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Incontinência: Pingos involuntários

São involuntárias as perdas de urina que significam incontinência, mas nem por isso deixam de causar embaraço. O problema é mais feminino do que masculino, mas pode acontecer a qualquer um.

A incontinência urinária resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina. É um problema comum mas muito constrangedor. A gravidade do problema varia bastante, desde perdas de urina ocasionais ao tossir e espirrar até uma vontade de urinar tão súbita que não permite aguentar até chegar à casa de banho mais próxima.

A incontinência urinária condiciona a vida social do indivíduo, inibindo o convívio com familiares e amigos pelo medo de que ocorra uma perda involuntária de urina e a vergonha de que os outros sintam o cheiro. A preocupação em esconder o problema evita, muitas vezes, a abordagem ao acompanhamento médico e faz com que o doente recorra à utilização de fraldas, mudas de roupa suplementares ou a um reconhecimento prévio das instalações sanitárias a que poderá recorrer quando sai do seu ambiente.

Na maioria dos casos porém, mudanças simples no estilo de vida ou tratamento médico adequado podem aliviar o desconforto ou, até mesmo, solucionar o problema.

 

Tipos de incontinência

Fala-se em incontinência como um problema único, mas a verdade é que existem diversos tipos, a saber:

• Incontinência de esforço: tipo mais prevalente em mulheres acima dos 45 anos, que decorre da fragilidade dos músculos pélvicos que suportam a bexiga e a uretra. Em circunstâncias de maior esforço como tossir, saltar, correr, espirrar ou levantar pesos, a pressão abdominal aumenta a pressão dentro da bexiga e força a urina a sair pela uretra que, por sua vez, não tem capacidade para reter a urina, deixando-a sair. Nos homens este problema pode derivar da prostatectomia radical (utilizado para tratamento do cancro da próstata), uma cirurgia que pode danificar o esfíncter, provocando uma situação de incontinência de esforço.

• Incontinência por urgência ou imperiosidade: resulta da vontade súbita e incontrolável de urinar. Este tipo de incontinência pode estar relacionado com o envelhecimento e o avanço da idade, mas também surge em idades mais jovens, associado a doenças neurológicas ou muitas vezes sem causas identificáveis. Este tipo de incontinência urinária condiciona o dia-a-dia das pessoas.

• Incontinência mista: combinação de incontinência de esforço e de urgência.

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Factores de risco

Qualquer pessoa pode sofrer de incontinência urinária, mas há alguns factores que aumentam a probabilidade de esta ocorrer:

• Género: As mulheres são mais propensas do que os homens a sofrer de incontinência urinária de esforço devido à falta de suporte muscular no local onde a bexiga se une à uretra, causada por relaxamento muscular resultante da idade e agravada pela menopausa. O parto pode também contribuir para esta incontinência, razão pela qual se aposta hoje muito na prevenção através da realização de treinos musculares. No entanto, os homens com problemas de próstata têm um risco maior de incontinência de esforço ou por urgência.

• Idade: À medida que envelhecemos, os músculos da bexiga e da uretra perdem elasticidade. No entanto, envelhecer não significa necessariamente que se venha a ter incontinência.

• Excesso de peso: A obesidade e o excesso de peso aumentam a pressão sobre os músculos da bexiga, enfraquecendo-os e permitindo a perda de urina quando se tosse ou espirra.

• Fumar: A tosse crónica associada ao tabagismo pode causar episódios de incontinência ou agravar a doença. A tosse constante coloca muita pressão sobre o esfíncter urinário, levando à incontinência de esforço. Fumar também aumenta o risco de bexiga hiperativa, causando contracções da bexiga.

• Outras doenças: Doenças renais ou diabetes aumentam o risco de sofrer de incontinência urinária.

 

O tratamento existe

O tratamento da incontinência urinária depende do tipo de incontinência que se tem mas pode ser feito com fisioterapia, exercícios específicos para os músculos do pavimento pélvico (exercícios de kegel), medicamentos e, em alguns casos, cirurgia.

A fisioterapia é bastante aconselhada para o tratamento da incontinência urinária pois pode tratar os três tipos. A duração do tratamento vai depender da gravidade da incontinência e da colaboração do doente, pois é necessário realizar exercícios várias vezes ao dia para conseguir atingir a cura da doença.

O tratamento cirúrgico desempenha um papel preponderante na incontinência urinária de esforço, tanto na mulher, como no homem. A cura da incontinência urinária de esforço é possível em cerca de 90% dos casos.

Na incontinência urinária por imperiosidade, a taxa de sucesso dos anticolinérgicos ou antimuscarínicos (tratamento de primeira linha, cuja ação estabiliza o músculo vesical – o detrusor – inibindo a sua contracção involuntária) situa-se nos 80%.

As alterações comportamentais necessárias, principalmente na incontinência por imperiosidade, passam por um controlo da ingestão de líquidos e a exclusão de alimentos irritantes para a bexiga, como por exemplo a cafeína, bebidas gaseificadas, álcool comida picante e condimentos.

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Sabia que…

• Estudos realizados na população portuguesa apontam para a existência de cerca de 600 mil incontinentes nos diferentes segmentos etários.

• Entre os 45 e os 65 anos a proporção de casos de incontinência urinária é aproximadamente de 3 mulheres para cada homem.

• 50% das pessoas institucionalizadas sofrem de incontinência urinária.

• Apenas 10% dos doentes recorrem ao médico e fazem tratamento farmacológico adequado.

• A taxa de cura da incontinência de esforço é de 90%.

Os dados são da Associação Portuguesa de Urologia.

 

Exercite os músculos

Criados pelo ginecologista Arnold Kegel, estes exercícios são muito úteis para quem sofre de incontinência urinária e são considerados a melhor forma de prevenção. O objectivo dos exercícios de Kegel é fortalecer os músculos pélvicos, melhorando também a função dos esfíncteres da uretra e recto.

Também podem melhorar o desempenho nas relações sexuais.

Para fazer os exercícios de Kegel de forma correcta, esvazie a bexiga e contraia os músculos pélvicos, conte até 10 e a seguir relaxe os músculos completamente, contando até 15 novamente para relaxar.

Para identificar o grupo de músculos correctos para a contracção, basta interromper o fluxo da urina no acto da micção. Esta é a contracção muscular correcta. Os exercícios de Kegel podem ser utilizados para a incontinência urinária das mulheres ou dos homens, devendo ser realizado especialmente pelas grávidas.

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www.anf.pt

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