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50 anos: A idade do perigo

Dificuldades na micção costumam ser os primeiros sintomas de que algo vai mal com a próstata. E quando já se ultrapassou a barreira dos 50 anos há razões acrescidas para suspeitar. Tanto mais que as doenças da próstata surgem lentamente, sem uma causa identificável e quando se detectam muitas vezes já é tarde demais.

As doenças da próstata estão a crescer em Portugal, em parte como consequência do aumento da esperança de vida nos homens. Estas são doenças prevalentes, que aumentam com a idade.

A mais grave de todas, o cancro da próstata é o segundo mais mortal nos homens, estimando-se que se registem, anualmente, cerca de 130 mil casos, o que corresponde a mais de 2,5% da população masculina. Por ano, ocorrem quase duas mil mortes devido a cancro da próstata. Só o cancro do pulmão faz mais mortes entre o sexo masculino.

Números que tornam imperioso o diagnóstico precoce, na medida em que não existe uma causa específica para estas doenças e, portanto, não é possível evitá-las. É a partir dos 50 anos que os homens entram naquela a que poderíamos chamar a idade da próstata, porque é na quinta década da vida que os problemas com esta glândula começam. Metade dos homens com mais de 70 anos podem ter cancro da próstata, o mesmo acontecendo com praticamente todos acima dos 90, mas estes são latentes e, portanto, sem significado clínico. Esta casuística deriva de resultados obtidos em autópsias efectuadas em pessoas que morreram de outras causas. Por isso, o rastreio é importante.

Outra doença é a Hipertrofia Benigna da Próstata, um tumor benigno muito frequente depois dos 70, mas raro antes dos 50 anos.

Mas o que é a próstata, afinal? Trata-se de uma glândula do aparelho reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do recto, sendo atravessada pela uretra (o canal por onde passa a urina durante as micções). As suas dimensões são reduzidas até o homem atingir a puberdade, mas nessa altura o seu desenvolvimento acompanha o aparecimento de outras características sexuais, como a barba e os pêlos públicos ou as alterações na voz. Atinge então a forma e o volume de uma castanha.

Sob a influência da hormona masculina, a testosterona, a próstata produz parte do fluído seminal no qual os espermatozóides são transportados, sendo, pois, importante para a fertilidade. Contudo, não interfere na actividade sexual, pelo que não tem qualquer influência na potência sexual do homem.

 

Nem tudo são más notícias

Por razões que o conhecimento médico ainda não consegue explicar na totalidade, a próstata aumenta de volume. Um crescimento que causa incómodo e desconforto e que pode mesmo dar origem a situações de algum embaraço. É que, ao crescer, a próstata pressiona a uretra, originando vários problemas urinários, entre eles necessidade de urinar frequentemente, sobretudo durante a noite, e dificuldade em esvaziar a bexiga apesar da vontade de urinar.

Pode acontecer igualmente que a quantidade de urina em cada micção seja pequena, menor do que antes da hipertrofia (aumento de volume). Está-se então provavelmente perante um quadro de Hipertrofia Benigna da Próstata, uma situação que pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia.

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São múltiplos os sintomas quando a próstata aumenta de volume, normalmente divididos em duas categorias – obstrutivos e irritativos. São sintomas de obstrução a dificuldade em começar a urinar, um esforço excessivo para urinar, jacto de urina fraco, sensação de não ter esvaziado a urina completamente, gotejo no final de urinar, retenção urinária.

Quanto aos sintomas irritativos, incluem micções frequentes, de dia e de noite, premência para urinar, incontinência e ardor ao urinar. Pode acontecer igualmente que haja sangue na urina, infecções urinárias e disfunções sexuais.

Perante estes sintomas há que procurar um médico, pois pode ainda ser tempo de efectuar um tratamento com medicamentos, evitando a cirurgia. Mais tarde, corre-se o risco de prejudicar o bom funcionamento da bexiga e dos rins.

A Hipertrofia Benigna da Próstata é o tumor benigno mais frequente no homem.

