A laranja não tem culpa, mas é com uma textura semelhante à sua casca que fica a pele quando a celulite se instala. São os excessos que se acumula com facilidade mas teimam em desaparecer. Mais uma vez com preferência pelas pernas femininas.
É quando o calor aperta que a celulite se torna mais visível. Ela está presente ao longo de todo o ano, a marcar as pernas com a mesma textura ondulada da casca de laranja, mas no Verão as pernas descobrem-se e a celulite também…
É então o inimigo a abater ou, pelo menos, a disfarçar. E disfarçar apenas porque a celulite é teimosa: instalase insidiosamente e não desaparece com facilidade. Vem para ficar, com uma apetência quase exclusiva pelas pernas e nádegas femininas. Mas sem qualquer preferência pela idade: porque tanto “ataca” as mais novas como as mais velhas, sendo comum notar-se em pernas tão jovens que até causa perplexidade.
Também não é esquisita no que toca ao corpo: tanto marca mulheres magras como gordas, desmentindo aquela ideia de que a celulite anda obrigatoriamente associada à obesidade. Não é assim: é frequente ver-se mulheres elegantes mas de contornos inesteticamente pontuados por uma aparência acolchoada.
São os estrogénios que justificam que a celulite predomine entre as mulheres, mais do que nos homens. Isto porque a celulite desenvolve-se sobretudo durante períodos de alterações hormonais, como a puberdade, o início da pílula contraceptiva, a gravidez ou a menopausa. Com o aparecimento dos caracteres sexuais, dá-se uma maior produção de estrogénios, aumentando a retenção de líquidos e toxinas entre os vasos sanguíneos e os tecidos gordurosos da pele, aí se concentrando a gordura.
E é mesmo de gordura que se fala. No nosso organismo há células cuja função é acumular energia, sob a forma de gordura – são os adipócitos, que se localizam na hipoderme, a camada mais profunda da pele. Nas mulheres, essa camada apresenta fibras ligando a superfície ao tecido mais profundo, como se fosse um colchão de molas.
Quando essas pontes fibrosas repuxam a pele, no sentido descendente, aparecem os tais “furinhos” ou “covinhas” que denunciam a celulite.
A celulite instala-se preferencialmente nas pernas, nas nádegas e no abdómen. São as zonas do corpo que é mais difícil mobilizar quando se trata de gastar as reservas de gordura acumuladas.
Em consequência, ela mantém-se, exercendo pressão sobre as tais pontes fibrosas da pele. É também sob aquelas partes do corpo feminino que é mais difícil actuar num regime de emagrecimento, o que explica que permaneçam volumosas (e acolchoadas) mesmo quando se perde algum peso.
De mãos dadas com o peso a mais
É verdade que a celulite não é um problema exclusivo das gordas, afectando também as mulheres mais magras, mas também é verdade que ela se agrava com o aumento do peso, uma vez que há maior concentração de gordura.
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Importa, pois, manter os quilos a um nível simultaneamente saudável e estético. Mas nunca enveredando pela aventura das dietas radicais, daquelas que prometem curas de emagrecimento num ápice e “garantem” resultados definitivos. Em matéria de celulite, como aliás em matéria de emagrecimento, estas são promessas vãs. Não há milagres, apenas a receita de sempre: praticar uma alimentação equilibrada, reduzindo ou mesmo eliminando as maiores fontes de calorias.
Há que cortar nas gorduras, nos açúcares, no sal, no álcool e no tabaco; há que privilegiar o pequeno-almoço, em vez do jantar, na medida em que à noite quase não se gastam energias, ao contrário do que acontece durante o dia. Há também que beber água – os recomendados litro e meio a dois litros diários – pois a ingestão de líquidos estimula a função renal e a consequente libertação de toxinas.
E há que investir no exercício físico. O sedentarismo e a celulite dão-se bem: afinal, se passarmos horas e horas sentados, no trabalho e em casa, dificilmente queimaremos gorduras. Para quem não é adepto do desporto, caminhar basta. Não é preciso frequentar o ginásio: andar a pé é um bom exercício para manter um corpo são (e a mente também): permite espairecer e estimula músculos e articulações.
Este é o caminho para o sucesso, mas um caminho cheio de obstáculos e que se percorre lenta e progressivamente até se ver alguma luz ao fundo do túnel. O mesmo é dizer, até que o colchão de molas que existe nas zonas femininas mais atreitas à celulite normalize e deixe de se evidenciar através da pele.
Belisque-se!
Dar beliscões a si própria parece estranho, mas ajuda a descobrir a textura indesejada, já que o facto de a pele parecer lisa não quer dizer que esteja livre da famosa casca de laranja. Há pois que beliscar: aperta-se, entre o indicador e o polegar, a parte superior da coxa, as nádegas ou o abdómen, após o que se analisa os efeitos do beliscão à procura das tais covinhas. Este teste simples permite identificar quatro patamares no que respeita à celulite.
O estágio 0 equivale a uma pele sem marcas quando a mulher está de pé ou quando belisca as partes do corpo mais propensas; no estágio 1, a celulite não se revela quando a mulher está de pé, mas as covinhas surgem quando a pele é comprimida; no estágio 2, já aparecem quando a mulher está de pé, mas estão disfarçadas na posição deitada; quanto ao estágio 3, é o mais avançado, não havendo maneira de negar a celulite, pois a pele tem uma aparência clara de casca de laranja, esteja-se de pé ou deitada.
Naturalmente, quando mais celulite houver mais difícil será eliminá-la.
Não havendo “milagres”, há, no entanto, algumas alternativas de tratamento, que ajudam a melhorar o aspecto da pele.
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Requerem tempo e não devem dispensar a já mencionada alteração de hábitos. A cosmética revela-se uma boa aliada para quem se quer libertar da celulite – cremes e massagens, se associados, permitem suavizar a superfície da pele, ao estimularem o fluxo sanguíneo e a drenagem linfática graças a princípios activos como a cânfora, o mentol e a cafeína.
Os gabinetes de estética oferecem cuidados mais específicos. A endermologia é um dos mais usados: trata-se de uma massagem mecânica profunda com um aparelho que enrola e desenrola a prega cutânea, contribuindo para redistribuir a gordura de um modo mais uniforme pelo tecido cutâneo.
Disseminada está também a drenagem linfática – uma massagem manual que acompanha o trajecto dos vasos linfáticos. A estas técnicas juntam-se hidromassagens, envolvimentos corporais e ultra-sons, mas na verdade os seus resultados são sobretudo superficiais, a nível da aparência. Não se nota, mas a celulite acaba por permanecer, na medida em que estes tratamentos não atingem a camada mais profunda da pele, onde a gordura se acumula.
A cirurgia também é uma opção disponível. Lipoaspiração é o procedimento mais conhecido e visa eliminar a gordura localizada, por meio de uma sonda ligada a um aparelho de aspiração.
Assim como não há milagres, também não há tratamentos 100% eficazes nem 100% seguros. O mais simples ainda é combinar uma alimentação equilibrada com a prática de exercício. Leva é tempo e não satisfaz quem pretende de um dia para o outro uma silhueta sem sombra de celulite. Mas os resultados permanecem.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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