Psicologia da Aprendizagem » Aprender a Aprender
É impossível anotar toda a informação de um livro ou de uma aula. Se o aluno procurar apreender tudo não consegue ter atenção devida à aula. As notas podem não incluir todos os dados devendo incluir antes comentários pessoais que promovem a compreensão e a organização. Os sublinhados também são importantes. Segundo um estudo esta técnica é mais eficaz quando o sujeito decide primeiro o que sublinhar e só depois sublinha.
As discussões de grupo também podem ser importantes tanto para a compreensão como para a reorganização. Um bom processo é colocar questões para o próprio responder.
Algumas investigações revelam que ó sono beneficia a memória, pelo que quando o sujeito á noite e depois vai dormir existem alguns benefícios na memorização. A noite por vezes é mais fácil para estudar, porque há menos ruído e estímulos distractores, mas o esforço exigido ao sujeito é superior, levando mais facilmente ao cansaço.
Face ao exposto, uma pergunta se poderá colocar: Haverá algum método específico que melhore a aprendizagem?
Como vimos, a melhor estratégia é sempre a que parte de cada um e que implica um envolvimento do próprio. Neste sentido, o melhor método de estudo é sempre aquele que é desenvolvido pelo próprio. Não obstante, e a título de exemplo, passa-se a apresentar um dos vários possíveis métodos de estudo, que podem eventualmente contribuir para um melhor rendimento e facilidade na aprendizagem.
Comece por uma Leitura RÁPIDA e pouco preocupada: Leia sem a preocupação de apreender toda a informação, como se estivesse a ler um bom romance. Nunca se consegue apreender toda a informação numa primeira leitura, por isso aproveite este primeiro momento para se adaptar ao tipo de escrita, à estrutura geral do texto e tente apenas perceber as ideias gerais.
Agora que já tem uma ideia geral sobre o texto já possui algumas “gavetas mentais” onde pode armazenar melhor a informação. Já está preparado para ir mais além, por isso a leitura que se segue deve ser ATENTA e cuidada, tentando prestar atenção a todos os pormenores e perceber a matéria que está descrita.
Ao ler, deverá ter o cuidado de perceber quais os aspectos mais importantes como frases, nomes, datas… aspectos para os quais deva prestar atenção particular. Este aspecto vai ser particularmente importante para a fase que se segue: o SUBLINHADO
É frequente a tendência de considerar tudo importante, o que leva a sublinhar a quase totalidade do texto. Isto é obviamente um erro. Se sublinharmos todo (ou quase todo) o texto, a única diferença final é que passamos a ter um texto com uma linha por debaixo das palavras.
O sublinhado, quando correctamente elaborado, permite que chegue mais facilmente às ideias chave e descobrir a informação que precisa com maior precisão. Se tiver oportunidade coloque pequenas notas na lateral do texto e utilize várias cores e códigos de sublinhado de acordo com a natureza da informação.
Uma vez sublinhado, verá como as leituras subsequentes são muito mais fáceis e produtivas. O sublinhado tem ainda a vantagem de permitir utilizar a memória visual para relembrar o texto que se apresenta assim diferenciado conforme o grau de relevância.
Nesta fase já deve ter uma ideia mais concreta do texto e da sua matéria. É o momento ideal para realizar um ESQUEMA. Para elaborar o esquema é geralmente útil olhar para o sublinhado já que em princípio serão as palavras que o sublinhado atribui maior importância que aparecerão no esquema. O esquema tem a vantagem de apresentar a matéria de forma simples, concisa e facilitar a utilização da memória visual.
No esquema a informação não está em texto corrido pelo que é mais fácil colocar a matéria por palavras próprias, o que implica compreensão e conhecimento dos conteúdos.
É o que se pretende na fase seguinte: RESUMO. Perante a informação esquematizada tente colocar a matéria em texto corrido de forma sintética e por palavras suas. Não se pretende que o resumo seja muito longo nem utilize as palavras do livro (para isso tínhamos antes o próprio manual). Deve utilizar palavras que tenham algum significado para si e que pertençam ao seu vocabulário habitual.
Evite
“palavras caras” ou “chavões”, a menos que o carácter técnico e científico da matéria o implique.
Finalmente recapitule a matéria mentalmente. Imagine perguntas e responda a essas mesmas perguntas. Seja exigente nas perguntas que faz a si próprio e caso não saiba a resposta recorra ao manual.
Este trata-se apenas de um exemplo de método de estudo que pretende tornar a aprendizagem mais fácil e eficaz. É apenas um entre os muitos possíveis e procura reflectir os pressupostos que foram sendo mencionados. Poderá parecer que o fazer sublinhados, esquemas, resumos, etc.. são uma perda de tempo, sendo o tempo geralmente pouco, mas lembre-se que a aprendizagem depende da dedicação dos sujeitos, pelo que enquanto está a realizar todos estes esquemas e resumos está a codificar a informação de forma diferente com várias formas de aceder a matéria pretendida e a aumentar o seu grau de envolvimento.
Poderia substituir todos estes passos por várias leituras consecutivas, mas provavelmente ao fim de algumas leituras já estaria num género de eco mental em que as palavras simplesmente ecoavam como um disco riscado. Seja como for, evite deixar o estudo para o último momento. Todos sabemos como a pressão do último dia nos empurra para o estudo mas é importante adaptar a nova informação à preexistente e tal implica algum tempo.

