X
    Categories: GravidezInformaçõesUtentes

Azia na gravidez

AZIA, O QUE É? A azia (ou pirose), caracteriza-se por uma sensação de queimadura ou de ardor no peito, atrás do esterno, que se pode alastrar até à garganta, deixando um paladar amargo. De um modo geral, a azia resulta do refluxo do conteúdo do estômago para o esófago, através do esfíncter esofágico inferior – é uma situação designada por refluxo gastro-esofágico (RGE).

Pode manifestar-se nas grávidas sobretudo à medida que a gravidez avança. Há mesmo estudos que indicam que cerca de 3 em 4 mulheres grávidas já sofreram de azia no terceiro trimestre da gravidez.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DA AZIA NA GRAVIDEZ?

Durante a gravidez, o organismo produz uma hormona (a progesterona) que torna a digestão mais lenta e relaxa a válvula muscular entre o esófago e o estômago, aumentando o risco do refluxo ácido.

Em consequência, existe um risco acrescido de retorno dos ácidos estomacais para o esófago, provocando uma sensação de ardor no peito e na garganta.Acresce que nas fases mais avançadas da gravidez (terceiro trimestre), os sintomas também podem ser provocados pela pressão física causada pelo bebé no trato digestivo da mulher, fazendo pressão sobre o esfíncter.

SINTOMAS DO REFLU XO ÁCIDO NA GRAVIDEZ

O refluxo ácido e a indigestão na grávida podem também causar outros sintomas, para além da azia, como seja:

> Dor abdominal superior ou desconforto

> Dor no centro do peito atrás do esterno

> Náuseas e vómitos

> Inchaço

> Sensação de enfartamento, depois de comer.

Estes sintomas tendem a desaparecer após o parto.

[CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE]

PREVENÇÃO DA AZIA NA GRAVIDEZ

Algumas alterações no estilo de vida da grávida poderão contribuir para prevenir a azia. Por exemplo:

> Comer pequenas refeições, cinco a seis vezes ao dia, em vez de três grandes refeições.

> Evitar deitar-se logo a seguir às refeições.

> Evitar bebidas e alimentos que provoquem azia: café, refrigerantes, frutas ácidas, chocolate, pimenta, picante, tomate, fritos, entre outros.

> Elevar a cabeceira cerca de 10 a 15cm, colocando uma altura por baixo dos pés da cama ou utilizando uma almofada em cunha.

Adaptar os hábitos alimentares durante o período da gravidez é fundamental. Os alimentos e as bebidas que possam favorecer a azia, caso da cafeína, os refrigerantes, os pratos altamente condimentados e gordurosos, devem ser consumidos com moderação ou preferencialmente banidos. Também a escolha de um regime alimentar com pequenas refeições facilita o processo da digestão e permite evitar que se acumule uma grande quantidade de alimentos no estômago, prevenindo deste modo possíveis sintomas de azia. No final da gravidez, quando o bebé tem cada vez mais necessidade de espaço, é igualmente preferível consumir porções mais repartidas. A higiene alimentar pode ter um papel preponderante na prevenção da azia.

Grelhados, legumes verdes bem cozidos e fruta fresca, bem como os laticínios, devem estar presentes na alimentação da grávida. É muito importante beber líquidos durante a gravidez.

Recomenda-se que se beba cerca de um litro e meio a dois litros de líquidos por dia, e mais ainda nos dias quentes de verão. São de preferir as bebidas pobres em calorias, como as tisanas e os chás de frutos e mesmos os sumos de frutos bastante diluídos e, claro está, água.

A grávida deve evitar ao máximo as situações stressantes, que em certas pessoas podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios gástricos.

Passeios ao ar livre são compensadores e a atividade física contribui para regularizar a função intestinal. Convém não esquecer outros inimigos figadais da gravidez: roupa apertada, a propensão para fazer uma sesta depois das refeições, etc.

[CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE]

MEDICAMENTOS PARA A AZIA NA GRAVIDEZ

Quando a azia persiste, recomenda-se que converse com o seu farmacêutico, pois existem medicamentos não-prescritos pelo médico que ajudam a atenuar os sintomas. Os antiácidos com alumínio ou magnésio podem ser tomados durante a gravidez e o aleitamento, não representado riscos para a mãe e para o feto.

Contudo, devem ser evitados os antiácidos que contenham bicarbonato de sódio ou trissilicato de magnésio, uma vez que podem ser prejudiciais para o bebé.

USE E ABUSE DO ACONSELHAMENTO FARMACÊUTICO

A grávida tem ao seu dispor no espaço da farmácia um folheto intitulado “Nove meses de saúde e bem-estar”. Ali encontrará um elucidativo calendário de alterações e manifestações que podem ocorrer ao longo dos três trimestres: enjoos, alterações nos seios e na pele, desconforto abdominal, congestão nasal, cãibras, inchaço, dores nas costas, insónia e, naturalmente, azia.

Mas o aconselhamento farmacêutico assume uma grande importância. O profissional de saúde irá perguntar-lhe como e quando apareceram os sintomas, como se manifestam as dificuldades digestivas, quererá saber o seu regime alimentar e como se caracteriza o seu estilo de vida. Irá seguramente dar-lhe sugestões para optar por refeições ligeiras, pobres em gordura e distribuídas ao longo do dia; evitar deitar-se logo a seguir às refeições (é uma regra absoluta para prevenir perturbações gástricas ligeiras).

O farmacêutico irá seguramente alertá-la para a necessidade de um uso prudente de antiácidos.

Por várias razões. Primeiro, é necessário que haja uma avaliação prévia por parte de um profissional de saúde antes de os tomar.

Segundo, a composição dos diferentes antiácidos é muito variável e com ela variam igualmente os efeitos secundários que podem ocorrer. Os antiácidos que contêm uma elevada concentração de sódio devem ser evitados em grávidas que têm pressão arterial elevada ou pré-eclampsia.

Tudo isto para dizer que a grávida tem tudo a ganhar em conversar com o seu farmacêutico; este deverá dialogar com a utente com o objectivo de dispensar medicamentos para alívio ou conforto, tendo sempre em consideração os seus hábitos alimentares, os seus estilos de vida e acima de tudo o seu estado fisiológico. São estas diversas abordagens que permitirão uma efetiva melhoria da qualidade de vida da grávida e a promoção do uso correto de medicamentos, se tal houver lugar.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

admin: