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Alimentação aliada ao envelhecimento saudável

A longevidade, à luz dos conhecimentos actuais, ainda tem ainda razões que a própria razão desconhece. Mas, se em alguns aspectos o envelhecimento é, para já, uma incógnita, sabe-se que uma alimentação cuidada desde tenra idade é um dos principais trunfos para enfrentar o Outono da vida com mais qualidade.

Dizem os entendidos que somos tudo aquilo que comemos. E se esta afirmação há umas décadas era desprezada certo é que, nos dias que correm, nunca se acreditou tanto que uma alimentação equilibrada pode ser o ponto de partida para um envelhecimento mais saudável. “A velhice prepara-se em cada dia da nossa vida”, salienta a Prof.ª Teresa Amaral, docente na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

A receita para nos mantermos saudáveis, ao longo de toda a vida, passa pela conservação das capacidades físicas, fisiológicas e mentais. É por esta razão que, independentemente da etapa da vida, “as escolhas alimentares produzem um forte impacto na saúde”, fundamenta a nutricionista. E adianta: “Os dados disponíveis demonstram que mesmo a alimentação in útero irá condicionar a probabilidade de desenvolver doenças na idade adulta, nomeadamente na velhice.”

E, para se evitar pagar a factura no futuro pelos erros cometidos no passado, convém não deixar de lado os preceitos para uma dieta mais equilibrada. “Naturalmente, quem tiver uma alimentação saudável durante toda a vida terá maior probabilidade de ter uma velhice isenta de doenças.”

Envelhecer com sucesso é, então, uma prioridade nos tempos que correm, principalmente se consideramos que a proporção de pessoas com mais de 65 anos tem crescido no mundo inteiro. Segundo os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), actualmente, existem perto de 600 milhões de idosos em todo o mundo. Um número que, segundo as previsões do mesmo organismo, poderá disparar para dois biliões em 2025.

Em Portugal, os últimos Censos de 2001 indicam que percentagem de pessoas com mais de 65 anos representava 16,9% da população residente, contra 15,7% da faixa etária entre os 0-14 anos. “A esperança média de vida, no nosso País, regista os maiores índices de sempre [actualmente situa-se nos 78 anos],”, observa a nutricionista. Qual o segredo para tanta longevidade?

“Julgo que esta situação se relaciona com a melhoria dos cuidados de saúde, Cada vez mais, se mantém um olhar atento sobre a saúde dos idosos”, justifica Teresa Amaral. Mas, porque para envelhecer não basta chegar à idade maior, é preciso saber envelhecer com qualidade de vida. No mundo inteiro, “estão a ser desenvolvidos vários trabalhos que tentam perceber as razões que estão na base de um envelhecimento com sucesso”.

 

Corpo são em mente sã

É uma questão que se levanta frequentemente: o que acontece ao corpo à medida que os anos vão passando? “Naturalmente, ocorre um processo fisiológico do envelhecimento. Contudo, quem tem um envelhecimento saudável e se preparou ao longo de toda a jornada da vida, manterá as funções do organismo em pleno funcionamento, sem patologias que comprometam o bem-estar.”

Mas, para chegar à idade maior livre de doenças crónicas, é preciso ter uma atenção desvelada com a alimentação. “É um investimento a longo prazo, que se traduz em vantagens visíveis em cada dia. Qualquer pessoa deve fazer um esforço por manter uma alimentação equilibrada e apropriada, dia após dia”, diz Teresa Amaral. “Os cuidados alimentares não devem ser uma prioridade apenas aos 65 anos”, assegura a nutricionista, explicando que “é preciso fazer as apostas certas desde muito cedo”.

Maior autonomia e vitalidade física e psicológica são a chave de um envelhecimento com sucesso. E para se continuar a ser um bom garfo, mesmo na adulta maior, importa, pois, “manter um bom estado de saúde e tratar as alterações da função digestiva”. Porque estas, entre outras, continua a nutricionista, “irão naturalmente comprometer o estado nutricional”.

A especialista desmente o mito de que o apetite diminui com os avanços da idade. “A perda de apetite está dependente de problemas de saúde e não do próprio envelhecimento.” Pelo que associado a uma alimentação deficitária surge, também, o risco de desnutrição. “Estas carências alimentares vão provocar uma mobilização da reservas musculares”, defende. Em idades mais avançadas, a perda de massa muscular “tem uma recuperação mais lenta e pode até ser irreversível”.

E como manter um corpo são e vigoroso mesmo depois do 65 anos? “Através da prática de exercício físico e de uma alimentação saudável. Sofrer perdas de massa muscular pode limitar a mobilidade e aumentar a dependência de terceiros. Por detrás desta situação, há um efeito bola-de-neve: maior dependência traduz-se numa desordem funcional e psicológica do idoso.”

 

Alimentos permitidos

Haverá alimentos proibidos na terceira idade? A nutricionista Teresa Amaral assegura que “qualquer idoso, desde que se encontre em bom estado de saúde, poderá comer dentro dos limites da normalidade a comida que mais o satisfaz”. Mas, sem “esquecer as regras básicas de uma alimentação saudável, como, por exemplo, consumir cinco porções de fruta e de hortícolas por dia”. Há, porém, truques de culinária não devem ser ignorados. Para a especialista, aprender a comer é uma arte que “depende também da quantidade ingerida e da forma como os alimentos são confeccionados”.

Os produtos da natureza ´”são sempre preferíveis a alimentos de conserva”. E, para fazer uma alimentação rica em nutrientes essenciais, não é preciso passar horas na cozinha. A sopa, por exemplo, “é um preparado culinário de fácil confecção e digestão que reúne uma boa quantidade de água e de produtos hortícolas”. Mas atenção: os benefícios da sopa dependem da sua confecção.

“O principal problema que poderá surgir associado ao consumo de sopa é a quantidade de sal exorbitante que é frequentemente acrescentada. É preciso fazer um esforço para reduzir a ingestão de sal, por razões de saúde. Trata-se de um hábito que demora dias ou semanas até as papilas gustativas de habituarem ao paladar mais insosso.” Para diminuir o sódio da comida, a especialista recomenda a utilização de ervas aromáticas.

 

Quantas refeições diárias?

Tratando-se de um idoso com a capacidade digestiva comprometida, “deverá fazer cinco a seis refeições por dia”. Por outro lado, se o estômago e as funções digestivas funcionarem em pleno, “pode-se, perfeitamente, fazer apenas quatro refeições diárias”.

Jornal do Centro de Saúde

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