Cancro da Mama: É a doença mais maligna na mulher; 18% das mortes por cancro, devem-se a esta doença; Uma em cada 10 mulheres irão desenvolver cancro da mama ao longo da sua vida; Na Europa, atinge uma em cada 10 mulheres; Maior probabilidade de se desenvolver à medida que a idade avança.
Cancro da Mama – HER2 » A proteína HER2 (receptor de membrana das células tumorais) constitui, por si só, um indicador de comportamento mais agressivo da doença » Um gene com potencial para causar o aparecimento de cancro » 20 a 30% das doentes com cancro da mama apresentam quantidades excessivas da proteína HER2 » Existem tratamentos inovadores que proporcionam maior qualidade de vida aos doentes CANCRO DA MAMA 1. Definição e incidência A palavra “cancro” é um termo genérico, aplicado a várias doenças distintas, embora relacionadas: são todas caracterizadas pela malignidade da situação, ou seja, pela proliferação não controlada de células anómalas. O cancro da mama é a doença maligna mais comum na mulher: representa cerca de 24% dos casos de cancro e 18% de todas as mortes por cancro. No mundo ocidental, o cancro da mama atinge uma em cada 10 mulheres, com meio milhão de novos casos por ano, só na Europa. Desde a segunda metade do século XX, as taxas de incidência têm vindo a subir. Apesar dos avanços já conseguidos, ao nível do diagnóstico e tratamento, o cancro da mama continua a ser a primeira causa de morte, em mulheres entre os 35 e os 55 anos, e a segunda entre as mulheres de todas as idades. Calcula-se que, só na Europa, o cancro da mama seja responsável por cerca de 20% de todas as mortes por cancro, isto é, mais de 100.000 mortes por ano. Calcula-se que uma em cada 10 mulheres irão desenvolver cancro da mama, ao longo da sua vida. 2. Factores de risco Sendo pouco frequente antes dos 30 anos, o cancro da mama tem maior probabilidade de se desenvolver à medida que a idade avança, embora a taxa de crescimento abrande nas mulheres que atingiram a menopausa. Há inúmeros factores de risco conhecidos, nos quais se incluem: história familiar da doença, envelhecimento, exposição a agentes cancerígenos, não ter filhos (nuliparidade), maternidade tardia (primeiro filho depois dos 30 anos). Além disso, uma vida menstrual longa, resultado de uma menarca (primeira menstruação) precoce ou de uma menopausa tardia, aumenta o risco de cancro. Alguns investigadores acreditam que a obesidade, uma alimentação rica em gorduras, a ingestão excessiva de álcool e o uso de medicamentos contendo estrogénios (terapêutica de substituição hormonal ou pílulas anticoncepcionais) podem aumentar o risco de cancro. No entanto, em cada cinco mulheres com o diagnóstico de cancro da mama, quatro não têm factores de risco conhecidos. Se a doença for detectada e tratada em estadio inicial ou precoce, ou seja, antes da hipótese de progredir para outros órgãos (metastizar), a taxa de sobrevivência pode chegar aos 95% – argumento poderoso a favor do melhoramento dos programas de rastreio e da necessitar de continuar a investigação científica nesta área.
2.1. Sintomas A realização do auto-exame da mama é fundamental para detectar o cancro da mama. Na maior parte dos casos (66%) o nódulo (ou caroço) não é doloroso, embora algumas mulheres (11%) refiram dor. Uma vez detectado por palpação, o tumor deverá ser confirmado pelo médico, através de exames imagiológicos como a mamografia; por outro lado, o diagnóstico histopatológico poderá ser obtido por citologia aspirativa (aspiração através de agulha muito fina) e/ou biópsia. Outros sinais de alarme incluem: » Perda de sangue ou de líquido pelo mamilo; » Acumulação local de fluidos tecidulares (edema); » Alteração no tamanho, no bordo ou na posição do mamilo. 3. Prevenção Até hoje desconhece-se a causa responsável pelo cancro da mama; assim sendo, podemos afirmar que é uma doença que, ainda hoje, não tem prevenção. No entanto, é possível detectá-la precocemente. Nos EUA, 90% de todos os cancros da mama são descobertos pela própria, muitas vezes apenas como um nódulo, pequeno e firme. A detecção “a tempo”, juntamente com a realização de um tratamento correcto, em todos os casos diagnosticados, é a chave para conseguir a cura. CANCRO DA MAMA – HER2 1. O que é o HER2? HER2 é a abreviatura de Human Epidermal Growth Factor Receptor-type 2, ou seja, receptor do factor de crescimento epidérmico humano tipo 2. A proteína HER2 é produto de um proto-oncogene específico, um gene com potencial para causar o aparecimento de cancro. A sobre-expressão do HER2 origina um aumento do crescimento das células tumorais e um comportamento mais agressivo da doença. 2. O que significa ter um cancro da mama HER2 positivo? Ao ser diagnosticado um cancro da mama, o médico pode pedir para fazer a determinação do HER2. O teste ao HER2 pode ajudar o médico a diagnosticar e identificar, de forma mais exacta, as doentes com cancro da mama HER2 positivo, um tipo de cancro da mama mais agressivo. A situação relativa ao HER2, pode: » Aumentar o risco da doente progredir mais rapidamente do cancro da mama; » Predizer de que forma a doente irá responder a determinadas terapêuticas contra o cancro; » Qualificar a doente para receber novas terapêuticas contra o cancro, dirigidas aos receptores do HER2.
