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Alimentar a aprendizagem

O rendimento escolar também se alimenta: com uma dieta saudável, em que não podem faltar as proteínas e vitaminas e em que o pequeno-almoço é de ouro.

Uma alimentação saudável é essencial para o desenvolvimento físico e intelectual das crianças. Assim é desde a concepção, mas há idades em que assume particular importância.

Uma delas é o início da escolaridade, quando as crianças são sujeitas a um esforço intelectual acentuado, com a aprendizagem a requerer uma concentração diferente da habitual. Também a rotina das crianças muda, pois as suas actividades passam a estar guiadas pelo horário escolar.

É um admirável mundo novo o da aprendizagem, um mundo de descobertas e novas experiências mas também de desafios. É um mundo que precisa literalmente de ser alimentado, sob pena de as crianças não retirarem dele os melhores benefícios.

Está provado que o rendimento escolar anda de mãos dadas com a alimentação e, muito em concreto, com o pequeno-almoço. Chamam-lhe pequeno, mas devia ser mais valorizado pois cumpre dois objectivos importantes: o de aliviar o período nocturno de jejum prolongado e o de proporcionar a energia necessária para uma manhã de actividade, seja ela física ou intelectual.

Por estas razões não deve ser eliminado e muito menos nas crianças. Contudo, há muitas pessoas que não o tomam, por falta de hábito ou devido à pressa matinal. Mas ao prolongarem o jejum nocturno arriscam-se a uma baixa de açúcar no sangue (hipoglicémia), cujos sintomas vão do cansaço e sonolência à visão turva, das dores de cabeça à irritabilidade e alterações do humor, dos enjoos aos tremores.

Uma criança que vá para a escola sem ter tomado o pequeno-almoço é uma criança que, mais cedo ou mais tarde, irá manifestar falta de interesse pelas actividades propostas, redução na capacidade de atenção e memória, fraco desempenho e menor rendimento.

Estudos efectuados com alunos dos 9 aos 11 anos, saudáveis, demonstraram que aqueles que saltaram o pequeno-almoço aumentaram o número de erros e mostraram uma capacidade de discriminação mais lenta. Além disso, aqueles que tomaram o pequeno-almoço mais perto da hora dos testes tiveram melhores classificações do que aqueles que o haviam tomado muito cedo. Isto porque o cérebro é sensível a variações de curto prazo na presença dos nutrientes. Ou seja, a função cognitiva é influenciada pela alimentação.

O pequeno-almoço é, pois, decisivo para o processo de aprendizagem. Deve ser completo, equilibrado e variado, de modo a fornecer 25 a 30 por cento das calorias diárias. Deve incluir leite e derivados (pois fornecem proteínas, minerais e vitaminas), cereais integrais (de digestão lenta e saciantes) e fruta (uma peça ou um copo de sumo fornece vitaminas e fibras).

Depois desta refeição, as crianças não devem estar mais de três horas sem comer, o que significa que devem fazer um pequeno lanche – é esse, aliás, o papel do chamado leite escolar, introduzido há anos no ensino básico público.

Em circunstâncias normais, a alimentação deve fornecer todos os nutrientes de que as crianças precisam para crescerem saudáveis. Em circunstâncias muito específicas, porém, pode ser necessário colmatar eventuais défices nutricionais, com a ajuda de um suplemento. Todavia, só com avaliação e aconselhamento de um profissional de saúde, nunca por iniciativa própria.

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Bem dormir para bem aprender

A ausência do pequeno-almoço é um problema comum entre as crianças em idade escolar. Outro é a escassez de sono. Basta olhar para o modo como, ainda a caminho da escola, cabeceiam e piscam continuamente os olhos. Alguns não resistem e acabam por pousar a cabeça entre os braços sobre o tampo da mesa, enquanto o professor explica a matéria do dia.

Quando isso acontece é sinal de que não dormiram o suficiente na noite anterior. Isso na melhor das hipóteses, porque casos há em que a sonolência diurna resulta de várias noites mal dormidas (leia-se com poucas horas de sono).

Contudo, o sono influencia o rendimento escolar, sendo determinante para a concentração nas aulas e para o desempenho nas tarefas propostas. Dificilmente se aprende quando o corpo pede descanso.

É que o sono é retemperador: é durante a noite que o corpo recupera do esforço dispendido durante o dia, de tal forma que os próprios ritmos fisiológicos (respiração, batimentos cardíacos, entre outros) abrandam. É uma pausa merecida e que deve ser respeitada. Não há um número de horas obrigatório para cada idade, até porque cada caso é um caso: há pessoas que precisam de dormir menos do que outras, mas quando se trata de crianças há um mínimo abaixo do qual não obtêm o necessário descanso.

O número de horas de sono diárias vai diminuindo com a idade: os bebés passam a maior parte do tempo a dormir e, progressivamente, vão aumentando os períodos de vigília até que na idade pré-escolar e escolar são precisas entre oito a dez horas por noite.

Em tempo de aulas, isto implica que se deitem relativamente cedo, o que pode não ser fácil. A hora de dormir é, aliás, motivo de tensão entre pais e filhos, com estes a regatearem sempre mais algum tempo para a televisão, os videojogos ou o computador.

Tanto mais agora que as férias mal acabaram mas já é preciso retomar o ritmo do ano lectivo. O ideal seria que uns dias antes voltassem a ser aplicadas as regras de todo o ano, num ajustamento progressivo ao que é saudável. São regras porventura mais fáceis de aplicar quando as aulas começam de manhã.

Já quando são à tarde, crescem os pretextos para ficarem acordados até mais tarde com o argumento de que se podem levantar também mais tarde. Mas não é saudável fazer deslizar a hora de levantar: é bom que haja um intervalo de vigília, para não se correr o risco de sair de casa à pressa, sem comer e, eventualmente, sem todo o material necessário.

Dormir é preciso e dormir o tempo suficiente ainda mais. Uma noite não retemperadora abre caminho a sonolência diurna, cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração, o que inibe a disponibilidade para aprender.

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De olho nos sentidos

A visão e a audição são dois sentidos essenciais à aprendizagem e, muitas vezes, é com a entrada na escola que se detectam problemas com eles relacionados. É que a necessidade de concentração põe em evidência eventuais dificuldades das crianças.

O ideal era que as crianças fizessem um rastreio por volta dos cinco, seis anos, a idade em que iniciam a escolaridade, de modo a detectar e tratar precocemente qualquer deficiência visual ou auditiva.

Em relação à visão, há um conjunto de sinais a que convém estar atento. Assim, é conveniente ir ao oftalmologista se a criança:

• Tiver dores de cabeça com frequência mas sem explicação;

• Sentir enjoos quando tem de fixar a vista;

• Disser que vê imagens foscas, mal definidas ou a dobrar;

• Colocar os objectos demasiado perto ou demasiado longe dos olhos;

• Semicerrar os olhos para ver melhor;

• Perder depressa a concentração quando implica esforço visual;

• Escrever com letra muito grande ou muito oblíqua;

• Cometer erros ao copiar palavras (do quadro, por exemplo);

• Acompanhar sempre a leitura com o dedo;

• Saltar palavras quando lê;

• Esfregar muito os olhos, tiver os olhos vermelhos ou pestanejar muito.

No que respeita à audição, a identificação de um eventual défice é mais difícil, mas há alguns sinais indicativos.

Assim é se a criança:

• Ouvir televisão com o som muito alto ou muito próxima do aparelho;

• Responder apenas quando as pessoas falam à sua frente;

• Reagir a sons cuja origem consegue ver.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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