Produtos tóxicos: Perigo à espreita
O perigo de uma intoxicação espreita sempre que produtos tóxicos são deixados ao alcance das crianças – medicamentos, detergentes, pesticidas, cosméticos. A curiosidade infantil faz o resto.
Pelo menos 30 crianças intoxicam-se diariamente em Portugal. Muitas mais haverá, mas este é o número de casos médios registado, dia-a-dia, pelo Centro de Informação Anti-Venenos (CIA V). Outros não recorrem a este aconselhamento telefónico, com a situação a resolver-se no local do acidente ou num serviço de saúde.
As estatísticas dão conta de uma elevada prevalência de acidentes com tóxicos nos primeiros quatro anos de vida – 65 por cento dos casos registados pelo CIA V em 2007.
Na maioria das vezes, ocorreram em casa e por via digestiva, com os medicamentos no topo dos produtos de risco.
Contudo, estes números poderiam baixar drasticamente com uma maior aposta na prevenção. Cuidados básicos a adoptar por todos, tanto mais que a casa – espaço de conforto por definição – parece ser o local mais perigoso para as crianças no que respeita aos tóxicos.
Assim acontece porque o risco não é devidamente medido. Mas existe sempre que se arrumam os detergentes em armários baixos, sem fechos à prova de criança; sempre que os perfumes e cosméticos são deixados na bancada da casa de banho; sempre que aqueles medicamentos que se tomam todos os dias são mantidos à mão na mesa-de-cabeceira.
O cenário multiplica-se provavelmente na maioria dos lares. Esquecendo que as crianças contornam facilmente a vigilância dos adultos e que, movidas pela curiosidade, num ápice abrem um armário ou uma gaveta, deitando mãos ao produto proibido: cheiram, tocam, provam. Tornandose potenciais vítimas de intoxicação, com o perigo a ser proporcional ao grau de toxicidade do produto e ao grau de contacto havido.
É quase sempre por via digestiva que a intoxicação acontece: medicamentos, bebidas alcoólicas, produtos de limpeza, perfumes são as fontes mais comuns de danos para a boca, garganta e estômago, provocando, nomeadamente, diarreia e queimaduras.
Entre os detergentes, há uns mais perigosos do que outros: os destinados às máquinas de lavar roupa e louça são mais agressivos do que os para a lavagem manual. Mais perigosos ainda, mas com menos registos de intoxicações, são os desengordurantes e os desentupidores de canos, capazes de causar queimaduras muito graves.
Mais frequentes em regiões rurais do que urbanas, os pesticidas, sobretudo os raticidas, são também responsáveis por acidentes por via digestiva.
O mesmo acontece com perfumes e cosméticos, ainda que com consequências menos nefastas.
A lixívia é um dos produtos mais nocivos, podendo ocorrer intoxicações por via digestiva ou cutânea.
Em ambas as situações, o resultado são queimaduras. Também as tintas são uma fonte de risco, sendo potencialmente tóxicas no contacto com a pele.
Duplo risco oferecem também algumas plantas, nomeadamente bagas e cogumelos, com a intoxicação a poder ocorrer por ingestão ou através do toque.
As vias respiratórias são igualmente vítimas dos produtos tóxicos, por aspiração de vapores ou gases – tintas, combustíveis e produtos de limpeza são, aqui, a origem mais frequente dos acidentes.

