Bom e Mau Colesterol
O (mau) colesterol é um dos grandes assassinos dos portugueses. O grande problema é que os hipercolesterolémicos vivem na ignorância e nem se apercebem que estão em risco de virem a sofrer um ataque cardíaco ou AVC.
Colesterol, em excesso, mata! Apesar de a frase ser amplamente repetida, continua a ser ignorada por muitas pessoas, que insistem a olhara para o colesterol como um mal menor. Mas, a causa destas mortes, as doenças cardiovasculares (DCV), cuja responsabilidade atribuímos ao colesterol serão de facto um flagelo moderno, uma fatalidade, uma calamidade invencível, ou antes o resultado do nosso estilo de vida? São, sem dúvida, o resultado do nosso estilo de vida, na medida em que somos nós que, muitas vezes, criamos as nossas doenças, nomeadamente a doença coronária, a mais expandida e mais devastadora, o flagelo da sociedade moderna, rica e demasiado bem alimentada porque, nas regiões onde as condições de vida, nomeadamente o regime alimentar, não se modificou desde há séculos, as DCV são praticamente inexistentes. Somos o que comemos Então parece ser evidente a relação causa / efeito, entre a alimentação não natural e as doenças cardiovasculares, sendo possível prevenir, melhorar e até curar estas doenças, conhecendo o seu mecanismo e adoptando uma correcta higiene de vida com uma alimentação diferente. Também a aterosclerose, “doença da civilização”, está estreitamente ligada ao modo de vida e poderá ser prevenida ou até curada pela transformação dos hábitos alimentares. Poder-se-á, então, limitar os riscos da aterosclerose? Naturalmente que sim, combatendo os seus factores de risco modificáveis. E quatro dos maiores: o colesterol, a hipertensão arterial, a obesidade e a diabetes podem responder a uma modificação alimentar.
Colesterol essencial à vida Mas sem colesterol não há vida, pois ele é necessário para a formação das membranas celulares, das hormonas sexuais, dos corticosteroides, dos ácidos biliares, não sendo destruído pelo organismo, mas sim reciclado ou eliminado pelas fezes. Um adulto saudável tem necessidade de 1,5 gr/dia de colesterol, que poderá conseguir em duas fontes: a endógena, hepática, que corresponde a 2/3 das necessidades e a exógena, alimentar, que cobre a restante terça parte. A quantidade de colesterol depende, principalmente, do funcionamento do fígado e da natureza da alimentação. De referir, contudo, que os indivíduos com mais de 55 anos têm, nos EUA, aproximadamente 234mg/dl de CT enquanto que, na África, apresentam 122, chamando a atenção para a possível interferência de factores hereditários. As dietas “anti-colesterol” O que pensar então da eficácia das dietas ditas “anti-colesterol”, sem produtos gordurosos, ou seja sem manteiga nem gorduras animais? Se compararmos alguns países do mundo verificamos que em França, onde se utilizam muito estes produtos, a taxa de doenças cardiovasculares é bastante mais baixa do que nos EUA onde, há 35 anos, se faz guerra a esses alimentos (paradoxo francês, talvez justificado pelo consumo de azeite e vinho tinto característicos da dieta mediterrânica). Além disso, quando os negros emigram para a Europa ou EUA (adaptando-se aos hábitos do país de adopção) passam a ter uma taxa de colesterol e de doença cardíaca igual à da população de acolhimento o que mostra que, fora das suas condições de vida, a alimentação é preponderante. Nos povos mediterrânicos, nomeadamente em Creta, onde se consome azeite e beldroegas, há menos doenças cardiovasculares, sem, contudo, existirem taxas de colesterol particularmente baixas, talvez por estes alimentos terem uma função de protecção contra os inconvenientes de outros, mostrando que a alimentação pode ter uma função essencial no desenvolvimento dos depósitos ateromatosos das doenças cardíacas. Então, porque motivo nos devemos privar dum alimento saudável, com a condição de o ingerir em quantidade razoável e utilizar produtos de fabrico industrial, cuja composição ignoramos totalmente? Uma interrogação pertinente, mas cuja resposta depende de cada um.

