Da puberdade à vida adulta… O universo da mulher - Médicos de Portugal

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Da puberdade à vida adulta… O universo da mulher

11 Janeiro, 2009 0

O aparecimento da menstruação é o sinal mais marcante do desabrochar para o mundo de mulher. Mas, embora súbito e repentino, este acontecimento não surge isoladamente. Antes mesmo da menarca, já ocorreram mudanças físicas, que abrem caminho à capacidade reprodutiva de uma mulher.

Com o início da puberdade, ocorrem nas raparigas um conjunto de alterações físicas e biológicas. Os seios começam a crescer, as ancas a alargar e os primeiros pêlos a aparecer. Contudo, o momento mais histórico na etapa de crescimento de uma rapariga é o aparecimento da primeira menstruação. A partir desta altura, mês após mês, tudo muda.
“A puberdade é uma fase de transição, ou seja, um período que leva ao aparecimento da capacidade reprodutora dos jovens, afirma a Dr.ª Maria José Alves, chefe de serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e responsável pela Unidade de Adolescência.

Em média, a menarca – primeira menstruação – surge por volta dos 12 anos. Mas, como explica Maria José Alves, “as alterações da puberdade iniciam-se, por norma, um ano e meio antes do período menstrual”. Depois da puberdade, a rapariga entra numa nova fase da sua vida: a adolescência. Entre o deixar de ser menina, para passar a ser mulher, surge um período de dúvidas e indecisões, algumas raparigas esbarram com as suas primeiras relações sexuais.

Em Portugal, as raparigas iniciam a sua vida sexual, em média, por volta dos 16 anos. Contudo, como indica Maria José Alves, a adolescente deve estar preparada para dar esse passo. “As jovens que decidem iniciar a sua relação sexual devem estar na posse de toda a informação que lhes permita evitar alguns riscos”. Com tal é importante que o início da vida sexual assente num clima de segurança e por decisão da jovem. Contudo, nem sempre estas situações acontecem e, entre o querer e o não querer, muitas jovens esbarram com as suas primeiras experiências sexuais.

“As raparigas podem ser pressionadas para terem relações sexuais. O marketing da sexualidade, as histórias das amigas, que relatam grandes desempenhos sexuais (nem sempre verdadeiros), e os parceiros são, por vezes, motivos de pressão”, defende. Na adolescência vive-se, muitas vezes, “o mito do romantismo e do príncipe encantado”. Acontece, porém, que o “príncipe encantado não tem imunidade às infecções”. É, por estes motivos, que esta especialista defende a necessidade de apostar na prevenção. Até porque uma relação não protegida pode acarretar consequências para a vida, nomeadamente as infecções sexualmente transmissíveis (IST) e uma gravidez não desejada.

Assim, como adianta a ginecologista, “é preciso criar condições e um ambiente favorável para que os adolescentes usem métodos contraceptivos e, desta forma, se poderem prevenir das IST e de uma eventual gravidez não planeada”. Segundo Maria José Alves, em Portugal, formou-se a ideia de que a sexualidade juvenil é um comportamento irresponsável. Na sua opinião, enquanto não se derrubarem estes tabus, “não vai ser socialmente confortável procurar contracepção”.

 

Gravidez na adolescência

Portugal é o País da Europa Ocidental, a seguir ao Reino Unido, com a taxa mais elevada de gravidez na adolescência. De acordo com as estatísticas, ao longo dos últimos anos, tem-se registado uma redução no número de mães adolescentes. Ainda assim, “os dados indicam que, anualmente, cerca de 5000 jovens, com menos de 19 anos, engravidam e conduzem a sua gestação até ao fim”, diz o Dr. Duarte Vilar, director executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF).

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