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AVC – Acidente Vascular Cerebral

9 Setembro, 2012 0

Em Portugal, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte. Em 2000, as doenças cardiovasculares representavam 39% dos óbitos, sendo que os cancros (a segunda causa mais frequente) constituem apenas 20% das causas.

No âmbito das doenças cardiovasculares, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é, em Portugal, a causa de morte mais frequente (ao contrário dos restantes países europeus).

Causas da ocorrência de um AVC

As causas da ocorrência de AVC resultam por um lado do desenvolvimento de placas de arterosclerose nas artérias carótidas, fundamentais para o fornecimento de sangue ao cérebro. A coexistência de doença das carótidas (com ou sem história de AVC conhecida) e doença coronária, é explicável por mecanismos idênticos.

Outras causas de AVC são a hipertensão arterial e também a presença de arritmias cardíacas (particularmente a fibrilhação auricular). A hipertensão arterial constitui um factor já conhecido para desenvolvimento de placas ateroscleróticas não só nas artérias coronárias do coração, mas também nas artérias carótidas, causando uma obstrução ao fluxo de sangue. Estas placas são habitualmente responsáveis pela ocorrência de fenómenos embólicos (libertação de placas mais pequenas para a circulação sistémica e podendo causar entupimentos mais distais) que explicam os AVC e em menor grau os Acidentes Isquémicos Transitórios (AIT) – idênticos aos AVC, embora com duração inferior a 24 horas, sem deixar sequelas e habitualmente com manifestações mais ligeiras.

Um outro mecanismo pelo qual a hipertensão arterial poderá causar AVC é resultante de hemorragias no cérebro (os chamados AVC hemorrágicos). Esta hipertensão pode contribuir para a formação de dilatações (aneurismas) nas artérias intra-cerebrais que podem romper ou poderá haver mesmo rotura da artéria sem necessidade de formação de aneurismas.

Arritmias Cardíacas

Relativamente às arritmias cardíacas, sabemos que a presença de uma arritmia designada por fibrilhação auricular (e menos frequentemente o flutter auricular), favorece a estase do sangue no interior das cavidades do coração chamadas aurículas, pela ausência de contracção auricular eficaz, e consequentemente facilitar a formação de coágulos que se podem posteriormente libertar e embolizar para qualquer localização periférica, uma das mais frequentes sendo o cérebro.

Também doentes com algumas doenças das válvulas do coração e do músculo do coração poderão ser mais propensos à formação destes coágulos, independentemente da presença da arritmia referida. Nestes doentes é mandatória a administração de medicação que torna o sangue mais líquido, prevenindo assim a formação destes coágulos e consequentemente prevenindo a ocorrência de AVC.

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Factores de Risco e Prevenção

É também importante não esquecer a identificação e tratamento de outros factores de risco para doença aterosclerótica, nomeadamente a diabetes e as perturbações das gorduras do sangue (designadas por hiperlipidémias). A sua identificação é muito fácil por análises sanguíneas de rotina e facilmente tratáveis. Também o tabagismo e estilos de vida sedentários contribuem para o desenvolvimento de doença ateroscleróticas.

Deste modo, a implementação de medidas dietéticas e a mudança para estilos de vida saudáveis, combatendo também o sedentarismo, permite-nos melhorar a maioria destes factores de risco e assim, prevenir a ocorrência de AVC.

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