A gravidez, um tempo sublime: Na gravidez, durante cerca de 9 meses, a mãe familiariza-se com a nova vida que traz no ventre, e por essa razão toma cuidados especiais, que executa com ternura e carinho porque sabe que o bebé que “transporta” beneficia desses mesmos cuidados.
Uma alimentação completa, equilibrada e variada, a prática de actividade física regular e adequada ao seu estado, as medidas apropriadas para minimizar o eventual desconforto eventualmente causado pelas alterações fisiológicas que ocorrem na gravidez e até mesmo a higiene e cuidados pessoais contribuem para o bem-estar da criança que vem a caminho.
É um tempo de múltiplos cuidados, de atentar com zelo e sentido de responsabilidade ao que dizem os profissionais de saúde, de renúncia a hábitos malquistos para o bom desenvolvimento do bebé e o saber responder, com alegria e determinação, a essas alterações ao longo de 9 meses em que há comportamentos impreteríveis. A gravidez é um tempo sublime, no qual todos os pormenores são importantes para a saúde e bem-estar da criança e da mãe.
Tudo começa pela higiene pessoal e higiene de vida
Deve evitar-se os banhos de imersão (podem conduzir a um desequilíbrio da flora vaginal e propiciar o desenvolvimento de infecções genitais). O duche deve ser tomado com água morna de modo a evitar a desidratação da pele e promover o bem-estar circulatório). Não esquecer que deve haver tapetes e suportes adequados para facilitar a entrada e a saída da banheira, contribuindo também para uma maior segurança, evitando quedas acidentais. Os produtos de higiene corporal devem ter um pH neutro, são de evitar produtos com corantes e perfumes.
Importa cuidar da hidratação durante e após o banho pois esta ajuda a prevenir o aparecimento de estrias.
Uma alimentação completa, equilibrada e variada, está em condições, na maioria dos casos de responder a todas as suas necessidades e às do feto em desenvolvimento graças ao bom aporte de nutrientes, vitaminas, água e sais minerais.
Ingerir entre 1,5 e 2 L diários de líquidos (preferencialmente água) é fundamental. O regime alimentar deve conter carnes magras, hidratos de carbono, lípidos, lacticínios (a grávida precisa de ingerir diariamente cerca de 1000 mg de cálcio e os lacticínios são uma fonte apropriada), proteínas e fibras.
Há um conjunto de alimentos totalmente desaconselhados, caso da carne mal passada, dos lacticínios não pasteurizados, alimentos confeccionados com ovos crus, peixes como a sarda e a cavala (porque podem conter altos níveis de mercúrio), álcool, legumes crus e fruta mal lavados.
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Em suma, há cuidados básicos que a grávida não deve descurar quanto à alimentação: lavar muito bem os alimentos consumidos crus; cozinhar os alimentos de forma simples; evitar reaquecer os restos de comida e reduzir o consumo de alimentos muito condimentados e/ou com demasiado sal ou açúcar, café e chá.
Seguramente que o médico irá recomendar à grávida um controlo regular do peso já que, sendo normal um aumento de peso durante a gravidez, é importante que este aumento não seja excessivo (em média, é esperado que o peso aumente aproximadamente cerca de 12 kg a 13 kg).
É ao médico que cabe propor a suplementação, caso seja necessário, em algumas vitaminas e minerais das quais se destacam o ácido fólico e o ferro. Isto porque são elementos essenciais para o desenvolvimento do feto.
O ácido fólico desempenha um importante papel no crescimento e desenvolvimento dos tecidos, particularmente das estruturas que vão dar origem ao cérebro e espinal medula do bebé – a suplementação em ácido fólico é, por isso, considerada fundamental na prevenção de malformações no feto.
O ferro é essencial para a produção de hemoglobina – durante a gravidez há um transporte activo de ferro da mãe para o feto, através da placenta, por isso se recomenda, sempre que necessário, a suplementação em ferro (durante a gravidez, a dose diária recomendada é de 30 mg).
