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Os diabéticos correm o risco de cegar » Diabetes no olhar

26 Agosto, 2007 0

Nascem com a função visual, conhecem o mundo através dos olhos, mas, porque um dia a rota da sua vida se cruzou com a diabetes, correm o risco de deixar de ver o mundo e o que ele ainda terá de novo para lhes mostrar. Caminho inevitável? Não, desde que se actue a tempo. Como? Principalmente com um controlo apertado, eficaz e sistemático dos níveis de glicemia.

A perda parcial ou total da visão é uma das consequências mais graves e conhecidas da diabetes mellitus. Se, atempadamente, nada for feito, à medida que os anos passam, a visão torna-se turva e diminuta.

Estes sintomas podem estar ligados a várias patologias da visão desencadeadas pela diabetes. Entre elas, estão as cataratas ou o glaucoma, mas as mais graves e frequentes são as alterações retinianas – a retinopatia diabética (RD) –, capaz de causar o deslocamento da retina, a hemorragia do vítreo e, em última instância, a cegueira.

E como surge a retinopatia diabética? A circulação sanguínea retiniana sofre transtornos nos doentes diabéticos. Por um lado, o fluxo sanguíneo é reduzido nos capilares retinianos, o que provoca um deficit no transporte de oxigénio e nutrientes para a retina. Por outro lado, a função de barreira desses mesmos vasos capilares é rompida. Assim, surgem hemorragias e acumulação de lípidos na mácula – o ponto central da retina. Surge, então, o edema macular, que é a causa mais frequente de perda severa da visão central nos diabéticos.

A diabetes afecta o globo ocular e as suas diferentes estruturas por diversos mecanismos, que são causados por um controlo inadequado dos níveis de glicemia no sangue.

«Este descontrolo metabólico vai dar origem ao aparecimento da microangiopatia diabética – lesão das estruturas vasculares microscópicas dos olhos que são responsáveis pela circulação retiniana e pelo seu bom funcionamento e desempenho», elucida o Dr. José Roque, oftalmologista responsável pela consulta de Diabetes Ocular do Hospital de Santo António dos Capuchos, em Lisboa.

A retinopatia diabética compromete seriamente a visão dos doentes.

Isto porque, segundo o mesmo oftalmologista, «afecta a retina que funciona no olho como o rolo da máquina fotográfica, ou seja, é nela que se vai estruturar e formar a informação visual que será transmitida ao cérebro através do nervo óptico».

É grave, mas tem solução

«Apesar de todos os esforços de saúde pública, a retinopatia diabética continua a constituir uma das principais, senão mesmo a principal, causa de cegueira nos países desenvolvidos», salienta José Roque.

Cerca de 25% dos diabéticos têm alguma forma de RD, sendo mesmo uma forma grave em 5% dos casos. Esta doença pode surgir tanto na diabetes tipo I como na tipo II.

A perda da visão nos diabéticos não tem de ser uma inevitabilidade. É possível evitar este mal maior, ao travar a evolução da retinopatia diabética para estádios mais avançados, actuando-se precocemente. O tratamento assenta, essencialmente, em dois pilares – a fotocoagulação com laser e a cirurgia.

«A fotocoagulação pelo laser consiste em aplicar um feixe de luz nas zonas da retina afectadas para, através de um efeito térmico, proceder à destruição das suas lesões, evitando assim a progressão da doença e o aparecimento de lesões mais severas», descreve José Roque.

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