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A azia é apenas um sintoma » Dispepsia, uma doença da má digestão

12 Janeiro, 2007 0

Dores de estômago, desconforto, náuseas e enfartamento são sintomas comuns a grande parte da população portuguesa. Se é frequente ter estas queixas, pro­vavelmente sofre de dispepsia. «A dispepsia é muito frequente na população ocidental. Nalguns estudos mostra-se que é a principal queixa que leva as pessoas ao médico», afirma o Dr. Miguel Raimundo, gastrenterologista no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Este é um fenómeno que não é re­cente, mas que ganha agora uma maior importância.

«Está realmente a aumentar o número de casos dispépticos e a frequência é muito elevada. Há estudos que mostram que cerca de 20 a 30% das pessoas, no período de três semanas, queixa-se de dispepsia. E que, ao longo da sua vida, apenas cerca de 20% das pessoas não é afectada por este problema», indica o especialista.

Ainda de acordo com dados fornecidos por Miguel Raimundo, 80% da população já teve dispepsia, o que torna as quei­xas muito frequentes e, por isso, muito re­levantes.

Todavia, muitas das pessoas que so­frem destes sintomas desconhecem que se trata de dispepsia, uma doença crónica tão comum e vulgar na nossa sociedade. Muitos chamam-lhe azia. Mas fazem-no erradamente. A azia é, apenas, um dos vários sintomas da dispepsia.

O que é a dispepsia?

O gastrenterologista esclarece o que é afinal esta doença:

«O termo é algo geral em termos de sintomas. Ou seja, dispepsia vem do grego, quer dizer má digestão e é uma síndrome que engloba vários tipos de quei­xas. As mais sugestivas são a chamada dor abdominal, a dor epigástrica – na zona que as pessoas referem como sendo a do estômago –, as náuseas e o abdómen distendido.»

Enfim, uma série de perturbações digestivas que originam a sensação de desconforto ou mal-estar no doente.

Mas estas são as sensações ditas «normais» num doente que sofra de dispepsia, podendo, no entanto, haver outra sintomatologia.

«Existem depois algumas manifestações atípicas, que são englobadas no termo dispepsia. Desde as pessoas que sentem saciedade precoce, que têm um enfartamento fácil, isto é, dizem que comem pouca quantidade e ficam logo enfartadas; até às pessoas que sentem ardor ou sensação de queimadura, ou seja, aquilo a que chamam azia», evidencia Miguel Raimundo.

Quem sofre de dispepsia pensa que é algo vulgar e, por isso, poucas vezes recorre ao médico. Daí a dificuldade no trabalho dos especialistas.

Conforme explica o gastrenterologista, «o problema da dispepsia é que nem sempre é fácil avaliar a sua frequência, porque as pessoas não vão ao médico e andam, muitas vezes durante anos, a automedi­car-se, por exemplo, com antiácidos, o que é perigoso».

De facto, os doentes acabam por atenuar as dores através do recurso a medicamentos, mas pioram a dispepsia.

«Com a automedicação vão muitas vezes esconder e agravar a situação clínica», alerta Miguel Raimundo, acrescentando que, «por detrás desta situação, está uma úlcera gástrica, uma úlcera duodenal, um tumor gástrico ou do esófago. Ou seja, como regra, as queixas dispépticas frequentes devem ser sempre avaliadas pelo médico».

Também a obesidade pode ser indutora dos sintomas da doença, factor decorrente desta alimentação deficiente que se pratica nas sociedades ocidentais.

«Muitas destas queixas, nomeadamente a dispepsia associada a refluxo, têm muito a ver com o excesso de peso. Quando as pessoas emagrecem muitas vezes as quei­xas dispépticas passam», explica Miguel Raimundo, que deixa o alerta para os malefícios de alguns dos vícios da nossa população:

«O exagero do café, do álcool e de alguns medicamentos, nomeadamente os anti-inflamatórios, são todos eles há­bi­tos que conduzem, com frequência, à dis­pepsia.»

Junta-se a esta panóplia de indutores da doença o tabaco e o sedentarismo da população.

«Actualmente, os dados apontam para que a esmagadora maioria das pessoas, durante a sua vida, tenha queixas dispépticas. E, provavelmente, um terço da população, no seu dia-a-dia, tem quei­xas dispépticas», números importantes deixados pelo nosso interlocutor, que sublinha, ainda, que esta é uma doença que atinge quase todas as idades, dos 20 aos 60 anos.

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