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A luz apaga-se e acende-se o medo

13 Junho, 2010 0

Os miúdos que se queixam de medo do escuro acordam regularmente muito cansados, “tipicamente rabugentos” porque as suas fases do sono “estão extremamente diminuídas. O seu sono não é organizador mas desgastante”. O terror nocturno não é o mesmo que o típico pesadelo.

“Este tipo de terrores surge quando a criança acorda completamente em pânico, não reconhece ninguém e fica numa situação em que está semiacordada e semiadormecida. O pesadelo é diferente pois é associado a imagens bem definidas”. Este tipo de angústia vai fazer com que as crianças adiem cada vez mais a hora de ir dormir.

“São aqueles miúdos que se deitam muito tarde e que arranjam muitas coisas para fazer para adiar o momento em que têm de se deitar porque isso será muito angustiante para eles”, diz-nos Ana Vasconcelos. Por outro lado, actualmente, são muitas as crianças que adormecem a ver televisão, como forma de “ocupar a sua mente com imagens”.

 

Angústia da separação

É também quando a luz se apaga que as crianças se separam dos pais. Pela primeira vez, durante o dia, a criança fica entregue a si mesma. “A angústia da separação é normalíssima no ser humano. Surge quando a criança já reconhece na sua memória a mãe e, por algum motivo, ela lhe falta”.

Ana Vasconcelos é da opinião que devem ser criados ritmos para que os filhos percebam que os pais estão temporariamente ausentes mas irão regressar ao fim da tarde.

“Os miúdos que desenvolvem medo do escuro, muitas vezes, são filhos de pais que têm ritmos de vida alucinantes e que não vão buscar as crianças à escola à mesma hora.

Não há rotina nem ritmos instalados”. Tal facto pode ser simplesmente modificado se os pais se habituarem a telefonar para a escola a informar que irão chegar mais tarde.

“Esses miúdos vêem sempre os pais na mão do exterior. Se o pai ou a mãe telefonarem a avisar que vão chegar mais tarde, a criança fica logo muito mais tranquila”, diz-nos a pedopsiquiatra. A angústia da separação pode surgir também na puberdade ou na adolescência.

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Quando deve procurar um especialista?

O bom-senso é a palavra de ordem para lidar com estes casos. É normal que as crianças tenham medo do escuro. No entanto, a partir do momento “em que a criança fica nas mãos daquele medo e deixe de ser ela própria, os pais devem começar a preocupar-se”.

Nos primeiros dias, “podem tentar adormecer a criança para que ela se sinta mais segura. Se passarem duas a três noites sem conseguirem com que durma no seu quarto, devem procurar a ajuda do pediatra para se aconselharem”. Posteriormente, se o pediatra considerar que se justifica, a criança pode ser encaminhada para outro especialista.

Para Ana Vasconcelos, “também pode ajudar ter uma luz pequena de presença no quarto ou deixar a luz do corredor acesa”. O essencial “é ajudar a criança a ultrapassar aquele momento de fragilidade sem a rigidez de alguns pais que ainda podem deixar a criança mais aflita”. Tranquilidade recomenda-se.

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