3. Porquê testar a sobre-expressão do HER2? Aproximadamente 20 a 30% das doentes com cancro da mama revelam quantidades excessivas da proteína HER2, ou seja, apresentam sobre-expressão do HER2. As mulheres com cancro da mama HER2 positivo (HER2+), tendem a apresentar formas mais agressivas da doença, com progressão mais rápida após administração dos tratamentos convencionais, como a quimioterapia. Actualmente, existem testes específicos para identificar as doentes com cancro da mama HER2+. 3.1. Características do HER2 » O cancro da mama HER2 positivo tem maior probabilidade de voltar a surgir, pouco tempo depois do tratamento; » Os tumores HER2 positivos parecem responder menos bem a alguns fármacos antineoplásicos, que constituem a terapêutica convencional contra o cancro da mama; » Estão disponíveis novas terapêuticas dirigidas, especificamente, aos receptores do HER2, ou seja, cujo intuito é tratar as doentes com cancro da mama HER2 positivo. A agressividade da doença depende do tipo de cancro e das características individuais de cada doente; no entanto, é reconhecido que o HER2 é um importante factor de risco e prognóstico, no cancro da mama. 4. Incidência e prognóstico do HER2 A sobre-expressão do HER2 afecta 20 a 30% das mulheres com cancro da mama. Todos os anos, só na Europa, mais de 500.000 mulheres são diagnosticadas com cancro da mama. Aproximadamente 170.000 destas terão sobre-expressão do HER2. Aproximadamente 92% das doentes com sobre-expressão da proteína, apresentarão amplificação do gene HER2 (medida através de um teste laboratorial). O cancro da mama HER2 positivo está associado a pior prognóstico e possível diminuição da resposta à quimioterapia e à terapêutica hormonal tradicional. Por conseguinte, a avaliação do HER2 é importante na determinação do prognóstico e tratamento das mulheres com cancro da mama. As mulheres com cancro da mama HER2 positivo têm maior probabilidade de: » Ter um cancro que se espalhe (ou dissemine) para outras partes do corpo, numa fase precoce da doença; » Apresentar sintomatologia da doença, em caso de haver envolvimento dos gânglios linfáticos; » Morrer da doença (as taxas de mortalidade são mais elevadas); » Sofrer uma recidiva, ou seja, de voltarem a ter cancro após a terapêutica inicial.
5. O tratamento O tratamento do cancro da mama inclui uma diversidade de modalidades terapêuticas, incluindo a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia (mastectomia, quadrantectomia ou tumorectomia) e a terapêutica hormonal. Estes tratamentos são administrados com o objectivo de curar o cancro e/ou limitar a disseminação da doença, proporcionando o alívio dos sintomas. Considera-se que a mulher está a responder ao tratamento se verificar uma diminuição de pelo menos 50% nas dimensões do tumor. Há diversos factores que afectam o sucesso da terapêutica: » Tipo, tamanho e velocidade de crescimento do tumor primário; » Número de gânglios linfáticos envolvidos; » Extensão da expressão do oncogene; » Estado dos receptores de estrogénios e dos receptores do factor de crescimento epidérmico humano HER2. 5.1. Novas formas potenciais de tratamento Começam a estar disponíveis novas terapêuticas contra o cancro, com mecanismos de acção inovadores. Estes fármacos, que actuam directamente nas células cancerígenas, poupam o organismo aos efeitos secundários, por vezes devastadores, associados aos tratamentos convencionais contra o cancro. O aumento do conhecimento acerca dos genes humanos, responsáveis pelo crescimento das células cancerígenas, conduziu a uma nova fase no tratamento do cancro da mama. Uma nova abordagem, dirigida ao tratamento desta doença, envolve a utilização de anticorpos monoclonais. Um anticorpo monoclonal é uma proteína sintética que foi preparada, expressamente, para atingir células cancerígenas específicas no organismo – terapêutica com anticorpos monoclonais. O anticorpo monoclonal actua bloqueando a função do HER2 (associado ao crescimento de cancro da mama mais agressivo). Adicionalmente, só atinge as células cancerígenas, não actuando nas células sãs. Desta forma, os efeitos secundários experimentados pelas doentes com esta terapêutica são, habitualmente, de natureza ligeira – a maior parte das vezes febre e arrepios. Também se acredita que este tipo de terapêutica pode estimular o sistema imunitário a destruir as células cancerígenas. O uso de um anticorpo monoclonal, representa uma nova e promissora opção para tratar as doentes com cancro da mama HER2+. Contudo, este tipo de tratamento está condicionado à existência de um diagnóstico fiável do status HER2. Este diagnóstico é feito, utilizando testes altamente sensíveis. Estes testes não só determinam se uma doente é, ou não, HER2+, mas também constituem um prognóstico acerca das doentes que poderão responder a este tratamento. Como mostram os resultados clínicos, esta nova abordagem do cancro da mama é um grande avanço para as doentes HER2+: proporciona uma melhoria significativa na qualidade de vida das doentes, prolongando a sua vida, ainda que apresentem uma forma mais agressiva da doença. Se tiver cancro da mama HER2+, pode candidatar-se a este novo tipo de tratamento. Determinar o seu status HER2 é, naturalmente, um primeiro passo essencial antes de, juntamente com o seu médico, decidir qual é o melhor tratamento para si.
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