A 18 de Outubro é comemorado o Dia Mundial da Menopausa e, como não poderia deixar de ser, a Sociedade Portuguesa de Menopausa (SPM) organiza este mês a sua VII Reunião Científica.
Realizam-se duas reuniões científicas, no Auditório do Hotel Príncipe Perfeito, em Viseu. Uma a 15 de Outubro, em que será efectuado um curso de actualização para a Medicina Familiar, essencialmente dirigido para os médicos de família, e outra no dia 16, que é dirigida a todos os médicos e profissionais de saúde que se interessem pelo tema da menopausa.
«Pretende ser um local onde todos os médicos que tratam da mulher na menopausa se reúnam para conversar sobre as suas experiências, debaterem os últimos estudos sobre estes assuntos e o seu respectivo enquadramento na sociedade portuguesa», diz a Dr.ª Ana Fatela, ginecologista na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, referindo-se à VII Reunião Científica da SPM, da qual é membro.
E salienta: «Em suma, pretende-se fazer uma actualização deste tema tão controverso para aferir estratégias.»
Neste encontro, em relação ao anterior, serão discutidos novos temas. O do ano passado tratou de temas como a pele, a nutrição, o exercício físico e a sexualidade na menopausa.
«No VII Encontro, o primeiro tema é uma abordagem sobre as principais queixas da mulher na menopausa como a sintomatologia vasomotora (afrontamentos, suores nocturnos), alterações do humor, insónias, diminuição da memória, ansiedade, depressão, queixas urogenitais e, mais tardiamente, os problemas cardíacos e de osteoporose», adianta Ana Fatela, prosseguindo:
«Segue-se a vigilância necessária a toda a mulher que se encontra em menopausa, vigilância clínica e exames complementares de diagnóstico necessários. Fala-se, posteriormente, das opções terapêuticas para a mulher nesta fase da vida.»
Considerando a importância da terapêutica hormonal e de todas as controvérsias gerada em seu redor, foi elaborada uma mesa para a discussão das suas vantagens e inconvenientes e suas indicações.
O evento culmina com a discussão de um tema interessante, a osteoporose.
Segundo informa Ana Fatela, «dado a osteoporose ser uma doença óssea grave, que leva a fracturas que podem levar a incapacidades graves e até à morte (uma em cada duas mulheres com mais de 50 anos tem o risco, até ao final da vida, de sofrer uma fractura óssea), é-lhe dedicada uma mesa-redonda onde se dá importância não só à terapêutica, mas também aos aspectos preventivos tão descurados como uma alimentação rica em cálcio, vida activa e parar de fumar».
Terapêutica hormonal
Quando se fala de terapêutica hormonal nem sempre as opiniões são unânimes. Se outrora eram reduzidos (ou nenhuns) os fármacos que ajudavam a mulher menopáusica a ultrapassar uma fase da vida à qual era impossível escapar, hoje são várias as opções . Porém, é fundamental o parecer de um especialista!
«O tratamento da sintomatologia vasomotora é a principal indicação da terapêutica hormonal», menciona a ginecologista, apontando outras situações para as quais é indicada:
«Sintomatologia geniturinária (atrofia genitourinária), sintomatologia neurovegetativa (insónia, irritabilidade, alterações do humor), e nos casos de menopausa precoce.»
A médica acrescenta, ainda, que «acessoriamente, quando utilizada, pode prevenir a osteoporose, sendo discutível a prevenção da doença cardiovascular. Outra das vantagens da terapêutica hormonal é a prevenção do cancro do cólon».
É, no entanto, de salientar que nem todas as mulheres podem fazer uma terapêutica hormonal.
A este respeito, Ana Fatela informa que «mulheres com cancros hormonodependentes, como por exemplo o cancro da mama e alguns cancros do útero, não podem fazer um tratamento deste género, assim como mulheres com antecedentes de embolias pulmonares ou de tromboses venosas, mulheres com doenças cardíacas graves ou mal controladas e com doenças hepáticas activas».
Deste modo, existem opções terapêuticas, tais como os fitoestrigénios, os bifosfonados ou o raloxifeno.
Relativamente aos fitoestrigénios, a ginecologista refere que «não existem trabalhos que comprovem a sua eficácia no tratamento da sintomatologia vasomotora, na prevenção da osteoporose e na instabilidade neurovegetativa. São apenas uma alternativa, não uma primeira opção».
«O raloxifeno é indicado na prevenção e tratamento da osteoporose da coluna.
A sua indicação está reforçada nas mulheres de maior risco de cancro da mama. Os bifosfonados são recomendados no tratamento da osteoporose, principalmente quando já há osteoporose do colo do fémur», diz Ana Fatela.
20 Outubro, Dia Mundial da Osteoporose
Após a menopausa, a falta de estrogénios leva à desmineralização óssea. Acontece que com a redução do conteúdo de cálcio os ossos tornam-se frágeis e ao mínimo choque podem fracturar.
«As fracturas que se relacionam com a osteoporose são as das vértebras, do punho e do colo do fémur. As fracturas vertebrais podem aparecer sobre a forma de achatamentos vertebrais que levam ao aspecto encurvado e diminuem a altura das mulheres idosas», refere Ana Fatela, acrescentando que «a terapêutica hormonal reduz a perda de massa óssea e o risco de fracturas, mas os benefícios desta terapêutica perdem-se com a sua paragem».
Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama
Há aumento do risco de cancro da mama em mulheres com menopausa tardia.
«Alguns estudos referem um ligeiro aumento do risco de cancro da mama a partir dos 5 anos de terapêutica hormonal na terapêutica combinada (estrogénios e progestativos). Este aumento cessa com a suspensão da terapêutica e volta aos valores basais após 5 anos de paragem», alerta a especialista.
Já na terapêutica com estrogénios isolados, não foi demonstrado nos estudos mais recentes qualquer aumento do risco.
Contudo, segundo Ana Fatela, «há outros factores que podem aumentar o risco de cancro da mama, que têm tanta ou mais importância que a terapêutica hormonal, como o excesso de consumo de gorduras e álcool, a obesidade e a idade tardia da primeira gravi
Sofia Filipe
Medicina & Saúde®
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