Bom e Mau Colesterol
Modifique o seu estilo de vida Se sem colesterol a vida humana não é possível, devemos combater, sim, o “mau colesterol”, mas talvez possamos ter um maior benefício se envidarmos esforços no sentido de fazer subir o “ bom colesterol”, se porventura ele estiver tão baixo que não permita uma protecção vascular. Para isso, temos que modificar o nosso estilo de vida no sentido duma alimentação pobre em gorduras animais e fritos e, se necessário, tratamento medicamentoso, para descer o “mau colesterol”. Parar de fumar, praticar actividade física, que poderá ser traduzida em 30 minutos de caminhada diária, a um ritmo que nos torne ofegantes mas capazes de conversar com um companheiro ou atender o telemóvel, e ainda privilegiar o consumo de peixe e/ou medicamentos com ácidos gordos Ómega-3, para fazer subir o ”bom colesterol”, e reduzir, também, os triglicerídeos, outra gordura do sangue, igualmente perniciosa, são medidas cruciais. Ignorância é grande inimiga Mas, em nosso entender, e isto já é do conhecimento dos media, o grande mal é que os “hipercolesterolémicos portugueses vivem na ignorância” pois os doentes com colesterol elevado não entendem as consequências da sua condição nem se apercebem que estão em risco de virem a sofrer um ataque cardíaco ou AVC. Os portugueses constam entre os piores informados no que respeita à patologia cardiovascular. De facto, como temos referido várias vezes, um dos maiores factores de risco das doenças cardiovasculares é a ignorância das populações. E é esta a tecla em que, insistentemente, teremos que continuar a bater para que, melhor informadas, as populações possam fazer subir “o bom colesterol”, e reduzir o seu “mau colesterol”, mas tendo sempre em mente a outra verdade em que insistimos: Sem colesterol não há vida! Prof. Polybio Serra e Silva Presidente do Conselho Geral da Fundação Portuguesa de Cardiologia Temos que modificar o nosso estilo de vida no sentido duma alimentação pobre em gorduras animais e fritos e, se necessário, tratamento medicamentoso, para descer o “mau colesterol”.
Colesterol, em excesso, mata! Apesar de a frase ser amplamente repetida, continua a ser ignorada por muitas pessoas, que insistem a olhara para o colesterol como um mal menor.
Mas, a causa destas mortes, as doenças cardiovasculares (DCV), cuja responsabilidade atribuímos ao colesterol serão de facto um flagelo moderno, uma fatalidade, uma calamidade invencível, ou antes o resultado do nosso estilo de vida?
São, sem dúvida, o resultado do nosso estilo de vida, na medida em que somos nós que, muitas vezes, criamos as nossas doenças, nomeadamente a doença coronária, a mais expandida e mais devastadora, o flagelo da sociedade moderna, rica e demasiado bem alimentada porque, nas regiões onde as condições de vida, nomeadamente o regime alimentar, não se modificou desde há séculos, as DCV são praticamente inexistentes.
Somos o que comemos
Então parece ser evidente a relação causa / efeito, entre a alimentação não natural e as doenças cardiovasculares, sendo possível prevenir, melhorar e até curar estas doenças, conhecendo o seu mecanismo e adoptando uma correcta higiene de vida com uma alimentação diferente.
Também a aterosclerose, “doença da civilização”, está estreitamente ligada ao modo de vida e poderá ser prevenida ou até curada pela transformação dos hábitos alimentares.
Poder-se-á, então, limitar os riscos da aterosclerose? Naturalmente que sim, combatendo os seus factores de risco modificáveis. E quatro dos maiores: o colesterol, a hipertensão arterial, a obesidade e a diabetes podem responder a uma modificação alimentar.

