonseca.

As fantasias ainda podem ser usadas para modelar o comportamento erótico do doente, de modo a permitir maior intimidade ou ser uma constante no comportamento sexual.

«A capacidade de fantasiar para excitar e distrair pode, assim, ser explorada pela terapia sexual como estímulo para um parceiro que refere ausência de desejo pelo outro, como componente excitante partilhado ou como desencadeador de desejo de um dos parceiros, antes do início da actividade», sintetiza a especialista.

Masturbação,
um instrumento eficaz

A masturbação também pode ser um excelente instrumento terapêutico. Antes de aumentar a experiência sexual positiva recorrendo à auto-estimulação, devem ser exploradas as atitudes negativas relacio­nadas com a masturbação.

«A masturbação mútua pode ser prescrita aos casais que apresentam dificuldade em envolver-se sexualmente, mas pelo contrário manifestam uma boa resposta à auto-estimulação. O treino masturbatório ajuda os doentes a tornarem-se mais sensíveis a condições necessárias para uma experiência sexual positiva de desejo e confiança», recomenda Lígia Fonseca.

Já a estimulação física é um importante estimulante do desejo sexual, quer nas mulheres como nos homens. A pele é, em potencial, responsiva a vários estímulos e as zonas erógenas são particularmente excitantes.

«Existem várias tarefas terapêuticas em terapia sexual para melhorar a qualidade, a duração e a intensidade da estimulação erótica física, antes da relação sexual. Estas tarefas têm a ver com os focos sensoriais e são eles que dão ao casal a oportunidade de aprender a dar e a receber prazer e participar dessas sensações sem qualquer ansiedade», esclarece a nossa interlocutora.

Contudo, alguns cuidados são necessá­rios na sua prescrição: podem ser utilizados em situações particulares, nomeadamente em mulheres com desejo sexual hipoactivo, cujos parceiros são rápidos nos preliminares, permitindo a um casal desenvolver a sua técnica e aprender a dar prazer e tirar prazer das próprias carências.

«É sabido que as doentes com desejo sexual hipoactivo têm di­ficuldade em qualquer contacto sexual, sentem-se desconfortáveis em tocar e ser tocadas, porque sentem habitualmente neste contacto uma pressão para a relação sexual», adverte Lígia Fonseca.

O quadro clínico agrava-se consi­deravelmente se na história da paciente estiver englobada uma agressão ou se esta surgir isoladamente. Nesse caso, «será necessário trabalhar com a mulher exercícios de relaxamento, sugerir que se exponha gradualmente aos estímulos que provocam ansiedade para dessensibilização e posteriormente exercícios de toque sensorial acompanhados de relaxamento quando necessário», aconselha a psicóloga.

Quando a ansiedade se reduz e surge um sentimento de bem-estar, segurança e eventualmente excitação se­xual é altura de estender a estimulação às zonas genitais.

De um modo geral, os problemas rela­cionados com as disfunções sexuais femininas têm tratamentos específicos. Contudo, sabe-se que muitos desses pro­blemas seriam resolúveis mais facilmente se não existissem tantas crenças erróneas acerca da sexualidade e se a comunicação entre o casal não fosse, por vezes, pobre.

Todavia, «as mudanças relacionadas com a idade aumentam a vulnerabilidade do indivíduo para desenvolver uma disfunção sexual, precipitada por uma depressão, problemas conjugais, stress, fracasso ocasional de execução mantida por pensamentos acerca da performance sexual, mesmo quando os factores precipitantes não estão presentes».

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