Dr. João Carlos Cunha: “Doentes de psoríase, não se automediquem!”
Sendo a psoríase uma doença com um impacto social muito elevado, e a propósito do Dia Mundial da Psoríase que se celebra a 29 de Outubro, o Director da Associação Portuguesa de Psoríase (PSOPortugal), Dr. João Carlos Cunha, explica-nos a importância do reconhecimento da doença como crónica e a sua divulgação junto da sociedade.
O que é a psoríase e quais os seus sintomas?
Doença crónica muito comum, afecta cerca de dois a três por cento da população. A prevalência aumenta com a idade.
O aparecimento de manifestações clínicas de psoríase requer a interacção entre uma predisposição genética para a doença e factores desencadeantes, com mecanismo de interacção ainda não completamente elucidado.
Caracteriza-se clinicamente, por manchas cutâneas de cor rosada, cobertas por escamas nacaradas, facilmente destacáveis. Podem ter tamanhos variáveis de um a dois centímetros, até manchas ou placas de vinte centímetros, ou mais.
Há sempre uma muito boa definição do contorno das lesões, com distinção nítida entre a pele sã e a pele lesada.
Cada lesão é isoladamente bastante característica, mas o espectro e variação das manifestações é muito amplo. No mesmo doente, a expressão sintomática pode variar largamente, ao longo do curso da doença.
Pode ocorrer com lesões circunscritas, ou envolver a generalidade do tegumento cutâneo; pode ter expressão clínica mínima ou ser doença incapacitante devido à extensão, ao envolvimento das palmas, plantas e unhas.
A psoríase pode atingir as articulações (7 a 30% dos doentes com psoríase).
“Os doentes de psoríase vivem os Verões com os braços e as pernas tapadas”
Qual o impacto social da doença na vida dos psoriáticos?
A grande maioria dos doentes de psoríase tem uma tendência para se isolar de forma a esconder o seu corpo dos outros, o que muita das vezes leva à depressão. Em relação aos homens são frequentes os casos de alcoolismo.
Os doentes de psoríase vivem os Verões com os braços e as pernas tapadas de forma a que a sua pele não os denuncie e a que não tenham de enfrentar o julgamento daqueles que com eles partilham o dia-a-dia.
Que conselhos podem fornecer aos leitores do Jornal do Centro de Saúde que sofrem desta doença?
O primeiro conselho é que os doentes de psoríase não se automediquem. Procurem o vosso médico após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença.
Não se esqueçam que a psoríase ainda não tem cura mas tem tratamento. É importante que uma doença com cerca de 250 mil pessoas tenha uma associação que as defenda e que faço algo para melhorar a sua qualidade de vida.
Para mais informação, consulte www.psoportugal.com
Jornal do Centro de Saúde
www.cscarnaxide.min-saude.pt/jornal/

