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Crianças: fragilidade à flor da pele

Bebés e crianças têm uma pele singular. A pele do bebé é mais fina do que a do adulto (o mesmo é dizer que é menos resistente às agressões por agentes externos).

Por isso este, que é o maior órgão do corpo humano, requer cuidados particulares, não só no recém-nascido, como até cerca dos 3 anos altura em que a pele ainda é facilmente irritável e muito susceptível a agressões externas.

Mas, também depois dessa idade e até à puberdade, a pele continua a requerer cuidados acrescidos quando comparada com a do adulto.

Podemos caracterizar a pele do bebé e da criança do seguinte modo: menor espessura da sua camada mais superficial (tornando-a, portanto, mais permeável); tendência para a secura (devido à reduzida actividade das glândulas sebáceas); uma transpiração diferente da do adulto (devido à relativa imaturidade das glândulas sudoríparas); pH neutro (ao contrário do da pele dos adultos que é ligeiramente ácido), o que pode facilitar um maior desenvolvimento de bactérias.

Este quadro singular de fragilidade da pele estende-se até cerca dos 12 anos. Vem isto a propósito para significar que os cuidados com a pele são indispensáveis por razões específicas durante os três primeiros anos de vida (por exemplo, para impedir assaduras, dermatite das fraldas ou eczemas, infecções, pequenas vesículas…) mas devem prolongar-se até à adolescência devido ao número de afecções dermatológicas a que a pele pode estar sujeita. A fase da adolescência já requer cuidados particulares que não se inserem no âmbito deste artigo.

Enfim, a pele infantil é altamente sensível e frágil, o pH neutro pode reduzir as defesas contra a proliferação dos micróbios.

A pele da criança, especialmente dos lactentes, é particularmente sensível ao excesso de secreção sebácea (caso da crosta láctea), aos ácaros do pó da casa, às bactérias presentes no meio envolvente, às impurezas acumuladas na fralda, entre outros agentes potencialmente agressores.

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Afecções cutâneas mais comuns nas crianças

As afecções mais comuns nas crianças são a xerose (pele seca) e a dermatite (também designada por eczema).

Falando da xerose, recorde-se que a baixa actividade das glândulas sebáceas, associada à menor capacidade de retenção de água, pode tornar a pele das crianças bastante seca e mesmo até muito seca.

As regiões do corpo que podem ser mais afectadas são os braços, a parte interior das pernas e a parte lateral do tronco e coxas. Quando não se tomam as medidas necessárias para contrariar, manifesta-se como pele descamativa, gretada e com prurido.

A dermatite ou eczema é uma reacção inflamatória da pele visível através de lesões, muitas vezes pruriginosas; as dermatites mais comuns dão pelo nome de atópica e de contacto. A dermatite atópica é uma afecção da pele caracterizada por uma sensibilidade cutânea exagerada e afecta mais frequentemente os cotovelos, punhos, pele atrás dos joelhos e pescoço, no entanto pode surgir em qualquer parte do corpo. Manifesta-se por regiões avermelhadas e inflamadas e com intenso prurido. As crianças coçam as lesões, devido à comichão, podendo levar ao seu agravamento e até mesmo dar origem a infecções.

A dermatite de contacto é uma inflamação provocada pelo contacto com uma determinada substância. Estas dermatites podem ser alérgicas ou irritativas.

No caso das irritativas, podem afectar qualquer criança desde que, como é óbvio, esta seja exposta a uma substância irritante para a sua pele. Os sintomas vão desde uma leve e rápida vermelhidão até uma inflamação mais grave da pele, formando-se bolhas. No caso das dermatites de contacto alérgicas, estas apenas afectam as crianças alérgicas a determinada substância.

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Situações que favorecem as assaduras ou dermatite das fraldas

É do senso comum de que não se deve nunca deixar a criança molhada e suja por muito tempo. A fralda suja propicia um ambiente húmido, agressivo para a pele sensível da criança. A pele molhada pode causar fricção contra a fralda mas também permitir o desenvolvimento de bactérias e fungos. A ureia é provavelmente a causa mais comum da dermatite das fraldas. A amónia, produzida a partir da ureia, por acção de compostos presentes nas fezes, é altamente irritativa e pode causar inflamação na pele. Daí que, quando as fezes se misturam com a urina o perigo da irritação e de dermatite aumente.

Há outras situações que podem favorecer assaduras e dermatites: é o caso das alterações alimentares, na fase de adaptação a leites de fórmula, e quando se inicia a diversificação alimentar; ou durante o nascimento dos primeiros dentes.

Há também medicamentos que podem alterar o quadro das defesas do bebé e da criança, é o caso dos antibióticos que podem deixar os bebés mais sujeitos a infecções por bactérias e fungos.

 

O elementar dos cuidados com a pele infantil

A mãe ou qualquer outro cuidador do bebé preza a sua higiene pessoal nas operações de limpeza, para além de estar sensibilizada para os factores que podem favorecer a dermatite das fraldas (como se disse atrás, as alterações alimentares, os problemas de dentição e a medicação), deve assegurar sempre que, depois do banho, a pele fica bem limpa e seca, especialmente nas dobras e pregas. Deve usar-se sempre um sabonete suave, sem corantes ou aditivos, bem como outros produtos exclusivamente apropriados para a pele do bebé.

