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Doente Coronário

27 Julho, 2007 0

Preparámos uns conselhos que o vão ajudar a cuidar melhor do seu coração. Para isso, reunimos o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Prof. Manuel Carrageta, e o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Prof. Cassiano Abreu-Lima, e fomos descobrir o doente coronário e os cuidados que este deve ter.

O doente coronário pode ser alguém que já teve, ou não, um enfarte do miocárdio ou que pode apresentar queixas de angina de peito – dores no peito associadas ao esforço. Porém, e o mais preocupante, é que a maioria das pessoas não tem uma patologia diagnosticada, mas apresenta um risco cardiovascular muito elevado.

«São pessoas que têm no seu historial factores de risco. Podem ser hipertensas, ter o colesterol elevado, serem fumadoras ou diabéticas. Nestas pessoas, se o risco global for muito alto, deve partir-se do princípio que têm doença coronária», refere Manuel Carrageta.

Muitos indivíduos tendem a negar a doença – ouvem, mas não acreditam. Não levam a sério e negam psicologicamente a patologia.

«É uma negação da realidade. Quando a realidade é desagradável, o doente, sobretudo do sexo masculino, defende-se desta forma, isto é, negando-a. Porém, outras pessoas reagem de outra forma. Aceitam o problema, mas ficam com medo e com desânimo, o que também é negativo.»

O Dia do Doente Coronário é uma medida para encorajar estes doentes a enfrentarem o seu problema, para além de alertar toda a população, no sentido da prevenção, identificando sintomas e factores de risco da doença coronária.

Estilo de vida saudável é a melhor prevenção

A primeira noção que se deve ter é a de que quem tem problemas de coração apresenta um risco de morte imprevisível. De acordo com o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, «é imprevisível porque a pessoa pode ser assintomática», isto é, não apresentar qualquer tipo de sintomas físicos e, de repente, «sofre um ataque cardíaco».

Este ataque cardíaco, em mais de 30% dos indivíduos, é fatal. «Por norma têm uma paragem cardíaca que é prolongada, mais de seis minutos, lesando irreversivelmente o cérebro.»

É com estes dados factuais que Manuel Carrageta alerta para a prevenção como a melhor solução.

«Faz todo o sentido prevenirmos este tipo de acidentes que podem ser comparados com um terramoto interno que origina uma devastação que pode levar à morte do indivíduo e a grande incapacidade».
A grande prevenção das doenças cardiovasculares faz-se através da adopção de um estilo de vida saudável.

De acordo com o Prof. Manuel Carrageta «pode-se tirar prazer de uma alimentação saudável» e neste sentido, o doente deve ter uma alimentação com pouca gordura animal, rica em vegetais e fruta, ingerir lacticínios magros, peixe e carnes magras, como as aves. A gordura escolhida deve ser o azeite e em termos de bebidas deve optar pela água e pelo vinho tinto em poucas quantidades.

Para além desta dieta saudável, recomenda-se uma actividade física regular. «É importante que estes doentes andem a pé, de preferência em passo rápido, 30 minutos por dia. Aqui excluem-se as actividades que sejam mais violentas. O grande erro, por exemplo, são aquelas pessoas que estão paradas durante a semana e ao fim-de-semana fazem grandes esforços. O exercício físico praticado de forma regular protege, mas quando praticado de tempos a tempos, sobretudo se muito intenso, é prejudicial», salienta o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Hoje em dia, com os progressos da Cardiologia moderna, a maioria dos doentes coronários sobrevive ao episódio de doença aguda, mas fica a sofrer de uma doença crónica que, ao longo dos anos, vai tendo recidivas. «Pode acontecer que ocorra um novo enfarte do miocárdio ou uma dor anginosa, mas é possível mantê-los vivos e com uma vida normal», sublinha Manuel Carrageta.

Ainda assim, na população portuguesa, as doenças cardiovasculares, no seu conjunto, representam a grande fatia das causas de morte. O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cassiano Abreu-Lima, é também da opinião que para se reverter este cenário é fundamental a adopção de um estilo de vida de saudável e a correcção de algumas coisas que a sociedade impôs sob formas diversas. Cassiano Abreu-Lima dá-nos um exemplo:

«Numa determinada fase do desenvolvimento urbano, os trabalhadores encontravam-se relativamente próximos dos locais de trabalho, podendo deslocar-se a pé ou de bicicleta. Porém, e à medida que a cidade cresce, as fábricas são empurradas para a periferia e o operário passa a necessitar de um meio de transporte público para se deslocar para o local de trabalho, diminuindo, assim, a sua actividade física diária», e acrescenta:

«São consequências da chamada civilização. Na verdade, há todo um conjunto de factores de natureza cultural, económica e social que favorecem a adopção de hábitos e comportamentos pouco saudáveis e dificultam muito a respectiva correcção.»

É difícil, mas é preciso mudar e, por isso, o presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia afirma que «grande parte do tempo nas consultas é preenchido a repetir, aos meus doentes, as mesmas coisas que eles ouviram na primeira consulta. Pergunto-lhes se já estão a fazer exercício físico, faço uma festa cada vez que eles perdem algum peso e reforço sempre o sermão de uma vida saudável».

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