X
    Categories: InformaçõesSéniorUtentes

Pele sob pressão

Chamam-se úlceras de pressão mas são mais conhecidas como escaras. Acontecem mais frequentemente quando há alguma condição médica que limita a capacidade de mudar de posição, por exemplo, no caso dos acamados devido a doença ou no caso de quem está confinado a uma cadeira de rodas. Mas não são uma inevitabilidade: há medidas de prevenção e a nutrição adequada é uma delas.

As úlceras de pressão, mais conhecidas como escaras, desenvolvem-se na pele que reveste as áreas mais “ossudas” do corpo, tais como calcanhares, tornozelos, ancas mas também na pele das nádegas, e resultam maioritariamente de dois factores desencadeantes: a pressão resultante da imobilidade e a fricção. É por isso que acontecem, com mais probabilidade, em pessoas que passam demasiado tempo em cadeira de rodas ou numa cama, em consequência de doença prolongada ou de uma fase de recuperação de uma doença que exija imobilidade.

O que estas situações têm em comum é o facto de a pele e os tecidos subjacentes estarem sujeitos a uma pressão continuada, ficando como que “presos” entre o osso e a cadeira de rodas ou a cama. O resultado é uma maior dificuldade na circulação sanguínea, o que faz com que a pele vá ficando privada de oxigénio e nutrientes.

É que o sangue é, por assim dizer, o “meio de transporte” destes elementos essenciais à vida e também à saúde da pele.

Com o tempo e a pressão prolongada, sem que sejam tomadas medidas, os danos começam a tornar-se visíveis.

Primeiro, a pele fica avermelhada. Depois, começa a haver acumulação de fluidos ficar inflamada, podendo surgir bolhas. Se nada for feito, a ferida abre-se, aumentando o risco de infecção e deixa de ser superficial, avançando eventualmente até às camadas mais profundas da pele.

No limite, pode haver destruição do músculo e até do osso. Qualquer parte do corpo pode ser afectada, mas as zonas mais frágeis são, naturalmente, aquelas sujeitas a uma maior pressão e que têm menos quantidade de músculo ou gordura, sendo a pressão exercida directamente sobre o osso. No caso de pessoas com dificuldade de locomoção que passem a maior parte do tempo numa cadeira de rodas, por exemplo, é mais comum que as feridas aconteçam nas nádegas, na coluna vertebral, nomeadamente no cóccix, e na região anterior das pernas e até dos braços. Já as pessoas acamadas costumam apresentar mais lesões na cabeça (atrás e dos lados), nas omoplatas, nos cotovelos, nas ancas e na parte inferior da coluna, e ainda na parte de trás e lateral dos joelhos, pulsos e pés.

[Continua na página seguinte]

Detectar e tratar precocemente

As úlceras de pressão são muito dolorosas e, além disso, se não forem detectadas e tratadas a tempo podem causar danos a nível dos tecidos, dos músculos e dos ossos. Há ainda o risco de se desenvolverem infecções no local da ferida. Daí que as pessoas em situações de imobilidade duradoura devam ser sujeitas a grande atenção no sentido de detectar o mais cedo possível qualquer lesão na pele: só assim é possível tratar antes que os danos sejam mais extensos e mais profundos.

Perante o primeiro sinal de risco – a vermelhidão – é fundamental aliviar a pressão sobre a região do corpo afectada, o que passa por uma mudança frequente de posição e/ou colocação de uma superfície de apoio (uma almofada, por exemplo) entre a pele e a cadeira de rodas ou a cama. Desta forma, reduz-se a pressão e previne-se o agravamento da úlcera. Se a pele já tiver fissuras há que lavá-la (com água morna e sabão neutro, com toques muito suaves, sem esfregar) e depois cobri-la com um penso que contribui para promover a cura, mantendo a ferida húmida, o que constitui uma barreira contra a infecção, e mantém a pele circundante seca, de modo a evitar a progressão para áreas adjacentes.

Está disponível uma variedade de pensos incluindo filmes, gazes, geles, espumas e vários revestimentos, que ajudam à regeneração da escara. Nas situações mais graves, pode ser necessário eliminar a pele morta ou infectada, tarefa que deve ser desempenhada por um profissional de saúde, nomeadamente por um médico ou enfermeiro.

 

Prevenir é sempre melhor

É verdade que as úlceras de pressão são frequentes em pessoas imobilizadas, mas não são inevitáveis. É possível preveni-las e os primeiros cuidados são muito simples – passam por mudar a pessoa de posição, de preferência de duas em duas horas, para doentes acamados, e de hora a hora para doentes em cadeiras de rodas. Passam igualmente por aliviar a pressão, por exemplo com almofadas, protegendo as superfícies da pele que estão mais em contacto com a cama ou com a cadeira de rodas. É claro que tudo depende também do grau de (i)mobilidade do doente.

[Continua na página seguinte]

Manter a pele limpa, hidratada e seca também ajuda à prevenção, uma vez que a humidade, nas zonas circundantes da escara, ajuda à progressão das úlceras. Outra grande ajuda passa pela nutrição do doente. É comum que uma pessoa acamada ou com dificuldades de locomoção, por exemplo, em consequência de paralisia, tenha pouco apetite e que fisicamente até lhe seja difícil deglutir.

No entanto, é necessário evitar a perda de peso (um factor de risco acrescido para o desenvolvimento de úlceras).

Assim, deve ser dada a máxima atenção à alimentação, cuidando para que haja uma adequada ingestão de proteínas, vitaminas e minerais.

Também uma hidratação apropriada é importante para manter a pele saudável, por isso é fundamental estar atento a sinais de desidratação tais como, diminuição da produção de urina ou urina mais escura, boca seca ou pegajosa, sede, pele seca, ou prisão de ventre.

Optar por alimentos menos consistentes (sumos, sopas, purés) também pode favorecer a necessária ingestão de nutrientes. Em alguns casos, pode ser necessário recorrer a suplementos hiperproteicos e hipercalóricos, de modo a compensar a insuficiência de nutrientes fornecidos pela alimentação habitual.

www.anf.pt

admin: