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Sol: Pequenos mas protegidos

É assim que devem estar os bebés e as crianças quando expostos aos raios solares: protegidos ao máximo. Para aproveitarem o melhor do bom tempo e das férias sem os riscos associados ao sol.

Quando se trata da exposição solar, todos – não importa a idade – devemos estar protegidos. Mas os mais pequenos carecem de protecção reforçada, sobretudo porque a sua pele é ainda imatura, possuindo poucas defesas contra raios que – está provado – podem ser muito perigosos para a saúde.

O sol é necessário e até faz bem – é a nossa fonte principal de vitamina D, que ajuda a absorver o cálcio, logo, a formar ossos fortes e saudáveis. Mas não é preciso estar muito tempo ao sol para dele retirar o máximo benefício.

Tudo o mais pode ser excessivo e até nocivo se a exposição não se rodear dos devidos cuidados. E é na infância e juventude que se concentra a maior parte da exposição solar, o que significa que é nesta altura da vida que é fundamental apostar na prevenção. Tanto mais que a pele tem memória, com os erros a acumularem-se ao longo dos anos e as consequências a surgirem mais tarde, mas cada vez mais precocemente.

Dado o risco, quando se trata de expor crianças ao sol – a exposição de bebés com menos de seis meses é desaconselhada – a ordem é para proteger, proteger, proteger. E porque a informação é uma ferramenta essencial na prevenção eis respostas para algumas das questões mais comuns associadas à protecção solar na infância:

• Porque é que a pele dos bebés e das crianças é mais vulnerável à radiação ultravioleta?

A pele constitui uma barreira natural contra as agressões do meio ambiente, mas nos bebés e nas crianças ainda não está plenamente desenvolvida, pelo que é mais frágil.

Uma fragilidade que decorre do facto de ser menos espessa e de as suas células serem menos coesas, o que facilita a passagem da radiação solar. Por outro lado, as glândulas sudoríparas ainda não funcionam a 100%, pelo que o suor produzido pela pele infantil é insuficiente para arrefecer o corpo.

Também as glândulas sebáceas (responsáveis pela produção de gordura) são imaturas. Além disso, é uma pele com menos melanina, substância que constitui a primeira linha de defesa contra o sol.

• Porque é que as crianças de cabelos e olhos claros são mais sensíveis?

Estas crianças são mais sensíveis porque possuem menos me lanina do que as de cabelos e olhos escuros. Perante a radiação solar, os melanócitos (células que se encontram na parte mais profunda da epiderme, a camada mais superficial da pele) começam a produzir a melanina, uma substância de cor acastanhada que sobe lentamente até à superfície. Um processo que leva entre 48 a 72 horas após a primeira exposição solar e que se mantém enquanto durar a radiação.

No fundo, a produção de melanina é uma resposta à exposição solar, agindo como um mecanismo natural de defesa. Porém, existe em diferentes concentrações e tonalidades, resultando em diferentes tons de pele. Quanto mais clara é a pele, menos melanina possui e menos protegida está. Quanto mais escura, mais é a capacidade de absorção dos raios. No entanto, todas as peles necessitam de protecção solar, mesmo as mais escuras.

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• Que outros factores de risco existem?

A exposição solar desprotegida é também mais arriscada para as crianças com muitos sinais cutâneos e para as que possuem antecedentes familiares de cancro da pele, nomeadamente de melanoma (o mais perigoso).

• Os raios solares são todos iguais?

Quando se fala em exposição solar, fala-se sobretudo na radiação ultravioleta, constituída por raios invisíveis que, quando atingem a pele, são passíveis de causar danos. São três os tipos de ultravioleta: A, B e C. Os A passam facilmente através da camada de ozono, constituindo a maior parte da radiação que recebemos. São eles que bronzeiam, mas também que causam o envelhecimento precoce da pele e contribuem para o cancro cutâneo.

Quanto aos B, boa parte é absorvida pela camada de ozono, mas os que alcançam a superfície terrestre são suficientes para causar queimaduras, cataratas e cancro. Já os C, são os mais perigosos mas são bloqueados pelo escudo protector da terra.

• Quando é que a radiação é mais perigosa?

Os ultravioleta A e B são mais perigosos quando incidem a pique sobre a superfície terrestre, o que corresponde ao período entre as 11 e as 16 horas.

Neste intervalo, bebés e crianças não devem ser expostas ao sol. O protector solar deve ser sempre aplicado nas crianças, mesmo que seja apenas para brincarem no quintal ou no jardim. Este cuidado deve ser mantido inclusive em dias nublados, pois os raios atravessam as nuvens – é o chamado sol invisível, tão perigoso para a pele quando como brilha.

• Como se devem proteger as crianças da exposição solar?

O melhor amigo da pele, em qualquer idade, é o protector solar. Que, nos dias de calor, deve ser aplicado em abundância, ainda antes de sair de casa.

E depois renovado a cada duas horas ou a intervalos menores, se a criança for ao banho ou transpirar muito. Todas as zonas expostas devem ser generosamente protegidas, com especial atenção para as orelhas, ombros e pescoço e a região atrás dos joelhos. Mãos e pés também devem ser protegidos e nos lábios deve aplicar-se um batom próprio. Na pele adjacente ao fato de banho deve igualmente espalhar-se protector, pois as brincadeiras fazem deslizar o tecido.

• Que protector escolher?

É fundamental escolher um produto específico para crianças com um factor de protecção igual ou superior a 30. E que seja hipoalergénico (sem parabenos e sem perfume), que proteja contra os raios UVA e UVB e seja resistente à água (nenhum é completamente à prova de água, pelo que, após o banho, o protector deve ser renovado).

Também é aconselhável escolher um protector com ecrã mineral, à base de dióxido de titânio ou óxido de zinco.

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• Além do protector, que outros cuidados se devem ter?

É importante manter as crianças à sombra nas horas em que a radiação é mais intensa (ainda que a sombra não seja totalmente segura, pois os raios atravessam os toldos e chapéus de sol, reflectindo-se na areia e noutras superfícies). As crianças devem ainda usar vestuário com malha apertada (deixa passar menos radiação), já existindo peças com protecção UV. Devem ainda usar chapéu (de preferência, com abas, de modo a projectar sombra sobre zonas tão sensíveis como as orelhas, a nuca, o nariz e os olhos).

É também aconselhável que usem óculos de sol, com protecção UV igual ou superior a 99%. A protecção passa ainda pela ingestão regular de líquidos, de modo a prevenir a desidratação.

• O que fazer se a criança apanhar um “escaldão”?

Geralmente, as queimaduras solares não se denunciam de imediato, com os sintomas – sensação de calor e dor, arrepios e comichão – a surgirem mais ao fim do dia, já após a exposição solar.

O que há a fazer é dar um banho de água tépida (não fria) para arrefecer a pele ou, em alternativa, aplicar compressas frescas, de modo a aliviar o calor e a dor.

Depois, há que aplicar um produto específico (sob a forma de gel ou loção). Se a criança tiver febre, pode aliviar-se com um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno, mas não aspirina). E, claro, deve manter-se longe do sol até que a pele recupere.

Estes são cuidados básicos mas essenciais quando se trata de proteger as crianças da exposição solar. Mas precisamente porque estamos a falar de crianças nem sempre é fácil conquistá-las para esta causa: quando estão na brincadeira, facilmente resistem à aplicação do protector e se esquecem do chapéu… Há que insistir e dar o exemplo: quando os adultos também se protegem têm mais credibilidade junto dos mais pequenos.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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