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Higiene Íntima: da Puberdade à Menopausa

15 Abril, 2009 0

O conceito de higiene íntima não está bem esclarecido e suscita dúvidas e más interpretações, como confundir higiene de uma região íntima para a mulher com a prática de irrigação vagina.

Quando nos referimos ao conceito de “higiene íntima” estamos a falar do recurso à utilização de um produto que não agrida os genitais externos, com características diferentes da restante superfície corporal, contribuindo para o bem-estar, conforto, segurança e saúde da mulher.

Assim, existe antes de mais um desconhecimento anatómico e fisiológico que, sendo apreendido, evitará a adopção de hábitos prejudiciais de higiene íntima e que vão sendo transmitidos. Um exemplo é o facto de muitas mulheres não usarem um produto de higiene íntima durante a menstruação.

 

MEIO VAGINAL: PH ÁCIDO

O pH vaginal da mulher em idade fértil, após a puberdade e até à menopausa, é ácido. Esta acidez deve-se à presença de ácido láctico. A presença de estrogénios leva à secreção de glicogénio na vagina que, por acção dos bacilos de Doderlein, é transformado em ácido láctico.

É este o elemento responsável pela manutenção do pH ácido (3.8 – 4.2) da vagina, o que impede o crescimento das bactérias “desnecessárias” existentes no meio vaginal, e pela defesa contra as infecções. A maior concentração de glândulas sebáceas, contrariamente ao que se poderia supor, encontra-se na vagina.

A secreção por elas produzida, sebo, deposita-se nas pregas da mucosa vaginal e oxida em contacto com o ar, favorecendo a posterior colonização bacteriana e consequente odor desagradável. Daqui advém o interesse no uso de produtos específicos para higiene íntima e que preservem o pH fisiológico ácido.

Sendo o pH vaginal na pré-puberdade e após a menopausa quase neutro, a aplicação directa de produtos com pH ácido provoca desconforto e irritação. O maior exemplo é a utilização do mesmo produto que a mãe usa para a filha ainda criança.

 

INFECÇÕES

As infecções mais comuns são a candidíase e a tricomoníase. Um outro quadro que não corresponde exactamente a uma infecção mas antes a um desequilíbrio entre as populações que habitualmente povoam o ambiente vaginal é a vaginose.

A candidíase é causada pela Candida albicans, um fungo que faz, habitualmente, parte da flora vaginal e que tem o seu desenvolvimento inibido pela acidez característica da vagina. No entanto, há alturas em que há uma maior susceptibilidade ao seu desenvolvimento, como são períodos de maior tensão emocional – stress -, nos dias que antecedem e durante o período menstrual, bem como durante a gravidez e pós-parto.

Estas alturas justificam a utilização de um produto de higiene íntima, com o intuito de acidificar o meio vagi-nal, alterado nessas circunstâncias.

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Outros factores de risco para esta infecção são o uso de antibióticos, a diabetes mellitus e déficits imunológicos. Outros factores predisponentes são a colonização gastrointestinal (higiene menos apropriada, como seja usar o papel higiénico de trás para a frente) e a utilização de vestuário mais justo e de fibra.
As manifestações clínicas induzidas pela infecção com a Candida podem passar pelo desconforto vulvar, ardor, eritema, dispareunia e corrimento esbranquiçado, grumoso, associado a prurido e sem odor marcado.

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