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Por favor, não me sacudam!

6 Agosto, 2012 0

O que se sabe é que os sinais e sintomas desta síndrome compõem um vasto espectro de alterações neurológicas, que vão desde vómitos, letargia, tremores e irritabilidade a situações mais graves como ferimentos, coma e mesmo a morte. Na origem destas alterações neurológicas está a destruição de células cerebrais em consequência do trauma, falta de oxigénio e inchaço do cérebro.

Na maioria dos casos ocorrem também hemorragias na retina num ou nos dois olhos. Em casos mais violentos, são igualmente frequentes fracturas nos ossos dos membros superiores e inferiores e nas costelas.

Porém, na maioria das vezes não há sinais exteriores de trauma, na cabeça ou no corpo, o que torna mais difícil o diagnóstico. Mas o trauma existe e, segundo os estudos já desenvolvidos, em 20 por cento dos casos conduz à morte do bebé. Nos que sobrevivem é possível encontrar sequelas como desordens na aprendizagem e alterações comportamentais, atraso no desenvolvimento mental, paralisia e cegueira.

Para quem provavelmente nunca ouviu falar nesta síndrome, o quadro é de facto assustador. E suscita dúvidas: o que acontece àquelas brincadeiras de que as crianças tanto gostam em que os pais as atiram ao ar e dão reviravoltas?

Não têm de acabar! Se as brincadeiras forem adequadas à idade muito dificilmente causarão danos físicos. É claro que atirar um bebé ao ar contém os seus riscos, mas o maior de todos é se ele cair ao chão. Aliás, há uma substancial diferença na força usada quando se abana violentamente um bebé e naquela que está presente quando ele simplesmente tropeça e cai: é que no primeiro caso é dez vezes superior.

 

Uma forma de maus-tratos

Esta é uma síndrome que anda muito associada aos episódios de maus-tratos infantis. Pelos hospitais portugueses passam casos de bebés que acabaram por morrer em consequência de violência sobre eles exercida pelo adulto que devia tomar conta mas não soube controlar os impulsos, agitando-o, agitando-o até conseguir que se calasse.

É claro que, em circunstâncias normais, quando um pai tenta a todo o custo acalmar o choro desesperante de um bebé não pretende magoá-lo. Mas é isso que acontece se decidir sacudir o pequeno corpo até o choro cessar. A verdade é que o bebé deixa de chorar e nada no seu comportamento imediato indicia que possa ter sido magoado. Mas, ironicamente, a presença de uma lesão pode fazer precisamente com que o choro acabe.

E quando um bebé deixa de chorar, o comportamento do adulto, inicialmente ditado pelo stress, pode passar a ser a regra, usado de cada vez que o pequeno ser resolve manifestar-se ruidosamente. É um perigoso ciclo vicioso para o qual pais e educadores devem estar alerta.

[Continua na página seguinte]

Por isso, da próxima vez que o seu bebé decidir chorar com toda a força dos seus pequeninos pulmões, comece por contar até 20, até 50 ou até 100, se necessário for…

 

Lembre-se que…

Da próxima vez que o seu bebé chorar desalmadamente não desespere. Lembre-se que:

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