Não há boa higiene do sono sem dormir as horas suficientes e com a qualidade necessária, pelo que a grávida deve saber cuidar de uma atmosfera que incentive uma boa noite de sono.
Viver a gravidez em saúde
Durante a gravidez, as consultas médicas são necessárias para verificar se tudo está a correr bem e se o bebé está a desenvolver-se normalmente. É uma disciplina que passa por procedimentos de rotina (avaliações da “tensão arterial” e do peso; testes à urina; palpação abdominal para monitorizar a posição do bebé e medir a altura do útero, etc.); exames regulares ao sangue e ecografias; saber estar atenta a certos sinais que obrigam a contactar imediatamente o centro de saúde ou a urgência hospitalar (caso de hemorragia vaginal, dor/ardor ao urinar, vómitos persistentes, dores de cabeça fortes ou contínuas, diminuição dos movimentos fetais, etc.).
A grávida deve igualmente conhecer quais os factores de risco a ponderar, os cuidados especiais a ter com a sua saúde oral, o abandono absoluto do tabaco e saber sem preconceitos como se deve expressar a sua sexualidade durante a gravidez. A prática de actividade física regular durante a gravidez ajuda a melhorar a circulação sanguínea, a reduzir o risco de obstipação e a aliviar o stresse. As aulas de preparação para o parto são também uma boa opção de exercício físico para mulheres grávidas.
Nestas aulas são realizados exercícios de fortalecimento da musculatura, articulações e ligamentos envolvidos no trabalho de parto. Habitualmente as mulheres que praticam exercício físico durante a gravidez suportam melhor as contracções e têm um trabalho de parto mais rápido.
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Estar atenta às alterações observadas durante a gravidez
Estas alterações são em número elevado e variam de trimestre para trimestre. Por exemplo, no primeiro trimestre podem registar-se alterações como náuseas ou vómitos, alterações nos seios, estrias, alterações da pigmentação e problemas relacionados com a saúde oral. As medidas aconselháveis são distintas: para “travar” as náuseas e os vómitos recomenda-se a ingestão de alimentos pouco calóricos, saciantes e fáceis de digerir (ex.: tostas, fruta, cereais, etc), mesmo antes de se levantar.
Devem igualmente ser evitados jejuns muito prolongados sendo de preferir refeições ligeiras e não muito espaçadas ao longo do dia; quando os seios aumentam de tamanho, impõe-se utilizar um sutiã adequado e confortável; para a prevenção das estrias deve ser aplicado regularmente e desde o início da gravidez um creme hidratante (creme gordo ou um creme com acção anti-estrias); na medida em que as alterações hormonais podem aumentar a sensibilidade das gengivas, é conveniente lavar regularmente os dentes, utilizando uma escova de suave e o recurso a colutórios com flúor, manifestamente benéficos na prevenção de cáries.
As alterações mais frequentes no segundo trimestre são distintas: pode aumentar a frequência com que é necessário urinar; podem aumentar os casos de hemorragias e congestão nasais e também de obstipação. Já no terceiro trimestre as alterações manifestam-se habitualmente por varizes, dores nas costas, insónias, azia, hemorróidas, cãibras e edemas. Temos aqui um terreno onde o aconselhamento farmacêutico pode ser muito útil.
Saber evitar complicações durante a gravidez
A grávida só deve tomar medicamentos indicados pelo médico (as anomalias congénitas são provocadas, em cerca de 2 a 3 %, pela acção dos medicamentos.
Contudo, há algumas classes de fármacos com perfis de segurança perfeitamente estabelecidos, indicados no tratamento e alívio de alguns dos sintomas mais característicos da gravidez.
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Também não foi por acaso que se referiu atrás que é indispensável uma atenção redobrada com parâmetros como a glicemia e a “tensão arterial”, pois traduzem algumas das mais graves complicações como é o caso da diabetes gestacional (esta reflecte uma intolerância aos hidratos de carbono, com graus de gravidade diferentes consoante os casos, que surge ou é diagnosticada pela primeira vez no decorrer da gravidez e que termina, normalmente, após o período de gestação).
