Disfunção eréctil ataca » 25% dos homens com mais de 40 anos
Gordura a mais e stress
interferem com função sexual
«As doenças metabólicas têm um profundo impacto sobre as artérias. A disfunção eréctil pode ser um primeiro sinal da presença de uma dislipidemia, diabetes ou obesidade», refere o Dr. A. Santinho Martins, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
«A obesidade, porque se caracteriza por um aumento dos ácidos gordos no organismo, conduz à síndrome plurimetabólica. Isto significa que o aumento dos lípidos pode conduzir ao hiperinsulinismo e à diabetes, podendo ser potenciado igualmente um aumento da tensão arterial», adianta o especialista.
São fáceis de imaginar as dificuldades mecânicas por que passa um indivíduo obeso durante os seus relacionamentos sexuais. Além do mais, «num quadro de obesidade os níveis de testosterona estão mais baixos, o que vai interferir com o desejo e a erecção», refere Santinho Martins.
Depois há outro aspecto: «Numa sociedade de sucesso as pessoas têm de ter sucesso em tudo. Pelo que uma grande pressão é feita em torno da prestação sexual, sendo o ênfase colocado no orgasmo como corolário da relação sexual.»
O stress transforma-se, desta forma, em mais um factor que pode desencadear problemas de erecção.
«Tem claramente repercussões orgânicas. Tal como a obesidade, o stress faz baixar os níveis de testosterona, diminuindo a resposta aos mecanismos neurológicos e vasculares responsáveis pela erecção», adianta Santinho Martins.
A agitação do quotidiano laboral, o desemprego ou a eminência de ser despedido são, portanto, problemas que se podem repercutir em disfunção eréctil.
«Cada vez vamos ter mais disfunção eréctil porque cada vez também há mais casos de diabetes, obesidade e stress. E, actualmente, já cerca de 60% dos portugueses têm excesso de peso ou são obesos», remata Santinho Martins.
Causas da disfunção eréctil
• Problemas vasculares (resultantes da hipertensão, tabagismo, aterosclerose, colesterol elevado);
• Doenças endócrinas (diminuição da testosterona, diabetes, obesidade);
• Cirurgias à próstata ou ao cólon;
• Acidentes (traumatismos da bacia, coluna e medula espinal);
• Doenças neurológicas (esclerose múltipla, por exemplo);
• Insuficiência renal;
• Alcoolismo e toxicodependência;
• Origem psicológica (stress, depressão, medo, frustração, cansaço, ansiedade de execução);
• Doenças psiquiátricas;
• Determinados medicamentos.
Quando o problema chega aos 18 anos…
«É uma situação muito rara, mas terrível», diz o Dr. Nuno Monteiro Pereira, referindo-se à disfunção eréctil em adolescentes e jovens adultos.
«Há sempre poderosíssimos factores psicológicos associados, sendo por isso obrigatório o acompanhamento psicológico. São fases cruciais da vida, em que muito da sexualidade individual fica definida. Um problema físico no pénis, ou no funcionamento do pénis, pode induzir um comportamento tímido e inseguro, porque o rapaz tem medo de falar com raparigas, foge delas e fica cada vez mais obcecado com o seu problema», sustenta o urologista.
Um dos possíveis cenários, com consequências dramáticas na fase inicial da vida sexual, é a denominada insuficiência veno-oclusiva.
Ora, segundo o médico, «a exemplo de uma banheira que precisa de ter o ralo tapado para que a água não se escoe, no pénis acontece um processo semelhante. Na insuficiência veno-oclusiva, o mecanismo de encerramento das veias, que serve para manter o sangue no interior do pénis, está danificado».
O sangue não é retido e a erecção não acontece. «Este pode ser um exemplo em que não é fácil o tratamento. Por vezes, apenas a cirurgia pode resolver o problema. Felizmente, são situações muito raras», informa Nuno Monteiro Pereira, acrescentando:
«Muitas vezes os jovens têm dificuldade em pedir ajuda, ou porque desconhecem onde se dirigir, ou porque não têm dinheiro para procurar um especialista. E os hospitais do Estado não dão resposta.»

