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Nas sociedades modernas, 50% das mulheres abandonam a amamentação aos 3 meses, mas…

Leite materno até aos 6 meses é insubstituível.

Desde o nascimento, aquilo que comemos contribui para definir a qualidade de vida na idade adulta. Sobretudo nos primeiros tempos de vida, o estabelecimento de uma boa condição nutricional vai depender da mãe. É ela a principal fornecedora do «equipamento» que o seu filho necessita para crescer saudável.

Por isso, em condições normais, o leite materno é, incondicionalmente, para os especialistas e para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alimento dos alimentos para quem acaba de vir ao mundo.

Aliás, as recomendações emanadas da OMS atestam isso mesmo, que o lactente deve ser alimentado exclusivamente de leite materno nos primeiros 6 meses de vida.

O Prof. António Guerra, pediatra, salienta a «riqueza em nutrientes» que brota do peito de qualquer mãe, mas esse aspecto é reforçado por particularidades extremamente importantes.

«A eficácia de absorção, pelo bebé, de todos os nutrientes presentes no leite materno é muito alta. Para além deste aspecto, o leite materno fornece elementos muito importantes para as defesas do lactente contra as infecções e confere protecção contra doenças alérgicas», refere o especialista.

Há uma tendência registada nas mães que têm o primeiro filho: interpretam, muitas vezes, o choro como fome, concluindo que o seu leite já não é suficiente para saciar a criança. Daí até à opção por um leite industrial é um pequeno passo.

António Guerra classifica esta atitude como «normal, mas é preciso evitá-la através de uma estratégia acertada de informação, que passa pelos profissionais de saúde», até porque, tal como explica este pediatra, «a eficiência nutricional é unicamente apreciada através da evolução do crescimento do lactente. Se existir uma progressão adequada é preciso explicar à mãe que não se deve preocupar e que o seu leite é o melhor alimento que pode dar ao seu filho».

Amamentação e carreira profissional Apesar das tentativas em «persuadir» as mães no sentido de cumprirem o tempo ideal, a taxa de duração da amamentação é bastante baixa. Na realidade, no final do 1.º trimestre de vida, apenas cerca de metade das mães continua a amamentar.

«Num estudo multinacional europeu (“Euro-Growth Study”), apenas 52% das mães da zona do Grande Porto prosseguiam com o aleitamento materno para além dos 3 meses, 46% para a média registada nos 22 centros do estudo», anota este médico.

Alguns motivos acabam por ser óbvios, como a urgência no prosseguimento das carreiras profissionais, o que impede a presença da mãe junto do lactente durante grande parte do dia. Outro factor, muitas vezes apontado, é o facto de a mãe julgar que o seu leite não tem boa qualidade ou já não é suficiente.

Tão importante como a correcta alimentação da mãe é o seu adequado estado de hidratação. Com o crescimento do lactente as necessidades em leite aumentam e o organismo materno não é capaz de corresponder a essa necessidade crescente se não estiver bem hidratado.

«Por isso, a mãe deve beber mais água que o habitual durante o período da amamentação», aponta António Guerra.

Diversificação alimentar Dos 6 meses em diante é tempo de começar, paulatinamente, a introduzir outros alimentos na dieta da criança e na opinião deste pediatra «não é absolutamente mandatório iniciar pela fruta, pelos legumes ou pelos cereais».

Para este médico, é uma boa prática começar a alimentação diversificada por «uma farinha láctea sem glúten, de consistência cremosa e com um paladar não muito distante do leite, o que aumenta a possibilidade de sucesso da primeira refeição fornecida pela colher».

Embora seja uma prática habitual a utilização do sumo de fruta como primeiro alimento na diversificação, é desejável que o seu consumo seja feito sob a forma de uma papa «utilizando a peça inteira de modo a poder beneficiar de todos os nutrientes que a fruta fornece», esclarece António Guerra.

Este clínico não aconselha de início a utilização de frutos com maior potencial alergogénico, como o kiwi, citrinos ou os morangos. A maçã, a banana ou a pêra são os mais adequados no princípio da diversificação.

É, também, importante respeitar a introdução de um alimento novo com intervalos de, pelo menos, cinco dias, por uma razão muito simples.

«Podem surgir alergias/intolerâncias e dessa forma é mais fácil identificar o elemento causal», explica o especialista.
A consistência dos novos alimentos a introduzir passará progressivamente de cremosa a grumosa e pastosa, esta a partir dos 8 meses, altura em que o lactente está apto a iniciar o processo de mastigação.

António Guerra indica que «estes passos são temporalmente importantes, de modo a evitar que crianças com 18, 24, ou mesmo 36 meses recusem qualquer alimento que não seja fornecido sob a forma cremosa.

Se há uma comprovada história familiar de patologia alérgica, a introdução de alguns alimentos deverá ser mais tardia. Por exemplo, os ovos devem apenas ser colocados à disposição da criança aos 2 anos de idade e mais tarde, aos 36 meses, é que pode surgir o peixe.

Nos primeiros meses de vida as proteínas do leite de vaca são as que constituem maior risco de alergia para a criança.

A percentagem desce ao longo do segundo/terceiro ano de vida.

Os malefícios do sal A partir do primeiro ano de vida, é recomendável que a criança inicie uma integração progressiva na dieta familiar, naturalmente, desde que os pais respeitem os princípios de uma alimentação saudável.

A adição de sal aos alimentos dados à criança não é recomendável. Sobretudo pelo que essa atitude pode representar na idade adulta.
«O teor de sal intrínseco dos alimentos fornece de modo adequado as necessidades diárias em sódio, não sendo por isso necessário a sua adição aos alimentos», explica o médico.

Neste sentido, António Guerra é peremptório:
«Não há motivo e não é recomendável habituar a criança ao sal desde muito cedo, porque vai comportar riscos de tensão arterial elevada mais tarde. Por isso, é importante não criar apetência pelo alimento com sal.»

O mesmo se aplica à utilização de açúcar, por motivos comprovados: o desenvolvimento de cáries e de patologias crónicas degenerativas na idade adulta.

Comer muito não significa saúde Alguns pais entendem que os filhos comem sempre pouco e, por isso, tendem a colocar mais e mais alimento no prato, até acharem que é suficiente. Este comportamento não favorece um factor essencial no crescimento da criança: a manutenção de um peso equilibrado, nem mais, nem menos daquilo que é considerado normal.

Um dos motivos para o aumento de peso numa criança é a ingestão energética e proteica muito elevada desde o início da vida, facto que condiciona o risco de obesidade.

«É preciso que os pais percebam que cada criança tem características biológicas específicas e que crianças da mesma idade com o mesmo peso e estatura têm necessidades nutricionais que podem ser muito diferentes», diz António Guerra.

Aqui está em causa a obesidade infantil, que é cada vez mais frequente em Portugal. Refira-se, ainda, que a obesidade na idade pediátrica significa forte risco de obesidade na idade adulta. Um estudo científico recente mostra, em crianças portuguesas nos primeiros anos de vida, valores elevados de sobrepeso e obesidade. Tal significa, a prazo, «uma factura pesada no âmbito da Saúde Pública», refere António Guerra.

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