Tuberculose: Há que permanecer atento
Outrora um pesadelo de Saúde Pública, a tuberculose, seguindo o mesmo trajecto das outras doenças infecciosas, tem vindo progressivamente a perder importância nos países desenvolvidos. E o mesmo acontece em Portugal. Porém, apesar dos indiscutíveis sucessos no combate à tuberculose, ainda não integramos a comunidade de países com baixa incidência da doença, estatuto que têm os restantes países da Europa ocidental.
Os cerca de 2500 casos que se verificam anualmente no nosso país ainda se constituem como um problema. Até porque há mais de sessenta doentes com a forma multirresistente, na qual o bacilo da tuberculose é resistente à maioria dos antibióticos que existem para a tratar.
A tuberculose multirresistente, pela sua perigosidade, é neste momento uma das maiores preocupações das autoridades da Saúde. Apesar de a tuberculose ser uma doença infecciosa para a qual há medicamentos curativos, ela continua a ser uma importante causa de mortalidade no mundo – origina a morte de uma pessoa em cada 25 segundos – sobretudo nos países mais pobres, com insuficientes estruturas de Saúde.
Transmitindo-se de pessoa a pessoa através da inalação de gotículas contendo bacilos, enviadas para o ar ambiente através da tosse de um indivíduo doente, a tuberculose é uma doença de transmissão fácil.
Estar atento aos sintomas e sinais que a caracterizam é fundamental, porque quanto mais precoce for o início do tratamento menos pessoas serão infectadas por aquele doente. Ao contrário da maioria das infecções, a tuberculose instala-se de modo insidioso ao longo de semanas, às vezes meses. O doente sente-se cansado, debilitado, perde o apetite e, lentamente, o peso. Pelo fim da tarde e nas primeiras horas da noite há febrícula que oscila entre os 37-38°C e durante a noite é habitual haver sudação. Estes sintomas, que no início podem passar despercebidos, traduzem a existência de uma infecção, mas não nos indicam qual.
Como a tuberculose pode atingir qualquer sector do organismo, os sintomas específicos da doença dependem do órgão atingido. Porém, na grande maioria dos casos é nos pulmões que a doença se vai desenrolar.
Por isso, são os sintomas respiratórios que, na maioria das vezes, revelam a doença. A tosse é o sintoma principal. Habitualmente persistente, acompanha-se de expectoração cuja cor é característica de infecção: amarela, verde ou acastanhada. Muitas vezes a tosse não é valorizada pelo doente, que a interpreta como consequência do tabagismo ou de uma vulgar constipação.
Uma tosse persistente deve em todos os casos ser investigada pelo médico! Menos frequente mas mais típico é o aparecimento de expectoração com sangue. A presença de sangue na expectoração – hemoptise – é habitualmente de pequena dimensão. Porém, há casos em que o volume de sangue eliminado é tal, que pode pôr em risco a vida do doente. A eliminação de sangue pelo aparelho respiratório, tal como a tosse persistente é um sintoma de alarme que deve, em todos os casos, levar o doente ao médico.
Outros sintomas são possíveis, como a dor tipo pontada (uma dor do tórax que aumenta com os movimentos respiratórios e com a tosse) ou mesmo a falta de ar. Porém, é a associação entre os chamados sintomas gerais sugerindo infecção (febrícula vespertina, suores nocturnos, cansaço, fatigabilidade, perda de apetite e emagrecimento), e os sintomas respiratórios (tosse persistente, expectoração infectada e hemoptise) que definem o quadro habitual da tuberculose pulmonar e ao qual há que se estar atento.
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