A arte de bem envelhecer
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Pessoal e intransmissível
Segundo o Dr. Luís Bonnet Monteiro, secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, “cada um envelhece ao seu ritmo”, porque “não existe uma sequência lógica e previsível do envelhecimento dos diferentes órgãos”. De acordo com o especialista de Medicina Interna, embora a fronteira entre o envelhecimento e a doença seja ténue, há idosos que mantêm uma saúde de ferro.
Para o médico, a descoberta dos genes responsáveis pelo envelhecimento seria o maior achado da Humanidade. Mas, apesar de “desejável”, é um sonho difícil de concretizar, já que seria necessário entender todos os “factores em jogo”.
Contudo, enquanto não é possível alcançar a “eterna juventude”, existe a capacidade de prepararmos o envelhecimento, através da adopção de medidas a longo prazo.
Embora o processo de envelhecimento seja fisiologicamente “inevitável, previsível, irreversível e próprio dos seres vivos”, com indica a Prof.ª Amália Botelho, do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, pode-se “atrasar o relógio biológico”, manipulando alguns factores externos.
“Para modularmos o envelhecimento e retardá-lo podemos exercer práticas de prevenção”, explica. Mas, como indica Luís Bonnet Monteiro, a preparação do envelhecimento deve começar desde cedo, através da “correcção dos factores de risco” que podem favorecer o aparecimento da doença.
Como de pequenino é que se adquirem bons hábitos, é fundamental investir numa alimentação saudável, praticar exercício físico e corrigir alguns factores de risco, como o stresse, o colesterol e a hipertensão arterial.
“O envelhecimento é um processo em curso, que depende do património individual de cada indivíduo (a herança genética) mas, simultaneamente, factores comportamentais e ambientais”, completa Amália Botelho. Se o envelhecimento estivesse apenas ligado ao estilo de vida, qualquer um podia programar o envelhecimento. Mas não é um fenómeno tão linear.
Segundo a teoria das lesões, o envelhecimento resulta da “acumulação sucessiva de danos nas estruturas celulares”, diz a fisiologista. Logo, com as consecutivas lesões, “ocorre uma disfunção e morte das células dada a diminuição da capacidade de reparação e reprodução”. Quer isto dizer que a agressão contínua dos radicais livres sobre as células conduzem “à perda funcional e reprodutiva das células”.
Já a explicação determinista diz que “há uma programação genética do envelhecimento celular”. Significa que “há um potencial limite de replicação celular”, impresso previamente no DNA. “Os cromossomas perdem características e a célula acaba por perder a capacidade de se replicar”, adianta Amália Botelho.
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Quando a doença se atravessa no caminho
À medida que os anos passam, a capacidade funcional do organismo vai declinando gradualmente. Acontece que, devido à doença, “geralmente crónica, esta capacidade torna-se irreversível. “Doenças crónicas são aquelas que não se resolvem num curto espaço de tempo, definido como três meses.
Normalmente, as doenças crónicas têm um decurso insidioso e lento, pelo que acabam por desencadear incapacidade funcional ou morte”, explica Amália Botelho. “Muitas manifestações em idosos que não são reconhecidas como doença, como é o caso da incapacidade, são erradamente consideradas próprias do envelhecimento natural”, acrescenta.

