Combater o cancro da mama
Nos últimos anos temos assistido ao aprofundamento rápida dos conceitos da biologia molecular, do aparecimento de novos fármacos e de novos métodos de terapêutica, permitindo-nos controlar a doença, aumentar a sobrevivência e muitas vezes curar as doentes.
A quimioterapia primária, que é feita antes da cirurgia, tem ajudado a limitar a doença e a permitir cirurgias menos mutilantes, melhorando a qualidade de vida das doentes. Recentemente, a introdução do docetaxel no tratamento primário tem permitido obter em maior número, respostas completas da doença, com confirmação histológica, o que seguramente irá conduzir ao aumento da sobrevivência, embora ainda não tenhamos tempo de recuo suficiente para o demonstrar.
A quimioterapia adjuvante, após a cirurgia, surgiu nos anos 2000 com novas associações de citostáticos, onde o uso das antraciclinas e taxanos, nomeadamente o esquema TAC (docetaxel, doxorrubicina e ciclofosfamida), dando um aumento da sobrevivência a mulheres que têm pior prognóstico, ou seja menos possibilidades de cura por extensão local da doença.
O conhecimento biomolecular das células tumorais, permitem identificar proteínas e conhecer enzimas que conduzem a um pior prognóstico, ou seja, a não resposta do tumor aos tratamentos clássicos, justificando a resistência que por vezes encontramos. A determinação da expressão ou ampliação do HER2 nas células tumorais foi estudada, verificando-se que estes tumores são mais agressivos e respondem pior aos tratamentos.
A evolução da ciência com os ensaios clínicos efectuados, confirmaram que estas doentes deviam submeter-se a tratamentos com antraciclinas e taxanos. A descoberta do anticorpo monoclonal – trastuzumab, que actua especificamente neste alvo tumoral, quando associado á quimioterapia mostrou uma diminuição do risco de morte em 33%, e uma redução do risco de recidiva à distância que varia de 39% a 52%.
Depois da evolução da hormonoterapia, esta associação representou ganhos significativos para as doentes com cancro da mama de alto risco, com grande probabilidade de desenvolverem doença mais tarde após os tratamentos.
Esperamos a todo o momento Ter conhecimentos suficientes para identificarmos cada vez mais as características individuais destes tumores, e com os novos fármacos ou novas associações controlarmos definitivamente a doença.
* Directora do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Coimbra.
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