Se detectados no início, 90% dos cancros da mama podem ser curados » Vencer esse medo de descobrir o cancro
Acabar com a vida do cancro, antes que ele…
«Quando me disseram que tinha de ser operada, parece que vi tudo a desabar sobre mim. Mas, depois da cirurgia, encarei tudo muito bem e pensei positivo», compartilha Natália Henriques. Esta mulher fez uma mastectomia radical e teve de retirar o peito direito por completo.
Segundo o presidente da SPS, existem quatro principais respostas terapêuticas ao cancro da mama: a cirurgia, a quimioterapia, a hormonoterapia e a radioterapia.
A cirurgia é o mais antigo e eficaz método de tratamento. Existe a mastectomia radical, através da qual se retira a totalidade da glândula, e a mastectomia parcial, também chamada de tumorectomia, em que se elimina o tumor sem ferir o que está à volta, conservando-se a maior parte da glândula.
«A cirurgia teve um avanço considerável nos últimos anos e desenvolveram-se estratégias não só para tirar apenas o tumor com um tecido de segurança à volta, mas também que permitem a reconstrução pós-cirúrgica – a cirurgia oncoplástica –, que procura devolver à mulher uma imagem que a satisfaça através da reconstituição mamária», constata Jorge Soares.
Muitas mulheres não recorrem ao implante mamário, pois têm receio que o seu organismo rejeite a prótese.
«No fundo, eu gostaria de fazer uma reconstrução plástica do peito», confessa Natália, continuando: «Até cheguei a marcar uma cirurgia plástica, fui chamada, mas não compareci porque tive medo de arranjar mais complicações.»
Natália venceu um cancro, mas sabe que tem de continuar em alerta: «Continuo a fazer autopalpação e uma mamografia por ano. Nunca mais detectei nenhum tumor no peito.»
E este é o balanço de uma vida marcada pela vitória sobre o cancro da mama: «Hoje em dia, sinto-me um pouco limitada – canso-me facilmente, tenho tendinites e perdi força no braço direito», desabafa Natália Henriques. Mas o encontro com o cancro não a fez mudar de vida: «Continuo com força de vontade e a fazer as minhas tarefas em casa.» E com este episódio ainda descobriu um talento: «Depois do cancro, comecei a pintar. Agora, pinto para mim!»
Números do cancro
da mama
– É a doença tumoral mais comum nas mulheres, mas também afecta os homens;
– Estima-se que uma em cada 10 mulheres irá ter este cancro ao longo da vida;
– É a principal causa de morte das mulheres entre os 35 e os 65 anos;
– Representa cerca de 24% dos casos de cancro;
– Morrem por dia cinco mulheres com cancro da mama em todo o mundo;
– Só na Europa, surgem meio milhão de novos casos por ano;
– Em Portugal, surgem anualmente entre 4000 a 4500 novos casos;
– Morrem por dia quatro portuguesas com cancro da mama.
«A união faz a força»
Sob o lema «Ame e viva a vida», foi criado, no passado mês de Outubro, o Grupo de Apoio às Mulheres Mastectomizadas. Para já, dele fazem parte cerca de 300 mulheres cujo caminho se cruzou com o cancro da mama. Com sede no Hospital do Desterro, em Lisboa, este grupo é coordenado por uma mulher – Liliana Barguez – que sobreviveu a um cancro da mama.
Actualmente, entre 60 a 70% das portuguesas diagnosticadas com esta doença são tratadas através da mastectomia radical (remoção de todo o peito afectado), o que pode causar problemas psicológicos decorrentes da alteração da imagem física.
Porque ultrapassar um cancro da mama não passa apenas pela detecção precoce e pelos tratamentos, mas também por acompanhar o doente e respectiva família a nível emocional, mental e social, este grupo pretende «criar uma atmosfera de confiança e partilha, na qual as mulheres possam discutir as suas mudanças, de modo a interajudarem-se psicologicamente».

