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Rivais entre iguais

1 Junho, 2009 0

Aqui os restantes familiares e amigos também têm um papel. É natural que nos primeiros tempos as atenções se centrem no bebé e que as visitas após o regresso a casa sejam acompanhadas de prendas. Há um gesto simples mas valioso para prevenir ciúmes e tristezas: levar também uma lembrança para o irmão mais velho.

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Conflitos à medida da idade

A rivalidade entre irmãos começa, de facto, ainda antes do nascimento de um segundo filho. E mantém-se ao longo da infância e da adolescência, assumindo contornos diferentes em função das idades.

Entre irmãos e irmãs há sempre algum grau de ciúme, inveja e competição, mas aquilo por que lutam vai sendo influenciado por diversos factores. A começar pelas necessidades de cada um. É natural que interfiram no modo com se relacionam. O melhor exemplo é o das crianças mais pequenas, que protegem os seus brinquedos e demais pertences como verdadeiros tesouros, recusando partilhá-los e podendo até reagir agressivamente se um irmão mais novo tentar mexer-lhes.

Em idade escolar, as crianças começam a desenvolver o conceito de equidade e justiça, pelo que podem não perceber o tratamento diferenciado que é dado ao irmão mais novo, confundindo-o com tratamento privilegiado. Já os adolescentes, em busca da sua identidade e autonomia, facilmente se ressentem quando são obrigados a participar nas tarefas domésticas ou a tomar conta dos irmãos mais novos.

Também o temperamento individual influencia as relações entre irmãos: uma criança que seja particularmente carinhosa e que procure com frequência o conforto dos pais pode ser mal recebida por irmãos que não tenham a mesma atitude, levando-os a exigir um maior grau de atenção.

Há ainda que considerar situações muito específicas como a doença. É natural que a criança que está doente receba cuidados particulares, requerendo mais tempo e disponibilidade dos pais, o que pode desencadear comportamentos menos cordatos das outras crianças, desejosas de chamar a atenção.

O grau de conflitualidade entre irmãos tem muito a ver com o modo como os próprios pais se relacionam um com o outro. Se as crianças assistirem com frequência a reacções agressivas é provável que imitem os adultos, adoptando as mesmas tácticas na hora de resolver diferendos com os irmãos.

Os pais são, nesta matéria como em todas, o exemplo que os filhos seguem. E nestas idades copiam comportamentos, só mais tarde adquirindo a capacidade para se distanciarem e actuarem pela sua própria cabeça, porventura em oposição aos pais.

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O que fazer?

Não é certamente fácil para os pais assistirem a uma briga entre irmãos, mesmo que não haja agressão física. E a primeira tentação é intervir. Mas é preciso resistir a esta tentação sempre que possível, reservando-a para as situações em que haja perigo de danos físicos.

Se o pai ou a mãe reagirem habitualmente, no conflito seguinte as crianças vão ficar à espera que aconteça o mesmo, em vez de aprenderem a resolver os conflitos por si próprias. Além de que há o risco de, ao intervir, o adulto dar a ideia de que está a proteger um dos filhos, o que pode gerar mais ressentimento de um filho para com o outro. E o filho que foi “salvo” ganha uma espécie de confiança que o torna mais ousado, pois sente que saiu impune.

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