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Piolhos: Seus parasitas…

Uma praga, principalmente em ambiente escolar, minúsculos e incómodos, os piolhos podem infestar uma família ou uma turma inteira. No regresso à escola, convém mantê-los afastados.

Os piolhos são incomodativos. Provocam uma comichão intensa, em que só apetece coçar sem parar. Aí a pediculose já envolve risco: é que coçar excessivamente agride o couro cabeludo, podendo dar origem a lesões cutâneas e, com elas, a uma infecção.

A comichão é causada por uma substância que os piolhos libertam quando se alimentam junto ao couro cabeludo. Afinal, os piolhos são insectos parasitas que necessitam dos seres humanos para completar o seu ciclo de vida, alimentando-se de pequenas quantidades de sangue que vão sugando, injectando consequentemente esta “saliva” que é particularmente irritante.

Acresce que os piolhos se multiplicam, podendo depor oito ovos por dia – ovais e brilhantes, são as lêndeas, que se agarram aos cabelos até que, ao fim de sete a dez dias, nascem novos piolhos.

E assim recomeça o ciclo reprodutivo, que se renovará incessantemente se nada for feito para os erradicar. Qualquer cabeça serve para os piolhos se instalarem e reproduzirem, sendo irrelevante o estado de higiene dos cabelos, desmistificando a ideia de que a pediculose só surge em cabeças sujas.

Muitas cabeças juntas são um “mimo” para os parasitas. Por isso, a época escolar é tão propícia ao aparecimento de piolhos. Na escola, as crianças passam muito tempo juntas, partilham espaços, brincadeiras e objectos. Há troca de gorros, chapéus, pentes, escovas, fitas e ganchos, permitindo aos piolhos deambular de loiros para morenos. É que os pequenos insectos não voam, apanham a “boleia” de objectos que estão em contacto com diferentes couros cabeludos. Esta é também a principal razão para a facilidade do contágio no seio familiar. A eventual partilha de lençóis ou almofadas é suficiente para o convívio dos piolhos entre elementos da mesma família.

 

Pente, champô e muita… mas muita paciência

A comichão causada pelos piolhos é especialmente intensa na nuca e atrás das orelhas, porque são as zonas preferidas por estes parasitas. Daí que seja relevante estar atento à frequência com que as crianças levam a mão à cabeça e à insistência com que se coçam.

A denúncia provém da comichão mas é preciso comprová-la: procurar no couro cabeludo a presença de piolhos e lêndeas. É um trabalho minucioso e que exige persistência, requer uma luz forte e um pente próprio, de dentes muito finos e muito juntos.

Depois de lavar muito bem o cabelo e após colocar amaciador, passo particularmente importante no caso de crianças com os cabelos compridos, com a ajuda do pente escova-se as madeixas uma a uma, da raiz às pontas, limpando o pente em cada passagem com um lenço de papel branco, onde ficam as partículas removidas. Mas há que inspeccionar bem a cabeça, pois os piolhos soltam-se mais facilmente do que as lêndeas, que tendem a fixar-se aos cabelos.

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Se o diagnóstico for positivo, este mesmo método pode ser usado para eliminar piolhos e lêndeas: a remoção física é eficaz, mas demorada, podendo ser conveniente complementá-la com a aplicação de antiparasitários. Sob a forma de champô, creme ou loção, estes são produtos que, na sua maioria, não requerem receita médica. Não dispensam, contudo, o aconselhamento farmacêutico, para um uso correcto. Se a infestação ocorrer em crianças mais novas, com idade inferior a 3 anos, este aconselhamento é ainda mais importante.

Para a eficácia do tratamento, todas as recomendações devem ser rigorosamente cumpridas. Os antiparasitários só devem ser utilizados quando se confirma a infestação e há que atentar no intervalo entre aplicações.

Para prevenir, deve evitar-se o contacto directo entre cabeças, para além de verificar o couro cabeludo dos restantes membros da família. O vestuário e a roupa de cama, as escovas e os pentes devem ser lavados com água bem quente (60ºC), e os objectos que não possam ser lavados devem ser aspirados e, se necessário, devem ser fechados num saco durante cerca de duas semanas, visto que o piolho, longe do contacto com o hospedeiro, acaba por morrer, dado que não tem forma de se alimentar.

Com estes cuidados e cumprindo o tratamento, é possível manter os cabelos livres de piolhos e lêndeas. Até à próxima… ou não!

 

Outros piolhos

Quando se fala de piolhos associamo-los de imediato à cabeça. Mas não são os únicos, existindo outras duas espécies, uma que se propaga pelo corpo, outra que prefere os pêlos púbicos.

Ao contrário dos da cabeça, os piolhos do corpo surgem normalmente em pessoas cuja higiene é deficiente ou que vivem em espaços limitados ou sobrelotados.

Não se transmitem tão facilmente como os da cabeça, mas têm a grande desvantagem de poderem veicular doenças como o tifo. Já os piolhos púbicos infestam a zona genital, transmitindo-se através das relações sexuais. Apresentam algumas diferenças na sua forma – os piolhos púbicos são mais largos, curtos e achatados do que os outros, que têm um aspecto arredondado. Os piolhos da cabeça e do púbis vivem directamente em contacto com o indivíduo, enquanto que os do corpo costumam também estar presentes nas peças de vestuário em contacto mais directo com a pele.

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