A quantidade de água do corpo diminui à medida que a idade avança: o corpo de um jovem de 25 anos contém cerca de 62% de água; enquanto o de um sénior de 70 anos contém “apenas” 53 %. Esta diferença significa que as reservas hídricas das pessoas mais idosas são menores, devendo, por isso, ser dada uma atenção especial à ingestão de água, nesta fase da vida. Além disto, é comum verificar-se que, nestas idades, o funcionamento dos rins é menos eficiente e que a sensação de sede está alterada.
Porque pode a desidratação ser mais frequente na terceira idade?
Em primeiro lugar, porque muitas doenças características da terceira idade, assim como muitos dos medicamentos que se tomam nesta fase, podem estimular a desidratação. Em segundo lugar, porque com o avançar da idade, os receptores responsáveis pela transmissão da sensação de sede perdem sensibilidade, adiando a sensação de sede.
Algumas pessoas que sofrem de incontinência urinária deixam de beber água, julgando estar a resolver o problema. Mas limitar a ingestão de água só pode agravar a situação, porque a urina fica mais concentrada, prejudicando a saúde dos rins.
Outra razão que contribui para a desidratação na terceira idade são as patologias que afectam o sistema nervoso (como a doença de Alzheimer), porque a capacidade de se expressarem está afectada.
Alguns factores de risco
As mulheres, as pessoas com peso corporal baixo, as pessoas com problemas motores ou mobilidade reduzida, as pessoas hospitalizadas e as pessoas que sofram de demência, depressão ou anorexia têm maior risco de desidratação.
O risco é ainda acrescido, nas seguintes situações: durante o Inverno (porque é mais fácil esquecer-se de beber água), ou em ambientes muito quentes e secos (como espaços com ar condicionado), quando existem situações que provocam perdas hídricas (diarreia, vómitos, febre etc.), ou quando se tomam certos fármacos (laxantes, diuréticos, sedativos, etc.).
Estar atento aos sinais
Muitas vezes, o diagnóstico de desidratação é tardio. Pelas razões já apontadas, a sensação de sede está alterada ou simplesmente não é comunicada. Por outro lado, os sinais de desidratação podem ser confundidos com os de outras doenças (uma vez que não são específicos), pelo que, quando se dá conta do problema, já a desidratação está num estado muito avançado.
Eis, então, alguns dos sinais mais importantes: secura das mucosas (língua, boca), que provoca dificuldade em engolir; febre; prisão de ventre; problemas neuromusculares (como sonolência brusca, quedas, irritação, agitação); perda de peso; taquicardia; tensão arterial baixa; prega cutânea persistente (a pele não volta ao lugar depois de ser puxada.
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Vantagens de uma boa hidratação
Mais do que beber muito de um só golo, manter níveis de hidratação elevados (ou seja, bebendo pouco mas muito frequentemente) previne o aparecimento de infecções urinárias. E se, por mais benefícios que a hidratação tenha, há quem evite beber água para minimizar a frequência e gravidade de incontinência urinária, é bom saber que alguns especialistas defendem que essa restrição não melhora o problema.
É mais relevante que se mantenha hidratado, porque um aporte adequado de água pode ainda reduzir a formação de pedras nos rins em 39%! Se a urina for mais diluída, mais clara, a cristalização dos sais que formam as pedras é inibida. A ingestão de água em intervalos de tempo regulares pode ainda ajudar a diluir a bílis e assim estimular o esvaziamento da vesícula, prevenindo assim a formação de pedras.
O volume de sangue é proporcional ao aporte hídrico. Assim, uma hidratação adequada previne a formação de coágulos porque diminui a viscosidade do sangue, reduzindo por isso o risco de doença coronária em 46% nos homens e 59% nas mulheres.
A desidratação é também identificada como responsável pelo número elevado de quedas na terceira idade, uma vez que:
– Condiciona a função cognitiva (níveis de atenção e de raciocínio),
– Aumenta a probabilidade de tonturas, e
– Aumenta as hipóteses de desmaio.
É frequente as pessoas de idade sofrerem uma queda de tensão ao levantarem-se, podendo por vezes resultar em desmaio. Beber água cinco minutos antes de se levantar ajuda a estabilizar a pressão arterial e assim prevenir eventuais desmaios.
As quedas, especialmente nesta fase da vida, podem ter consequências irreversíveis, nomeadamente fracturas que resultam quase sempre numa diminuição da qualidade de vida. Pelo que mais vale mesmo evitar estas situações.
A desidratação pode agravar o controlo da glicémia, assim como bons níveis hidratação podem abrandar o desenvolvimento da cetoacidose diabética na falta de insulina na Diabetes tipo 1 e ajuda a estabilizar os níveis de glicémia.
Um aporte de água insuficiente é a mais frequente causa de obstipação crónica, comummente conhecida como prisão de ventre. Se um idoso não estiver bem hidratado, uma medida tão simples como beber mais água melhora logo o problema.
A água tem ainda outros benefícios, não menos importantes, que contribuem para uma melhor qualidade de vida:
– A prevenção de doenças respiratórias ao lubrificar as membranas do aparelho respiratório;
– O bom desempenho cognitivo (rapidez de raciocínio, níveis de atenção e capacidade de concentração);
– Uma pele saudável, com a menor perda de elasticidade possível, porque os efeitos da desidratação são bem visíveis na face. A aparência saudável de uma pessoa na terceira idade pode ter uma importância muito significativa na sua felicidade e satisfação com a vida.
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Necessidades específicas
Contrariamente ao que se poderia pensar, as recomendações actuais de ingestão de água não diminuem com a idade. Assim, a recomendação média de 1,5 litros de água por dia é válida também para estas idades.
Viva a água!
A Fundação Luso promoveu, em Julho, uma acção de sensibilização para a importância da hidratação com a população sénior do Luso.
Assim, num ano em que a comunidade é o foco do trabalho desenvolvido pela Fundação Luso, os mais velhos da terra que dá o nome à Fundação, passaram uma tarde diferente, aprendendo factos sobre o impacto da água na saúde – que talvez não soubessem – e, sobretudo, fomentando a discussão uns com os outros, tendo como principal tema a água.
Recentemente criada, a Fundação Luso tem por fim contribuir para o progresso do conhecimento e da informação relacionados com a água e a saúde humana, para a preservação do património hídrico e natural do Luso, bem como para o desenvolvimento sustentável da comunidade desta região. A sua actividade pretende servir os portugueses e especialmente as gerações futuras.
Alguns conselhos para quem cuida dos mais velhinhos
– Observar e verificar diariamente a ingestão de água dos idosos.
– Ter sempre uma garrafa de água à vista e de fácil acesso, para beber em pequenas quantidades ao longo do dia.
– Em caso de necessidade, facilitar a ingestão de água com palhinha ou copos com “bico” ou asas.
– Verificar se o volume de urina é suficiente e de cor clara.
– Estar atento a eventuais sinais de prisão de ventre.
– Em caso de febre ou de temperaturas muito altas, aumentar a ingestão de água em mais 300-500mL.
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