As fraldas sujas devem ser removidas para dentro de um saco de plástico. Com a maior frequência possível, a pele do bebé deve estar exposta ao ar fresco.

Atenção às variações de temperatura.

Os recém-nascidos têm uma maior dificuldade em lidar com o frio (pele com menor espessura e com menor gordura subcutânea) Nos recém-nascidos pode-se usar apenas algodão e água.

Aplicar suavemente uma fina camada de creme emoliente apropriado de cada vez que se muda de fralda, em especial depois do banho, sobretudo nas dobras e pregas. O banho é geralmente um momento de prazer para o bebé mas os banhos em excesso são absolutamente contra-indicados, podem originar irritação e diminuir as defesas da pele.

A hidratação, após o banho, com um hidratante suave, sem perfume e sem corantes, contribui para manter a protecção contra os agressores químicos e infecciosos.

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A cosmética infantil pede aconselhamento farmacêutico!

Os cosméticos têm como função limpar, proteger e manter o bom estado da pele.

É da maior conveniência que os pais ou os cuidadores conheçam quais os cosméticos mais indicados para a pele da criança.

Na sua farmácia poderá encontrar estes produtos sob diferentes formas de apresentação: emulsões, pomadas, unguentos, cremes gordos, loções, geles, pastas e pós.

Na verdade, há emulsões, pomadas, unguentos e cremes gordos indicados para peles descamativas, há emulsões, cremes, loções e geles destinados a peles sensíveis e irritadas, há pastas destinadas à protecção contra agentes irritantes (é o caso da pasta de óxido de zinco, que tem propriedades cicatrizantes) e há pós destinados à prevenção da maceração. A decisão deve ser tomada com indicação farmacêutica.

Recorde-se que pode haver reacções alérgicas a produtos cosméticos, designadamente quando contêm conservantes ou fragrâncias. Os perfumes não são aconselhados nos cosméticos destinados a bebés e crianças. Pode também haver intolerâncias a certos conservantes. É por isso que os produtos rotulados de hipoalérgicos podem ser considerados como a opção mais segura para aplicar na pele de bebés e crianças.

Saber ler a rotulagem dos cosméticos é muito útil, assim podemos verificar os ingredientes presentes e conhecer as precauções ou avisos especiais de utilização.

Na verdade, os rótulos trazem a lista das substâncias que fazem parte da composição (informação indispensável para se verificar a presença de alguma substância à qual haja conhecimento prévio de alergia), data de durabilidade após abertura e alguns avisos pertinentes, para além de outras informações

O aconselhamento farmacêutico deve ir de encontro às expectativas dos pais ou dos cuidadores, mas ter sempre em conta as particularidades da pele da criança e o fim a que se destina o produto – limpeza, hidratação e protecção, etc.

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Por isso:

• Prefira adquirir em todas as situações qualquer produto de limpeza consultando o profissional de saúde: há sabões que podem ter componentes para prevenir a secura excessiva, “sabões sem sabão” ou syndets que possuem pH não agressivo para a pele, há geles com ou sem agentes gelificantes hidrofílicos, há champôs que não provocam ardor nos olhos, uma enorme variedade de loções, leites e cremes de limpeza e toalhetes, deve-se adquirir o que for mais apropriado para a pele do bebé;

• Sempre que necessário, fale com o seu farmacêutico sobre os cuidados de hidratação e protecção da pele da criança, há no mercado uma variedade de produtos emolientes com propriedades humectantes (ou seja de reter a água na pele) e oclusivas (ou seja impedem que a água evapore); o farmacêutico pode indicar também se constitui uma escolha acertada adquirir uma preparação barreira (isto é, que funciona como uma barreira entre a pele e o meio exterior) que tem também a função de proteger a pele contra as agressões externas;

• Sempre que adquirir na farmácia um produto relacionado com a pele do bebé, deve ficar a conhecer os aspectos mais importantes relacionados com a utilização segura dos produtos, qual o melhor modo de os manter bem acondicionados, devidamente armazenados;

• Converse com o seu farmacêutico sobre os procedimentos diários de higiene e acerca de como deve estar atento aos problemas de pele da criança: o que deve ser um banho rápido e agradável, como se deve processar um enxaguamento; no caso das crianças com peles xeróticas, as vantagens de promover a hidratação e protecção da pele e como fazer a escolha dos produtos mais convenientes.

Para que os produtos utilizados nos cuidados com a pele sejam seguros foi instituída a cosmetovigilância, à semelhança da farmacovigilância que existe há anos para os medicamentos. A cosmetovigilância consiste na monitorização dos efeitos indesejáveis resultantes da utilização de produtos cosméticos e de higiene corporal. As farmácias devem notificar os efeitos indesejáveis graves, mas também aqueles que embora não sejam de carácter grave justifiquem a notificação, comunicando-os à autoridade competente de saúde, o INFARMED.

Por fim, lembra-se aos leitores que as farmácias podem disponibilizar informação útil aos seus utentes, no âmbito dos cuidados com a pele das crianças, também em suporte escrito. Assim, tem disponível na sua farmácia suportes iSaúde que abordam os temas Pele Seca – Hidratar é preciso, Dermatite atópica – À flor da pele e Dermatite de contacto – Quando a pele reage, disponíveis também no sítio da Associação Nacional das Farmácias, (www.anf.pt), no menu Publicações.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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