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Pesadelos: Pronto… Pronto…

…já passou! O sonho comanda a vida, mas os pesadelos podem perturbar o equilíbrio da criança durante o sono. Há que saber confortar, restituindo a segurança indispensável para voltar a mergulhar num soninho descansado.

“Um beijo de boa-noite e uma história ouvir”, cantava o Vitinho, ícone de gerações na hora de deitar. Ontem, hoje e sempre, muito desejada é a fada dos sonhos, para dar asas à imaginação e trazer de presente o sono com um planeta colorido. Por vezes, a fada dos sonhos não chega e, em vez dela, os pesadelos tomam conta da noite. Admite-se que cerca de 10 a 50 por cento das crianças em idade pré-escolar tenham pesadelos, que tendem a reduzir a incidência na adolescência e, ainda mais, na idade adulta.

A maioria dos pesadelos acontece durante o sono profundo – designado como sono REM (de Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos) – que ocorre em vários ciclos, sendo que a duração de cada um deles vai aumentando progressivamente ao longo da noite, assim o mais provável é que os pesadelos ocorram no último terço da noite, já depois das quatro da madrugada. A criança acorda em sobressalto, assustada e corre, veloz, à procura de conforto. E, frequentemente, recorda as imagens perturbadoras, relatadas com todo o detalhe.

Mas o que provoca os pesadelos? Muitos factores, encabeçados pela ansiedade e a agitação. Isto porque as crianças com algum problema, em casa ou na escola, apresentam maior probabilidade em ter um pesadelo.

Depois, há acontecimentos traumáticos, como uma mudança ou a separação dos pais – que podem atrair sonhos maus – ou até uma notícia mais violenta, um filme ou uma história medonha, com fantasmas ou monstros.

Mas há outros motivos mais triviais, como o comer antes de dormir. Ao ingerirmos alimentos, estamos a fornecer energia adicional ao organismo, acelerando o metabolismo e a actividade cerebral, o que pode desencadear pesadelos.

 

Sustos variados

O sono das crianças pode também ser perturbado por outros eventos particularmente intensos e precoces. São os chamados terrores nocturnos, que se distinguem dos pesadelos por ocorrerem na fase do sono não-REM, cerca de hora e meia depois de adormecer e nem sempre levarem a criança a acordar completamente.

Uma criança com terrores nocturnos grita e fica agitada, podendo mesmo movimentar-se, mas pode continuar a dormir. Transpira e respira mais depressa, parecendo confusa e tende a reagir negativamente aos gestos de tranquilização.

Nestas situações, os pais devem apenas fazer companhia à criança até ela se acalmar e voltar a adormecer, o que pode demorar até 30 minutos. Na manhã seguinte, não se recordará de nada do que se passou.

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Quer os pesadelos, quer os terrores nocturnos, não representam um problema quando são ocasionais, ainda que possam influenciar as actividades diurnas da criança, na medida em que lhe perturbam o sono. E uma criança que não dorme o suficiente – em quantidade e qualidade – tem mais dificuldade em concentrar-se nas suas tarefas, em particular nas escolares.

Donde, quando se verifica uma acentuada perturbação do sono, é altura de consultar um médico para se conhecer as causas e seleccionar as formas de restaurar a tranquilidade.

Serenidade e segurança são essenciais para lidar com estas situações. Antes de mais, a criança terá de ser tranquilizada e, em casos de terrores nocturnos, os pais devem salvaguardar a segurança da cama, pois a criança pode cair em resultado da agitação.

Estabelecer um horário certo para dormir e rotinas tranquilizadoras antes da hora de ir para a cama, são medidas úteis, sendo importante conversar com a criança para identificar e solucionar eventuais causas de ansiedade.

A criança terá de se sentir tranquila depois de um pesadelo, mas igualmente segura. Deixar uma luz de presença ou a porta do quarto aberta confere conforto e um sentimento de que está acompanhada. Ou mesmo ajudar o sono com um amigo de peluche ou um amigo que se encarrega de mandar embora o papão!…

 

Chiu! Deixa dormir o menino…

• Ouvir e compreender. Nunca troçar dos medos e incentivar a criança a falar sobre o que a assusta.

• Tranquilizar. Garantir que está tudo bem, transmitindo confiança e segurança.

• Habituar ao escuro. Fazer brincadeiras no escuro do quarto, do tipo caça ao tesouro, ajuda a atenuar medos e inseguranças.

• Gerir ansiedades. Falar sobre o que preocupa a criança e ajudá-la a lidar com esses problemas previne os sobressaltos nocturnos.

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