…e professores também! Agitação, falta de concentração e fraco aproveitamento escolar são aspectos normalmente partilhados por crianças hiperactivas. Este síndroma de falta de atenção impõe um esforço titânico de pais e familiares. A paciência é fundamental…
A Hiperactividade ou, mais exactamente, a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHT A) resulta de uma disfunção no sistema nervoso central, mas pode ser agravada por factores ambientais e emocionais.
Afectando 3 a 7 por cento das crianças em idade escolar e sendo mais comum nos rapazes, tem como principal consequência a significativa redução da capacidade de concentração, espelhada na análise de situações do quotidiano – a actividade motora é muito acentuada, inadequada ou excessiva.
Os problemas tendem a agravar-se quando se espera que o comportamento seja mais calmo ou exemplar. E a escola – é um desses ambientes, daí que os professores sejam os primeiros a queixar-se do comportamento das crianças hiperactivas. Mais do que a família, são eles que se apercebem da desordem.
A criança tem dificuldade em manter um foco de atenção e em medir os perigos e os efeitos dos actos praticados sem pensar, como perder o material escolar, correr pela sala, agitar os colegas, etc… etc…
Temos, no cérebro, uma zona de autocensura, que nos ajuda a controlar os ímpetos, o que não acontece nos hiperactivos. Por isso, as crianças hiperactivas parecem “ligadas à corrente”, alimentadas por uma fonte inesgotável de energia, deixando pais e professores à beira de um ataque de nervos.
Mas – cuidado – este tipo de comportamento não deve ser confundido com “má educação”. E quanto uma criança é muito irrequieta e exuberante, tal não significa, necessariamente, que seja hiperactiva. Por outro lado, algumas crianças com esta perturbação apresentam problemas de atenção mas não de comportamento.
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A verdade é que há, na sociedade actual, uma precipitação em associar qualquer comportamento mais agitado à hiperactividade. E não são sinónimos…
Há inúmeros distúrbios comportamentais e cognitivos com sintomas semelhantes, mas apenas um diagnóstico conjunto entre neurologista, psicólogo família e escola é que efectivamente deverá ponderar o uso de fármacos.
A hiperactividade, ao diminuir a concentração, penaliza o processo de aprendizagem, porque a criança tende a dispersar-se com facilidade. Mas sendo uma perturbação típica da infância, tende a atenuar com a idade, ainda que mais de 50 por cento dos casos manifestem sintomas na idade adulta.
Não se conhece uma causa única: há quem aponte, designadamente, o factor hereditariedade. Perturbações no desenvolvimento do feto ou o consumo de tabaco e álcool durante a gravidez também podem prejudicar o desenvolvimento do cérebro e estarão no limiar de influenciar a hiperactividade.
Lidar com a situação passa por pequenos gestos. Sentar a criança num local sossegado e deixá-la sozinha durante alguns instantes costuma ser benéfico, da mesma forma que um elogio por bom comportamento e o castigo nas situações de maior agitação podem resultar.
Devem, no entanto, ser evitadas críticas excessivas e constantes, para que a criança não se sinta incompreendida. Na escola, sentar a criança perto do quadro, dar-lhe mais tempo para fazer os testes, entusiasmá-la a mostrar o que sabe pode dar frutos.
Quando estas medidas são insuficientes, há sempre a possibilidade de recorrer a um pedopsiquiatra ou a um psicólogo clínico. As terapias comportamental e clínica funcionam como aliadas e produzem uma melhoria significativa naquilo que mais preocupa pais e professores – o rendimento escolar.
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Ser ou não ser…
Há critérios que permitem detectar se uma criança sofre de hiperactividade ou se apenas precisa de mais disciplina. Entre os sintomas de desatenção e de hiperactividade-impulsividade que se seguem é preciso acumular pelo menos seis, que se tenham começado a manifestar antes dos 7 anos, que persistam um mínimo de seis meses e sejam desajustados face ao nível de desenvolvimento da criança, afectando de forma significativa o seu desempenho social ou escolar:
Sintomas de criança desatenta
1. Não dá atenção aos detalhes ou comete erros por descuido
2. Tem dificuldade em manter a atenção durante tarefas ou jogos
3. Parece não ouvir quando se lhe dirigem directamente
4. Não segue as instruções e não termina as tarefas
5. Tem dificuldade em organizar tarefas e actividades
6. Evita as tarefas que requerem esforço mental persistente
7. Perde facilmente o material
8. Distrai-se facilmente com estímulos externos irrelevantes
9. Esquece-se com facilidade das tarefas diárias e rotineiras
Sintomas de criança hiperactiva e impulsiva
1. Movimenta excessivamente as mãos e os pés e mexe-se quando está sentada
2. Não se mantém sentada quando deve
3. Corre e salta de forma excessiva em situações desapropriadas
4. Tem dificuldade em envolver-se numa actividade de forma calma
5. Age como se estivesse “ligada à electricidade”
6. Fala sem parar
7. Responde antes de a pergunta ser completada
8. Tem dificuldade em esperar pela sua vez
9. Interrompe e intromete-se na conversa e actividades dos outros
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