As mulheres que desenvolvem diabetes gestacional têm maior probabilidade de desenvolveram diabetes tipo 2 no futuro.
A identificação precoce da diabetes gestacional possibilita uma intervenção atempada: a prova de rastreio da diabetes gestacional deverá ser efectuada entre a 24ª e 28ª semana e, caso seja negativa, repetida à 32ª semana de gestação.
Os cuidados pós-parto
Se o pré-parto (ou Puerpério) é um tempo em que a futura mãe adopta comportamentos sempre a pensar na vida saudável de quem transporta em si e numa gravidez que lhe assegure um bem-estar no presente e no futuro, o pós-parto abarca um conjunto de modificações físicas que vão ocorrer num curto espaço de tempo a que a parturiente deve estar atenta, sobretudo no que diz respeito à amamentação.
Retomam-se hábitos de higiene diários muito importantes também para favorecer a regeneração dos tecidos, com o tempo as eventuais perdas vaginais de sangue irão diminuindo. Há, por isso, que manter a região genital limpa e utilizar pensos higiénicos que devem ser mudados com frequência. No pós-parto é vivamente recomendada a lavagem da zona genital externa com água tépida, após as idas à casa de banho. Em caso de dores agudas, compete ao médico indicar um analgésico que seja seguro durante a amamentação (é o caso do paracetamol).
O aleitamento materno é altamente recomendado, não há melhor alimentação para o bebé. Durante a mamada é importante que a mãe procure que o bebé esvazie completamente a mama. No início da mamada o leite é produzido em maiores quantidades e é mais rico em lactose, proteínas e outros nutrientes. O leite final, produzido no fim da mamada, apresenta uma cor mais esbranquiçada e é rico em gorduras, permitindo manter o bebé saciado mais tempo. A mãe não deve esquecer que alguns medicamentos podem ser eliminados pelo leite materno.
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Nalguns casos, a mãe pode ter que suspender a amamentação enquanto estiver a tomar o medicamento, devendo no entanto retirar regularmente o leite para manter a sua produção e poder retomar a amamentação do seu bebé após terminado o tratamento. Noutros casos, é possível conciliar a toma de medicamentos e a amamentação, sendo a altura ideal para os tomar imediatamente depois de amamentar, 3-4 horas antes da próxima mamada.
Use e abuse do aconselhamento farmacêutico
Quem se prepara para a gravidez tem tudo a ganhar em conversar com o seu farmacêutico: para ter apoio seguro para uma efectiva desabituação tabágica; para se dotar de cuidados de higiene essenciais (por exemplo, evitar o contacto com gatos e os seus dejectos, para prevenir desde a primeira hora da gravidez uma toxoplasmose, caso a futura mãe não esteja imunizada); para receber conselho sobre a higiene oral, quanto mais cedo tratar dos seus dentes menor será o risco de cáries e gengivites; para saber como um bom regime alimentar pode impedir o risco da diabetes gestacional, por exemplo.
Quando está grávida, o seu farmacêutico é o profissional de saúde mais “à mão” para certos cuidados pré-parto que tem a ver com a sua higiene de vida, no caso de estar a recorrer a medicamentos, o farmacêutico chamar-lhe-á a atenção para a necessidade de informar o médico quanto ao que esteve a tomar até ficar grávida. E conversando abertamente com o seu farmacêutico, ele poderá dar–lhe um apoio eficaz esclarecendo-a quanto aos factores de risco de uma gravidez, quanto aos cuidados especiais com a sua saúde oral.
Há disponíveis na sua Farmácia, suportes escritos ao aconselhamento farmacêutico em situações relacionadas com cuidados na gravidez e pós-parto: iSaúde Gravidez – nove meses de saúde e bem-estar, iSaúde Acessórios de Alimentação e Conforto – escolhas seguras dos 0 aos 4 meses, entre outros. Entre uma gravidez tranquila e o seu bebé melhor protegido, conte sempre com o aconselhamento do seu farmacêutico.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
www.anf.pt