Aproveitar o que o sol e o calor têm de melhor, sem prejudicar a saúde, deve ser o lema deste Verão, para a população em geral e, sobretudo, para os idosos. Manter o organismo sempre hidratado e evitar a exposição a elevadas temperaturas são os principais conselhos que deixam a Dr.ª Cláudia Afonso, nutricionista da Faculdade de Ciências da Alimentação e Nutrição e a Dr.ª Leonor Murjal, médica de Saúde Pública.
Com o Verão, sobe a temperatura e há maior probabilidade de os idosos desidratarem, mas este problema é transversal a todas as estações. Várias causas ligadas ao envelhecimento contribuem para que seja frequente a desidratação nos mais velhos. Por isso, é indispensável incentivá-los a beberem água, advertem Cláudia Afonso e Leonor Murjal.
Avança a idade e com ela os mais velhos sentem menos sede e bebem menos água. Esta situação, aliada à “redução da capacidade de concentração da urina, às alterações da composição corporal, a uma diminuição da elasticidade da pele (perde-se água por esta via) e à ingestão excessiva de alimentos doces e salgados, devido à redução da capacidade sensorial que leva a uma maior apetência para um consumo abusivo destes alimentos”, contribui para haver casos de desidratação, explica Cláudia Afonso.
A especialista refere que a exposição excessiva ao sol, a atmosfera seca e o uso de diuréticos são, também, potenciais factores de risco e aconselha os idosos a beber água, mesmo no caso de não sentirem vontade de o fazer.
Água, fruta e hortícolas a colorirem o Verão
Uma dieta rica em fruta e hortícolas pode ajudar a prevenir a desidratação nos idosos, mas deve ser acompanhada pela ingestão apropriada de água que é, regra geral, de 2 litros diários, refere a nutricionista. Mas, deve ser evitada a ingestão de frutas e saladas mal lavadas e de alimentos deteriorados pela temperatura, que pode originar complicações gastrointestinais, cuja maior prevalência se verifica no Verão, alerta Leonor Murjal, médica de saúde pública. Por isso, recomenda que se faça uma lavagem adequada dos produtos hortícolas e frutas e que se conservem os alimentos a uma temperatura fresca.
Já o consumo de água pode aumentar se houver perdas substanciais de água, se estiver muito calor ou em caso de febre, refere Cláudia Afonso. Acrescenta que “um excelente indicador que nos mostra se tudo está bem no que se refere à quantidade de água necessária, é a urina, que deverá ser abundante clara e sem cheiro”. Mas, avisa que a ingestão excessiva de água pode ser prejudicial, “pois se por um lado a capacidade renal não permite de forma tão eficiente a concentração da urina, também há a perda de capacidade para a sua diluição.”
Frequentar locais frescos
Os idosos devem, no Verão, optar por fazer os seus passeios em locais à sombra e frescos e não é conveniente que realizem actividade física intensa, devendo “passar duas a três horas num ambiente fresco”, afirma Leonor Murjal. Os centros comerciais e o cinema são exemplos de locais recomendados pelo Plano da Contingência do Calor da Direcção-Geral de Saúde, por terem uma temperatura mais amena, explica.
O tipo de vestuário também é importante para amenizar a sua temperatura corporal, por isso, a roupa deve ser “fresca e solta, de cores claras, de algodão e, na cama, não é preciso manterem o edredão de Inverno”. Salienta, também, que a temperatura da habitação também precisa de ser amena. Daí que sugira que “se fechem as persianas e se areje a casa, durante a noite, para manter sempre uma circulação de ar”.
Para evitar os problemas associados ao excesso de calor, Leonor Murjal alerta para o facto de “as pessoas não poderem estar tanto tempo dentro dos carros”. O ar condicionado atenua os efeitos adversos desta exposição, muito embora as pessoas devam preparar-se para a viagem, levando a quantidade de água necessária, para o percurso percorrido. São de evitar as viagens durante o dia, devendo optar-se por viajar durante os períodos em que o sol está menos intenso.
Nos períodos de maior calor, sugere que as pessoas tomem um duche, com água tépida ou fria, mas sem mudanças bruscas de temperatura. Isto porque, o duche a uma temperatura muito fria, após uma exposição ao calor, pode provocar uma hipotermia, “sendo esta situação grave no caso dos idosos e das crianças”, frisa a médica de saúde pública.
A ida à praia deve ser feita por toda a população fora do horário de risco – compreendido entre as 11h e as 16h – com o uso de protectores superiores a 15, no caso dos adultos, e superior a 20, no caso das crianças. Só com o seguimento destas medidas preventivas se dá resposta às necessidades de uma larga franja da população portuguesa que tem pele clara e susceptível, embora a vulnerabilidade dos idosos aos efeitos prejudiciais do sol na pele seja idêntica à do resto da população, sublinha o dermatologista António Marques Gomes.
A importância de pedir auxílio
Pedir ajuda a quem está mais perto – que pode até ser o vizinho – é, no caso dos idosos e dos doentes, fundamental, para evitar problemas graves de saúde derivados às elevadas temperaturas. Importa, por isso, sensibilizar a população em geral para a necessidade de ser solidária com os mais velhos, através de “um espírito de entreajuda, quando está calor – que é o caso agora – mas que se deve aplicar a todo o ano”, afirma Leonor Murjal.
Acrescenta que a mudança de atitude da população para com os idosos é decisiva, até porque, por vezes, estes têm receio ou vergonha de pedirem auxílio, por não aceitarem a perda de autonomia. Iniciativas tão simples como “comprar uma garrafa de água ou legumes e fechar uma persiana podem fazer toda a diferença”.
Sinais de golpe de calor
(Plano de Contingência para as Ondas de Calor- 2007)
Modificação do comportamento habitual
Fraqueza ou grande fadiga das pessoas
Dificuldade recente em se movimentar
Tonturas, vertigens, perturbações de consciência, convulsões
Náuseas, vómitos, diarreiras, cãibras
Temperatura corporal elevada
Sede e dores de cabeça
Recomendações
Transferir a pessoa para uma divisão climatizada
Avaliar a sua temperatura corporal
Refrescar a pessoa o mais rapidamente possível
Não tomar aspirina nem paracetamol
Consultar o médico
Recorrer ao Saúde 24 (número nacional de socorro) 808242400 ou o 112
“Uma dieta rica em fruta e hortícolas pode ajudar a prevenir a desidratação nos idosos, mas deve ser acompanhada pela ingestão apropriada de água que é, regra geral, de 2 litros diários
“Os idosos devem, no Verão, optar por fazer os seus passeios em locais à sombra e frescos e não é conveniente que realizem actividade física intensa”
Jornal do Centro de Saúde
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