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Doente Coronário

27 Julho, 2007 0

Factores de risco

A insistência dos médicos com os seus doentes prende-se, sobretudo, pelos perigos que estes últimos correm principalmente quando reúnem um ou mais factores de risco.

A doença coronária é uma doença multifactorial, dependendo de vários factores, nomeadamente, da natureza do próprio indivíduo – natureza genética – que «favorece o desenvolvimento da patologia face à interacção de factores de outro tipo, como estilos de vida e hábitos. A história familiar é um factor que pesa principalmente quando a doença é precoce», sublinha Cassiano Abreu-Lima.

E, para além da história familiar, é importante considerar outros factores como o tabaco, a obesidade abdominal e a diabetes. O tabaco, por exemplo, é um dos grandes factores de risco para o doente coronário. «Uma pessoa que fuma é uma pessoa que perde, em média, 10 anos de vida. Pior que isso, é o envelhecimento das artérias no fumador.

Do ponto de vista biológico, o fumador é oito anos mais velho que um individuo não fumador da mesma idade. Mas também é preciso explicar que do mesmo modo que é possível envelhecer prematuramente pelo hábito de fumar, também é possível rejuvenescer pela adopção de um estilo de vida saudável, como deixar de fumar», afirma Manuel Carrageta.

O peso corporal também é relevante, principalmente se existir obesidade abdominal. Vários estudos demonstram que células gordas acumuladas na região abdominal levam a um aumento do risco de doença cardiovascular e a alterações metabólicas, como a diabetes.

Deste modo, não é o peso corporal por si só, mas o perímetro da cintura que melhor caracteriza o risco vascular aterosclerótico. Recentemente, a Federação Internacional da Diabetes sugeriu para medida limite da circunferência da cintura os valores de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres.

Estes critérios devem ser considerados na determinação da síndrome metabólica se associados a dois ou mais factores como resistência à insulina, pressão arterial elevada, triglicéridos elevados e colesterol elevado e/ou fracção do colesterol bom – a que se chama colesterol das HDL – baixo.

Doentes com síndrome metabólica têm duas a três vezes mais risco de doença cardiovascular, em comparação com os que não têm. Por outro lado, a síndrome metabólica também aumenta, em cinco vezes, o risco da diabetes.

Curiosamente, a diabetes tipo 2, que aparece com mais frequência nos adultos e que está em grande medida relacionada com o estilo de vida, constitui também um importante factor de risco para a doença cardiovascular. Cassiano Abreu-Lima salienta que «a mortalidade cardiovascular na população em geral anda à volta dos 39%, mas nos diabéticos atinge os 80%».

Dados epidemiológicos

No nosso País há poucos dados epidemiológicos acerca das doenças cardiovasculares, como sejam a prevalência (proporção de elemento da população que delas sofrem) e a incidência (número de novos casos anuais).

Dispomos, todavia, de dados em relação à mortalidade. Neste aspecto, podemos dizer que, a partir dos anos 70, houve uma subida muito grande e muito rápida da mortalidade cardiovascular relacionada com a melhoria da situação económica e social do país, subida essa que atingiu o seu máximo em 1990 para diminuir, lentamente, a partir daí.

«Neste período assistiu-se à consolidação daquilo a que se chama “retrocesso das pandemias” – pelo desenvolvimento de condições económicas e sociais um pouco melhores do que em décadas anteriores, pela implementação de algumas medidas generalizadas de saúde pública e por um mais fácil acesso da população aos médicos e aos tratamentos – assistiu-se a um disparo das doenças cardiovasculares.

No quadro das alterações da morbilidade e da mortalidade que decorrem do desenvolvimento económico e social (a que se chama transição epidemiológica) entrámos então na sua fase III (a anterior – retrocesso das pandemias – é a II): a das doenças degenerativas e antropogénicas», salienta Cassiano Abreu-Lima, acrescentando:

«Depois de 1990, como já disse, a mortalidade cardiovascular começou a descer graças aos avanços na terapêutica, que permitem que mais pessoas sobrevivam aos eventos cardiovasculares agudos. Porém, e se por um lado prolonga-se a vida, por outro, proporciona-se um terreno mais fácil para outras doenças como a insuficiência cardíaca, que se torna hoje quase numa epidemia do mundo moderno.»

«Progressos no Tratamento da Hipertensão Arterial»

Vai realizar-se, no próximo dia 14 de Fevereiro, o workshop «Progressos no tratamento da hipertensão arterial», no Hotel Tivoli Tejo, fruto de uma iniciativa da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e do Instituto Becel.

De acordo com o Prof. Manuel Carrageta, presidente da FPC, «conseguimos juntar a Fundação, a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e o Instituto Becel num iniciativa que faz todo o sentido pois o controlo da hipertensão é uma preocupação que é transversal a estas organizações.

A questão da alimentação, e como esta pode ajudar a controlar a hipertensão ligeira com todos os benefícios daí decorrentes, nomeadamente através dos alimentos péptidos lácteos e a sua recente evolução, será o assunto principal a ser abordado».

Já a Dr.ª Helena Cid, do Instituto Becel, sustenta que «os números são assustadores. Quatro em cada dez portugueses são hipertensos. É importante perceber que a alimentação pode ter um papel preponderante na prevenção do controlo da hipertensão, bem como noutros factores de risco das doenças cardiovasculares.

Aproveitando o Dia do Doente Coronário, estas três entidades juntaram-se para organizar um workshop focando os vários riscos envolvidos na hipertensão, bem como o papel da prática de uma alimentação saudável».protectora e caracteriza-se pela concentração de gordura nas coxas e nádegas. A anca é mais larga e o tronco mais estreito.

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