 

Cancro silencioso

Outra doença da próstata, o cancro, é o segundo que mais vítimas faz entre o sexo masculino, depois do cancro do pulmão. Raro antes dos 50 anos mas extremamente frequente depois desta idade, evolui sem se dar por ele, crescendo lentamente sem manifestar sintomas. O que o torna tão grave é a sua capacidade de se metastizar, ou seja, de se expandir para outros órgãos, preferencialmente os gânglios linfáticos, os ossos e pulmões.

Este tumor maligno implica um crescimento das células anormais da próstata, por razões ainda desconhecidas.

Pensa-se que existem factores de ordem genética e ambiental na origem da doença, constituindo um factor de risco a existência de história familiar de cancro da próstata em familiares do sexo masculino do 1º grau.

Os seus sintomas são em tudo idênticos aos da Hipertrofia Benigna da Próstata, incluindo a dificuldade em urinar ou a necessidade de fazê-lo com frequência. Contudo, à medida que o tumor vai crescendo outros sintomas se declaram, como a presença de sangue na urina ou retenção urinária súbita. Quanto as células malignas atingem outros órgãos, pode haver lugar a dores ósseas ou insuficiência renal, por exemplo.

Estes sintomas são muitas vezes manifestações de doença avançada, o que torna o diagnóstico reservado. Daí a importância do diagnóstico precoce, sabendo-se que a taxa de sobrevivência aos cinco anos é de 85 por cento quando o cancro é detectado na sua fase inicial.

O que se faz – sobretudo desde que se desenvolveu o PSA, uma análise de sangue para doseamento do antigénio específico da próstata – é uma pesquisa intencional da doença. A todos os homens com mais de 50 anos recomenda-se, assim, uma consulta anual ao urologista, na qual será feito o rastreio das doenças da próstata. O mais conhecido desses exames – e o que mais inibe os homens – é o toque rectal, através do qual o médico toca a próstata. Se o homem já tiver algum nódulo, o médico detecta-o, podendo avançar para uma ecografia ou uma biopsia.

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Se detectado precocemente, antes de se propagar a outros órgãos, o cancro da próstata pode ser tratado. São os homens com menos de 70 anos os que mais beneficiam do tratamento, até porque os mais velhos sofrem também de outras enfermidades e muitas vezes nem se submetem às opções terapêuticas. Se estiver confinado à próstata, o cancro pode curar-se extirpando-se a glândula ou recorrendo à radioterapia, podendo, no caso dos homens sexualmente activos, optar-se por uma operação que preserva a potência sexual. Assim acontece em 75 por cento dos casos.

Não havendo ainda prevenção para o cancro da próstata, todos os homens a partir dos 50 anos deveriam preocupar-se em saber se o seu PSA é normal. Principalmente se houver antecedentes familiares. Vale a pena fazer o rastreio. Não há nenhuma razão para andar com este problema às costas: é que as doenças da próstata podem curar-se.

 

Urologista

Urologia não é uma especialidade que cuida apenas de “doenças de homem”. O sistema urinário, formado pelos rins, ureteres, bexiga e uretra é comum para homens e mulheres.

A Urologia nasceu como especialidade médica em virtude do grande número e complexidade das enfermidades que abrange. Pela virtual incapacidade de um médico generalista dominar o vasto campo de actuação da especialidade, nasceu um dos mais nobres ramos da medicina.

A especialidade abrange as enfermidades que acometem o sistema urinário de ambos os sexos, em adultos e crianças.

A diferença está na uretra que é mais longa no homem. Portanto, é comum que alguns pacientes suponham que é o ginecologista que trata dos distúrbios urinários do sexo feminino, quando, na verdade, ele actua apenas nas enfermidades do sistema genital feminino, ou seja, útero, trompas, ovários, mamas, vulva e vagina.

Ainda, é importante separar a Urologia da Nefrologia que é uma especialidade puramente clínica que cuida apenas de alguns distúrbios ligados à função renal defeituosa ou ausente; por exemplo: insuficiência renal, nefrites e nefroses.

Outro grande campo de actuação da Urologia é o que trata das enfermidades da sexualidade masculina como impotência e ejaculação precoce; e do sistema genital masculino, composto da próstata, vesículas seminais, uretra, pénis, testículos e epidídimo.

Se você vê mal, vai ao oftalmologista, se tem problemas nos dentes consulta um dentista. É natural. Não há, pois, que hesitar quando for necessário consultar um urologista.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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