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Problemáticas familiares

3 Fevereiro, 2009 0

Alicerces emocionais
de uma criança

Muitas vezes olhamos para uma pessoa e catalogamo-la como emocionalmente instável. Pessoas problemáticas, com dificuldades de socialização e em conseguirem organizar a sua vida, são consideradas adultos desviantes. Contudo, se investigarmos bem a fundo os casos, percebemos que os problemas começaram na infância.

Pedro Strecht refere que «a forma como as crianças se vão moldando, se vão formando – no fundo, como se vão vendo a elas próprias e vendo aquilo que as rodeia -, depende muito da qualidade da relação emocional dos primeiros anos de vida».

 

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Nesta altura têm um papel decisivo os progenitores, como explica o pedopsiquiatra:
«Os principais modelos que a criança interioriza são os de quem está mais próximo delas no seu dia-a-dia, ou seja, o modelo feminino de mãe e o modelo masculino de pai, ou quem representa estes papéis. É partindo da interiorização destes modelos de relação familiar que a criança vai, depois, repetir outras formas de relação com os outros.»

Uma criança segura, com padrões afectivos estáveis, consegue ter, habitualmente, relações de maior investimento, com mais qualidade com os outros. Já uma criança que viva no seio de uma família desestruturada, com situações de padrões extremos muito repetidos, pode vir a dar um adulto problemático.

«Não é obrigatório, mas, de facto, o risco aumenta. Porque o crescimento de cada um de nós, como pessoa, é como uma construção, quanto mais sólidos forem os alicerces melhor tudo o que se constrói daí para cima», declara Pedro Strecht.

O papel dos pais

«Por vezes, os pais não compreendem o porquê das situações e não as valorizam. Percebem que a criança não está bem na escola, que até anda triste, mas não são capazes de ligar isso a determinado problema que está ali mesmo debaixo do tecto», diz Pedro Strecht, que conhece bem este cenário.

Está habituado à surpresa dos pais quando descobrem que o seu filho tem problemas emocionais:

«Há pais que dizem: “Mas, afinal, isto passou-se tudo tão depressa e eu não conheço bem o meu filho”, ou “Agora é que descobri que há muitas coisas que me passam ao lado”. E este é, de facto, um dos problemas maiores.»

Os pais estão cada vez mais distantes dos filhos, existe uma falta de qualidade no tempo da relação pais/filhos, o que afecta a estabilidade emocional das famílias.

É necessário intervir precocemente perante as situações de risco. Para tal, é necessário que os pais estejam mais atentos às alterações emocionais/comportamentais dos filhos.

«Ajudamos os pais a ter uma melhor leitura do mundo emocional dos filhos», conclui Pedro Strecht. E não deixa de referir que «estes são problemas que dizem respeito às famílias de uma forma transversal e não apenas famílias com características socioculturais mais baixas».

Será que o meu filho tem problemas emocionais?

«Julgo que as crianças acabam sempre por apresentar sinais e sintomas, sobretudo se as situações são muito mantidas», esclarece Pedro Strecht.
Evidenciam sintomas de instabilidade emocional, que variam conforme as idades.

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