A vacina contra o sarampo suavizou a sabedoria popular, que segundo o provérbio dizia ” Sarampo, sarampelo, sete vezes vem ao pêlo”
O sarampo foi absolutamente fatal para muitas – demasiadas – vidas. A vacina ajudou a conter a expansão desta doença altamente contagiosa, mas não impede que continue a existir.
Causada por um vírus facilmente propagado pelas secreções nasais ou bocais, a infecção respiratória estende os seus efeitos aos olhos e à pele.
Aliás, é precisamente na pele que se declaram os sintomas mais visíveis – as manchas avermelhadas. O percurso descendente é uma característica, por isso surgem primeiro na cabeça até chegarem aos pés num processo que dura cerca de três dias.
Paralelamente às manchas, a febre elevada, tosse, irritação da garganta, secreções nasais e dores musculares compõem os sintomas apresentados.
Na boca, surgem pequenos pontos irregulares com um centro esbranquiçado – são as manchas de Koplik, que geralmente precedem as erupções cutâneas. Nos olhos, a inflamação e a vermelhidão típicas da conjuntivite, a que se associa uma particular sensibilidade à luz – daí que, no tempo em que o sarampo era generalizado, as crianças eram mantidas num ambiente escuro e as entradas de luz cobertas com panos vermelhos.
O vírus do sarampo possui um período de incubação de aproximadamente 10 dias, com variação que pode ir dos 7 aos 18 dias, após o contágio, com a doença a prolongar-se entre 4 a 7 dias. O período de maior contágio ocorre 2 a 4 dias antes das erupções cutâneas e perdura até 2 a 5 dias após o aparecimento das mesmas. É então que a simples presença de um doente
pode significar o contágio de todos os que com ele contactem, havendo 90 por cento de probabilidades de isso acontecer se não tiverem sido vacinados.
Água e descanso
O sarampo é de origem viral e não bacteriana, pelo que os antibióticos não são eficazes. Na falta de um tratamento específico, restam acções para aliviar os sintomas. Se a febre for muito elevada, por exemplo, pode recorrer-se a antipiréticos à base de paracetamol (não esquecendo que a aspirina é contra-indicada nas crianças) e deverá prevenir-se a desidratação, fazendo a criança ingerir líquidos em abundância. Água, chá ou sumos de fruta são, também, úteis para tornar as secreções mais fluidas permitindo que a sua expulsão seja facilitada. Este é igualmente um benefício que se colhe com as vaporizações, recomendadas para aliviar a tosse.
Depois, o repouso dos “guerreiros” é determinante e pode até ser valorizador, se aproveitado para ler ou entreter.
Do ponto de vista clínico, o sarampo é mais grave nos adultos ou quando contraído na adolescência, do que nas crianças, sendo que nestas, as formas mais graves da doenças estão associadas à má nutrição. Assim, o sarampo é uma doença benigna, mas que pode evoluir para situações mais graves, ainda que raras, como a pneumonia (uma infecção pulmonar) ou a encefalite (infecção do cérebro), ambas causadas pelo próprio vírus. Com mais frequência, o sarampo pode evoluir para infecções como a otite ou a laringite, causadas por bactérias que se aproveitam do estado de fragilidade da criança, sobretudo quando, ao mesmo tempo, se colocam problemas de nutrição, tal como referido anteriormente.
De todas as consequências do sarampo, a mais grave – geralmente fatal, mas muito rara – é a panencefalite esclerosante subaguda, que se declara meses ou anos depois da doença, afectando o sistema nervoso. O que acontece é que o vírus do sarampo fica como que adormecido no cérebro, sendo reactivado porfactores ainda não identificados.
VASPR , a vacina
O sarampo previne-se, mas apenas através da vacinação. O respectivo plano nacional inclui a chamada vacina tríplice (VASPR), que também proporciona imunização contra a papeira e a rubéola. É dada em duas doses, a primeira aos 15 meses e a segunda pelos cinco, seis anos. A vacina é bem tolerada, mas duas a três semanas após a sua administração podem declarar-se alguns efeitos secundários, designadamente febre de curta duração e uma ligeira erupção na pele.
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